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Uma ladainha para rezar nesta Quaresma
Oração

Uma ladainha
para rezar nesta Quaresma

Uma ladainha para rezar nesta Quaresma

A litania a seguir foi composta especialmente para o período quaresmal. Com passagens penitenciais tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, pode ser uma ótima oração para aumentar em nós o espírito de arrependimento e compunção por nossos pecados.

Preces LatinaeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Esta ladainha foi composta como meditação para o período quaresmal. Seu foco está em passagens penitenciais tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. 

A versão latina desta oração, de uso privado, pode ser encontrada e rezada aqui. A sua tradução portuguesa foi realizada por nossa equipe e consta a seguir.


Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Pai santo, ouvi-nos.
Pai justo, atendei-nos.

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Deus, que não quereis a morte do pecador, mas que se converta e viva, tende piedade de nós.
Que destes a Lei no monte a Moisés, após quarenta dias de jejum,
Que, pelas preces de Moisés em jejum, perdoastes os pecados ao povo,
Que protegestes Daniel em jejum na cova dos leões,
Que perdoastes os ninivitas, que jejuaram e a vós clamaram,
Que livrastes da destruição da cidade os ninivitas, por fazerem penitência cobertos de sacos, cinzas e cilícios,
Que perdoastes o pecado a Davi, que se confessou e mortificou no cilício,
Que atendestes e confortastes Judite coberta de cilício e prostrada nas cinzas diante de vós,
Que salvastes Jonas, que a vós clamava, do ventre da baleia,
Que livrastes do exército do assírios a Ezequias, que, coberto de sacos, cinzas e jejuns, junto com o povo vos invocava,
Que fizestes Ester em jejum encontrar graça aos olhos do rei,
Que libertastes do patíbulo a Mardoqueu, que em sacos e cinzas vos invocava,
Que viestes em socorro dos macabeus, que jejuavam e, cobertos de sacos e cinzas, vos invocavam,
Que vos manifestastes no Templo a Ana, perseverante em jejuns e orações,
Que revelastes muitos mistérios aos profetas, que jejuavam e se mortificavam,
Que atendestes os sacerdotes que, em cilícios, rogavam pelo povo e ofereciam sacrifícios,
Que por quarenta dias e quarenta noites jejuastes no deserto,
Que, por vossos Apóstolos, instituístes o jejum quaresmal,
Que iluminastes a Paulo, após três dias de jejum e oração,
Que perdoais os pecados aos homens pela penitência,
Que nos escolhestes e temperastes no caminho da humilhação,
Que dais lugar e tempo para o perdão dos pecados,
Que castigais todo filho que acolheis e amais,
Que não quereis que alguns pereçam, mas que todos se convertam e arrependam,
Que alcançastes por vossa graça a Mateus, ainda sentado na coletoria,
Que fizestes sair justificado o publicano que batia na peito,
Que recebestes paternalmente o filho pródigo que a vós retornara,
Que fizestes manar uma fonte de água viva para a mulher samaritana,
Que acolhestes os publicanos e pecadores e com eles comestes,
Que a Maria Madalena, porque muito amara, muitos pecados perdoastes,
Que olhastes benignamente para Pedro, que três vezes vos negara,
Que recebestes no Paraíso o ladrão arrependido,
Que tirais a iniquidade, os crimes e os nossos pecados,
Que, para afastar a vossa ira, nos mandastes chorar, vestir-nos de cilícios e cobrir-nos de cinzas,
Que vos apiedais de todos os que, em jejuns, choros e lágrimas, se convertem a vós,
Que, após a penitência, não mais vos recordais de nenhum de nossos pecados,
Deus misericordioso e pronto para nos perdoar nossas malícias, tende piedade de nós.

Sede propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede propício, ouvi-nos, