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Religião e política se discutem sim, senhor!
Sociedade

Religião e política
se discutem sim, senhor!

Religião e política se discutem sim, senhor!

É comum ouvir que religião e política não se discutem. Como consequência, as conversas entre as pessoas normalmente se reduzem ao nível, ou da banalidade, ou da fofoca. Mas será mesmo que esses tópicos devem ser silenciados em nome da boa convivência?

Joseph PearceTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Às vezes, dizem que religião e política são tópicos que não deveriam ser discutidos com quem não temos intimidade. Logo, jamais se discute nada relevante, reduzindo a conversa entre desconhecidos ao nível da banalidade, no melhor dos casos, ou da fofoca, no pior. Ainda assim, o debate sobre religião e política na esfera pública é crucial para a vida de uma sociedade verdadeiramente livre. A razão para o silêncio pode ser o medo da “polícia do pensamento” ou o medo de ser indelicado. Qualquer que seja o motivo, o resultado é o sufocamento da livre discussão sobre duas das áreas mais importantes que governam a vida humana.

Para o cristão, religião e política são inseparáveis, por causa da inseparabilidade dos dois grandes mandamentos de Cristo: que amemos ao Senhor, nosso Deus, e ao nosso próximo. O objetivo dos “fundamentalistas seculares” de separar religião e política não é apenas uma afronta ao cristianismo, mas um esforço para banir os cristãos da vida política. Isso, porém, não é novidade. O fundamentalismo secular sempre foi intolerante com o cristianismo e sempre procurou excluir os cristãos da vida pública. Da perseguição da Igreja antiga, com o martírio de inúmeros cristãos, à Revolução Francesa e seu Grande Terror, passando pelo século XX e o extermínio de cristãos em campos de concentração do socialismo nacional e internacional, a intolerância do fundamentalismo secular tem crucificado de forma contínua o Corpo de Cristo, além de ter corrompido incessantemente o corpo político.

“O dinheiro do tributo”, de Bernardo Strozzi.

O fundamentalismo secular emprega meios malignos, que correspondem aos seus fins ignominiosos, sempre favorecendo o poder da mentira para promover seus objetivos e usando o engano e a prática obscura da propaganda. O duplipensar e a novilíngua orwellianos fazem parte da mentalidade e do vocabulário fundamentalista secular desde o início. Em nome da “trindade profana” da liberdade, igualdade e fraternidade, os revolucionários franceses e russos privaram os cristãos da liberdade em nome da liberdade; discriminaram-nos em nome da igualdade e mataram-nos em nome da fraternidade. Não é de estranhar, portanto, que a nova geração de fundamentalistas seculares seja intolerante com o cristianismo em nome da tolerância, ou que aprove o assassinato de nascituros em nome da liberdade.

No entanto, a maior hipocrisia do fundamentalismo não está no uso abusivo da linguagem, mas na insistência em excluir a religião da vida pública, embora ele mesmo seja uma religião. Se o teísmo é uma posição religiosa, o ateísmo também o é [1]. A afirmação dogmática de que Deus não existe ou de que Ele deveria ser excluído da vida humana é uma posição religiosa. Quer acreditemos ou não na existência de Deus, ela ocupa um lugar central; é a pedra de toque, a rocha conceitual na qual se baseiam todos os nossos pressupostos. Para o teísta, a presença real de Deus é o princípio determinante que está no coração da realidade; para o ateu, é a ausência verdadeira dEle. Nos dois casos, Deus é crucial e, portanto, está presente, embora de forma irônica no segundo.

É um fato que toda política tem raízes nos primeiros princípios da filosofia, dos quais os mais importantes são os pressupostos metafísicos que dizem respeito à existência ou não existência de Deus. Na verdade, como demonstra a história recente, a eliminação de Deus cria um vácuo que é preenchido por todos os tipos de disparates perigosos e mortais. A crença de Rousseau de que o homem não é naturalmente pecaminoso, isto é, de que não existe uma rebelião primordial contra Deus, provocou toda sorte de barbárie, sobretudo o já mencionado Grande Terror. As ideias radicais de Rousseau permearam a sociedade moderna, de modo mais geral, pelo desprezo generalizado à civilização. A sabedoria das eras e a herança dos sábios são descartadas com a arrogância da ignorância, e o homem moderno é assim reduzido a um dedicado seguidor de loucuras e modismos. O determinismo de Hegel, politizado por Marx, levou ao assassinato de milhões de pessoas no altar do progresso inalterável do homem em direção à ditadura do proletariado. O super-homem de Nietzsche, politizado por Hitler, levou à raça mestra dos nazistas e ao assassinato de milhões de pessoas no altar do orgulho racial.

Como nos faz lembrar Richard Weaver, ideias têm consequências, e más ideias têm más consequências. E como Chesterton nunca cansou de nos dizer: quando as pessoas deixam de crer em Deus, não passam a acreditar em nada, mas em qualquer coisa. O “Nada” não existe, ao passo que Deus, sim, existe. Consequentemente, as pessoas podem crer em Deus, mas ninguém pode crer no nada. Um ateu não consegue ser simplesmente ateu; ele deve se tornar algo mais, que geralmente é algo pior. Quer Deus seja substituído pela impiedade de Marx, ou a de Nietzsche, ou a de Stalin, ou a de Hitler ou a de Margaret Sanger e a Planned Parenthood, o resultado será sempre o mesmo: o massacre de inocentes. Falemos sem rodeios: a ausência de Deus sempre leva à presença do mal.

As lições da história são suficientemente claras para qualquer um que tenha olhos para ver. A eliminação de Deus da esfera pública leva à construção de guilhotinas para substituí-lo. A separação agressiva entre religião e política leva ao mais mortal dos divórcios. A única alternativa à submissão de uma nação a Deus é a submissão de todas as nações a qualquer coisa. Que Deus nos livre de cair nas mãos de tamanha impiedade.

Notas

  1. Se por teísmo entendemos a posição filosófica que dá por verdadeira e racionalmente justificável a proposição “Deus é, ou existe”, então não se trata de uma postura em si mesma religiosa ou necessariamente baseada em alguma fé positiva, embora, é claro, dela se possam extrair consequências de natureza religiosa, moral, vital etc. Nesse sentido, podem considerar-se teístas pessoas de cultura e religiões tão distintas como Sócrates e São João Batista (Nota da Equipe CNP).

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Pare de pedir desculpas por estar grávida!
Família

Pare de pedir
desculpas por estar grávida!

Pare de pedir desculpas por estar grávida!

“Mas isso não é nada responsável”, “mas seus filhos terão menos coisas e menos atenção”, “mas você pode evitá-los”... Por que é que, quando um casal anuncia a vinda de um novo filho, a maioria das pessoas tem apenas coisas negativas a dizer?

Julie MachadoTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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Foi só depois de ter anunciado cinco gestações que parei de me desculpar por elas. Estou grávida agora de meu quinto filho. Antes, eu tremia quando alguém me perguntava “se a gravidez fora planejada”, ou tinha de enfatizar que a diferença de idade entre as crianças era de quase dois anos quando alguém, em choque, perguntava: “Qual a diferença de idade, um ano?”

Desta vez, não só parei de me desculpar, mas cheguei a ficar irritada com tudo isso. Por que é que a maioria das pessoas tem apenas coisas negativas a dizer? Somente uma minoria de católicos e outras pessoas de boa-vontade nos parabenizam e se alegram com a notícia. Quando contamos a uma vizinha que estávamos esperando um bebê, ela disse: “Bem, você é quem sabe o que é melhor para você”.

Não só parei de me desculpar como gostaria também que todas as mulheres do mundo parassem de se desculpar, especialmente as que estão nas filas das clínicas de aborto. Por que não posso ter um bebê? Tenho um casamento feliz, tenho gosto e interesse pela educação de crianças e, embora não tenhamos muito dinheiro, temos uma renda fixa. Sou jovem, saudável e não tenho condições ou doenças que ponham a gestação em risco. Se eu não posso ter outro bebê, quem é que pode? Não importa quais sejam suas condições: sejam elas ideais como as minhas ou desoladoras como as de uma mulher na clínica de aborto, nenhuma de nós precisa se desculpar.

Mas isso não é nada responsável! — Defina “responsável”. Eu acredito que é preciso muita responsabilidade e generosidade para assumir a tarefa de educar crianças. É claro que há pais negligentes que nunca assumiram essa tarefa. Mas aqueles que a assumem são muito mais responsáveis e generosos cinco anos depois do nascimento de seu primeiro bebê. As demandas que surgem com a criação dos filhos fazem os pais cultivarem uma grande variedade de virtudes e bons hábitos, como ter paciência, acordar cedo, gastar menos dinheiro, trabalhar mais arduamente em casa e ser um bom exemplo. Se você tem uma família numerosa, essas demandas são maiores sobre você e também sobre seus filhos. É uma oportunidade para todos crescerem em responsabilidade e generosidade. Ora, na sua vida profissional, as pessoas valorizam virtudes como a laboriosidade, a tenacidade e a resiliência, que ajudam a superar obstáculos e formar melhores trabalhadores. Então, por que não viver isso na vida familiar?

Mas seus filhos terão menos coisas… — Ah! você quis dizer “responsável” no sentido financeiro. Sim, não vou iludi-lo. Quanto mais crianças em casa, menos bens materiais e menos recursos financeiros para cada um. Se você fosse a rainha da Inglaterra, essa regra ainda se aplicaria. Para uma pessoa com uma visão de mundo materialista, na qual o dinheiro ou aquilo que ele pode comprar é igual à felicidade, uma família numerosa nunca faz sentido.

Outro bebê significa menos bens materiais para a família. Contudo, significa mais bens de todos os outros tipos. Mais humanidade: pois há mais uma pessoa. O valor dessa frase é incalculável. Mais um irmão ou irmã e tudo o que isso implica: amor para dar e receber, talentos para partilhar, crescimento para observar. Há mais bens espirituais. Há até mesmo mais oportunidades de crescer nas virtudes: mais oportunidades de partilhar, de ser abnegado, de aprender a brincar com outros e a trabalhar com outros.

Merece também a nossa atenção o fato de que, nos países do assim chamado Terceiro Mundo, faltem muitas vezes às famílias quer os meios fundamentais para a sobrevivência, como o alimento, o trabalho, a habitação, os medicamentos, quer as mais elementares liberdades. Nos países mais ricos, pelo contrário, o bem-estar excessivo e a mentalidade consumista, paradoxalmente unida a uma certa angústia e incerteza sobre o futuro, roubam aos esposos a generosidade e a coragem de suscitarem novas vidas humanas: assim a vida é muitas vezes entendida não como uma bênção, mas como um perigo de que é preciso defender-se (Familiaris Consortio, 6).

Mas você pode evitá-los! — A maior parte das pessoas de gerações anteriores diz algo como: “No meu tempo, não tínhamos como evitá-los. Agora, vocês têm”. De fato, agora, os anticoncepcionais estão mais difundidos e são muito mais acessíveis. Se o anticoncepcional falhar (e ele é, por si só, abortivo), há ainda outras opções, como a pílula do dia seguinte e o aborto. Uma importante questão moral: se algo é tecnicamente possível, isso significa necessariamente que seja bom? Eis um tema para outro artigo.

Mesmo que eu possa “evitá-los”, por que deveria fazê-lo? A alegria e a beleza de uma família numerosa se perde completamente.

Mas seus filhos terão menos atenção! — Pode parecer surpreendente, mas crianças gostam de brincar... com outras crianças, especialmente com irmãos e primos. É claro que é ótimo os pais darem aos filhos muito tempo de qualidade (não necessariamente bens materiais) e atenção exclusiva, e isso pode ser um desafio para uma família numerosa. Há, sim, desafios, mas há também benefícios, que são mais irmãos. Irmãos são companheiros de brincadeiras na infância e amigos para a vida toda, mesmo depois da morte dos pais.

Nossa geração adotou um tipo de paternidade mais desequilibrada, ultra-cuidadosa e “baseada em pesquisas”: a paternidade helicóptero. Pais pairam sobre seu pobre filho único ou sobre seus dois filhinhos, controlando e “educando” cada movimento. Isso é muito mais fácil de equilibrar numa família numerosa.

Mas é pesado demais para você! — Para nossa cultura hedonista e viciada em entretenimento também é duro entender que a verdadeira alegria só vem com o dom de si. O descanso verdadeiro só vem após o trabalho pesado. Eu costumo dizer às pessoas que tudo o que é bom exige trabalho pesado, e elas concordam. Aliás, se você acha mesmo que é assim “tão pesado” para mim, por que não me indica uma babá ou me ajuda com alguma coisa, em vez de me dar conselhos intrometidos?

O que é mentalidade contraceptiva? — É assim que nossa cultura vê os bebês, sejam eles planejados ou não, filhos de uma mulher casada e feliz ou de uma mulher solteira em uma clínica de aborto. Bebês representam um gasto financeiro, o que é uma ameaça em uma visão de mundo que iguala prazer e felicidade. Eu percebi que as pessoas só dão parabéns pela gestação quando é o primeiro bebê e você tem mais de trinta anos, já viajou, frequentou muitos restaurantes e “viveu a vida”. Elas também darão parabéns na gravidez do segundo, se as gestações forem espaçadas e você estiver pretendendo ter um bebê do outro sexo. Todos os outros casos serão criticados.

Bebês geralmente não são bem-vindos em nossa cultura. Famílias numerosas são desconcertantes. Quando leio como S. João Paulo II definiu a “mentalidade contraceptiva” na Familiaris Consortio, em 1981, eu entendo o porquê.

Por outro lado, contudo, não faltam sinais de degradação preocupante de alguns valores fundamentais: uma errada concepção teórica e prática da independência dos cônjuges entre si; as graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos; as dificuldades concretas, que a família muitas vezes experimenta na transmissão dos valores; o número crescente dos divórcios; a praga do aborto; o recurso cada vez mais frequente à esterilização; a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva (Familiaris Consortio, 6).

Essa necessidade de se desculpar quando o corpo de uma mulher faz o que sua natureza o predispõe a fazer, ou seja, quando gera uma vida, tem a ver com a mentalidade contraceptiva. Não se trata apenas de os bebês já não serem mais bem-vindos. Vivemos um colapso generalizado da vida familiar, vivemos num mundo hostil ao estabelecimento e florescimento saudável da família.

As mudanças sociais e culturais de que Paulo VI falou em sua profética encíclica Humanae Vitae foram, de fato, expressivas e profundas. Nos últimos cem anos, em que a contracepção tornou-se mais comum e acessível, não houve apenas uma mera mudança técnica na regulação da fertilidade, mas uma tremenda mudança de paradigma quanto aos relacionamentos, ao amor, à família, ao casamento e, é claro, aos bebês.

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E se a morte chegasse para você hoje?
Espiritualidade

E se a morte
chegasse para você hoje?

E se a morte chegasse para você hoje?

Dinheiro, honras, modas, posições brilhantes, triunfos políticos e literários, vaidades, prazeres… De tudo se preocupa o homem, exceto do principal: salvar a sua alma. E a morte aí vem e lá se vão as ilusões!

Mons. Ascânio Brandão29 de Outubro de 2020Tempo de leitura: 2 minutos
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— Qual é o teu nome? — perguntou a um mocinho Luís XI, rei da França.
— Eu me chamo Estevão.
— Qual o teu emprego?
— Ajudante de cozinheiro.
— Quanto ganhas?
— Tanto quanto Vossa Majestade.
— E isso é possível?
— Sim, senhor! Porque Vossa Majestade, governando, e eu, no meu humilde trabalho, ganhamos o céu ou o inferno.

O Rei, maravilhado pela sabedoria da resposta, que revelou tão bom senso e “fidelidade”, nomeou Estevão camareiro seu.

Que adianta ao homem”, diz Nosso Senhor, “ganhar o mundo inteiro, se vem a perder a sua própria alma?” (Mt 16, 26). Perdida a alma, tudo perdido! Salva a nossa alma, tudo está salvo! Cuidemos do essencial. O resto é acidental. O essencial é a salvação da alma. O resto… o resto… vaidade, fumaça, ilusão, loucura.

A Sagrada Escritura diz que é infinito o número dos insensatos: Stultorum infinitus est numerus. Quem são estes insensatos? Os que pensam em tudo neste mundo, exceto no grande negócio da eterna salvação.

Dinheiro, honras, modas, posições brilhantes, triunfos políticos e literários, vaidades, prazeres, de tudo se preocupa o homem, exceto do principal: salvar a sua alma!

E a morte aí vem e lá se vão as ilusões! Que levamos para a sepultura? Ai! nada, nada do que no mundo cobiçamos e desejamos loucamente. Só nos acompanham as obras boas ou más. As boas, para a recompensa, as más, para a perdição eterna.

S. Filipe Néri chamava louco quem não cuida da sua salvação. O único bem deste mundo é salvar-se, dizia S. Francisco Xavier, o único mal, condenar-se. E Santa Teresa repetia, cheia de aflições, às suas irmãs pedindo-lhes que rezassem pelos pecadores: “Minhas filhas, uma alma, uma eternidade! Uma alma que é perdida, tudo perdido!

A salvação é, pois, negócio importantíssimo. Único negócio! Negócio de uma perda irreparável. Perdem-se riquezas, bens, parentes, amigos, etc. Nem tudo está perdido! Perde-se a alma! Tudo perdido e para sempre!

E há tanta gente que brinca com a salvação! Tantos gozadores da vida que aí sorriem da eternidade como se se tratasse de uma ilusão de devotas ou de um conto de fadas.

Tratemos desde já de preparar a nossa alma para a vida eterna. A morte aí vem. Tens certeza de viver longo tempo ainda? E se a morte te surpreender hoje? Em que estado a tua alma iria se apresentar a Deus? E o juízo? E o inferno? E a eternidade?

Vamos! É tempo de arrumar os negócios e sobretudo o grande negócio da salvação! Não se brinca com Deus, com a alma e a eternidade.

Salva tua alma! Olhemos as coisas do mundo tais como são na realidade: puro nada, vaidade e loucura! Haja paz em nossa alma. Pensemos um pouco no que é eterno. Dizia Santa Teresa: “Nada te perturbe, nada te assuste, tudo passa, Deus não muda, quando se tem Deus nada falta, só Deus basta”.

Referências

  • Transcrito e levemente adaptado de Meu ponto de meditação, do Padre Ascânio Brandão, Taubaté: Editora SCJ, 1941, p. 21s.

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Os católicos acreditam em fantasmas?
Doutrina

Os católicos
acreditam em fantasmas?

Os católicos acreditam em fantasmas?

Embora muitos zombem da ideia como fantasiosa ou supersticiosa, a crença em fantasmas parece ser universal nas culturas humanas desde o início da história. Mas o que a Igreja tem a dizer a esse respeito em sua doutrina e na vida de seus santos?

Paul ThigpenTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Outubro de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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Quando eu era editor da revista The Catholic Answer, nesta época do ano, com a aproximação do Halloween, sempre recebíamos a mesma pergunta dos leitores: e os fantasmas? Eles têm lugar na fé católica?

Alguns podem zombar da ideia como fantasiosa ou supersticiosa. Mas a crença em fantasmas parece ser universal nas culturas humanas desde o início da história e é baseada, ao menos em parte, em inúmeros relatos de encontros reais com eles. Devido ao significado especial que “fenômenos fantasmagóricos” genuínos têm para a teologia, os católicos não deveriam ignorar tão facilmente a possibilidade.

Os fantasmas existem?

Nossa primeira tarefa é abordar a questão fundamental aqui: os fantasmas existem de fato? Para responder a essa pergunta, devemos definir “fantasma”.

De acordo com o dicionário Webster’s, a palavra significa “a alma de uma pessoa morta, um espírito desencarnado” [1]. Parece que isso se encaixa melhor no uso popular do termo, então vamos aceitá-lo como uma definição de trabalho. Por conseguinte, devemos ter em mente que, na presente discussão, “fantasma” não se refere a um anjo ou demônio, a um “poltergeist” ou mesmo a um extraterrestre. “Fantasma” é a parte de um ser humano que não é corporal (física) e foi separada do corpo pela morte.

Com essa definição, os católicos devem afirmar prontamente que os fantasmas de fato existem. Afinal, é uma parte fundamental da crença católica que o ser humano é um composto de alma e corpo; que, na morte, a alma se separa do corpo; e que, após a morte, embora o corpo de regra se corrompa, a alma sobrevive, aguardando o Juízo Final, quando o corpo, finalmente ressuscitado, se unirá a ela.

Da perspectiva católica, portanto, não apenas as almas do inferno e do purgatório, mas também as dos santos do céu podem ser chamadas de “fantasmas” (com exceção de Nossa Senhora, que não é um espírito desencarnado, porque seu corpo foi assunto ao céu). A questão para os católicos, então, não é se os fantasmas realmente existem. Eles existem. A questão mais premente é se as almas humanas separadas, no tempo presente antes do Juízo Final, são capazes de se manifestar aos que ainda estão vivos na Terra.

Evidência das Escrituras

Os mortos podem aparecer para os vivos? As Escrituras mostram que sim. O exemplo bíblico mais claro da aparição de um “fantasma” é o relato evangélico da Transfiguração de Nosso Senhor na montanha, quando Moisés (morto séculos antes) apareceu a conversar com Jesus a três de seus Apóstolos (cf. Mt 17, 1ss). Não incluímos Elias nesta passagem como um “fantasma”, porque as Escrituras parecem indicar que ele não morreu, mas que foi levado da Terra (cf. 2Rs 2, 11s).

“A sombra de Samuel invocada por Saul”, de Salvator Rosa.

No Antigo Testamento, um exemplo em debate de uma visita fantasmagórica é o do falecido profeta Samuel, que apareceu ao rei Saul (cf. 1Sm 28, 3-20). Alguns autores pensam que a aparição era, na verdade, uma falsificação diabólica, uma vez que ocorreu por ordem de um necromante (o que hoje seria chamado de médium), prática proibida por Deus. No entanto, já que o próprio texto das Escrituras se refere repetidamente ao “fantasma” como Samuel, S. Agostinho e outros intérpretes competentes insistem em que se tratava, realmente, de um “fantasma”, e não de um demônio.

Se considerarmos também visitas de fantasmas em sonhos ou visões, podemos citar a história bíblica de Judas Macabeu. Ele teve uma visão de Onias, um sumo sacerdote falecido, orando pelos judeus. (Este é, a propósito, também um exemplo bíblico da intercessão dos santos pelos vivos). A Onias seguiu-se o falecido profeta Jeremias, que falou com Judas e lhe deu uma espada de ouro (cf. 2Mc 15, 11-16).

Evidência da Tradição

Além dos exemplos nas Escrituras, há numerosos relatos de aparições de fantasmas que chegaram até nós pela Tradição católica desde os tempos bíblicos. O Papa S. Gregório Magno, do séc. VI, por exemplo, contou vários exemplos em seus famosos Diálogos. Para Gregório, assim como para S. Agostinho e outros Doutores da Igreja, as aparições de fantasmas certamente têm seu lugar em uma visão católica de mundo

Segundo esses relatos, às vezes a figura aparecida era um santo conhecido. Outras vezes, a aparição era de um santo, homem ou mulher, recentemente falecido que veio ajudar os vivos. Em outros relatos, uma alma perturbada, presumivelmente no purgatório, veio pedir ajuda aos que ainda estavam na Terra.

Sem dúvida, muitas dessas histórias podem ser vistas como “lendas” ou “superstições” piedosas, brincadeiras ou alucinações. Mas algumas delas são difíceis de descartar. Os relatos mais convincentes chegaram até nós através de várias testemunhas de bom juízo e caráter impecável, e geralmente datam de tempos bastante recentes. São relatos de primeira mão, sem possibilidade de acréscimos lendários. Entre essas, estariam algumas das aparições post mortem bem conhecidas de S. Pio de Pietrelcina (1887-1968).

Uma história bem conhecida vem de S. João Bosco (1815-1888). Como seminarista, recordou S. João que, certa vez, havia concordado com um colega chamado Comollo que, se algum deles morresse primeiro, daria ao outro alguma indicação sobre o estado de sua própria alma. Comollo morreu em 2 de abril de 1839 e, na noite seguinte ao funeral, veio a “indicação”.

Junto com outros vinte estudantes de teologia reunidos na mesma sala, João de repente ouviu um rugido poderoso e contínuo que sacudiu o prédio. Então, eles viram a porta se abrir violentamente por vontade própria. Uma luz fraca apareceu e se ouviu com clareza uma voz, dizendo: “Bosco, Bosco, eu estou salvo…”. 

“Por muito tempo”, concluiu São João, recordando o sucedido, “não se falou de outra coisa no seminário”.

Por que eles aparecem?

No final do séc. XIX e início do séc. XX, vários estudiosos católicos respeitados coletaram diversos relatos confiáveis de “fenômenos fantasmagóricos”, colhidos de testemunhas oculares contemporâneas, documentos oficiais da polícia e médicos.

Eles tentaram explicar esses relatos, juntamente com relatos de outros “fenômenos ocultos”, dentro de uma estrutura da teologia católica tradicional (geralmente tomista) e das descobertas da psicologia e parapsicologia modernas. Talvez os mais conhecidos desses pesquisadores teólogos tenham sido os padres jesuítas Herbert Thurston e F. X. Schouppe, além do abade trapista Alois Wiesinger [2].

Um padrão já observado se repete em muitos dos relatos reunidos por estudiosos: quando os falecidos aparecem, eles geralmente vêm para ajudar ou pedir ajuda aos vivos. Eles podem pedir, por exemplo, que orações e Missas lhes sejam oferecidas ou que certos papéis de natureza confidencial sejam destruídos. Às vezes, um parente falecido de uma pessoa necessitada dos sacramentos vem informar um padre da situação e mostrar-lhe onde encontrar o necessitado.

Histórias como essas sugerem uma resposta aos desafios comumente levantados pelos cristãos mais céticos quanto à possibilidade de “visitas fantasmagóricas” se encaixarem em uma perspectiva de fé. Como — costumam perguntar — os mortos conseguiriam o poder de visitar os vivos? S. Agostinho respondeu simplesmente: “Por uma disposição secreta de Deus”. Isso acontece com a permissão divina e graças ao poder divino.

E por que Deus permitiria a visita de “fantasmas”? Ao que tudo indica, para realizar alguma missão espiritual.

É por isso que, se você topar com algum tipo de “aparição”, a melhor coisa a fazer é orar pela alma e pedir que se rezem Missas pelo descanso eterno dela.

Um aviso final

Por fim, devemos enfatizar que a Igreja sempre proibiu qualquer tentativa de estabelecer comunicação com os mortos por meios “mediúnicos”, sessões espíritas ou tabuleiros de Ouija. A razão é clara: tais tentativas de “evocação dos mortos […] escondem uma vontade de poder […], ao mesmo tempo que um desejo de ganhar para si os poderes ocultos” (Catecismo da Igreja Católica, §2116).

Os perigos são abundantes: os demônios podem se apresentar como espíritos dos mortos e tirar proveito dessas práticas ocultas para manipular e oprimir as pessoas. Por isso, devemos tratar com muita cautela e discernimento quaisquer encontros que possamos ter com fenômenos inexplicáveis ou relatos ouvidos de outras pessoas. Aparições fantasmagóricas genuínas, não procuradas pelos vivos e permitidas pela graça de Deus, parecem ser extremamente raras.

Esse deveria ser um pensamento reconfortante da próxima vez que você estiver sozinho no escuro…

Notas

  1. Não se confunda um “espírito desencarnado”, em sentido católico, com a “desencarnação espírita”, noção estranha ao pensamento cristão e baseada numa concepção quase-material (“fluídica”, como diziam os espíritas franceses do séc. XIX) de alma e na tese de que a união entre ela e o corpo é extrínseca e acidental, além de ser mediada por um suposto “perispírito”. Embora fosse bom evitar a expressão, muito associada no Brasil ao espiritismo kardecista, um católico pode sem escrúpulos falar de “espírito desencarnado” no sentido de “alma separada” (de seu correspondente corpo).
  2. Do Pe. François Xavier Schouppe, a propósito, já publicamos aqui numerosos textos, extraídos todos de seu excelente livro Purgatory: Explained by the Lives and Legends of the Saints, Londres: Burns & Oates, 1893.

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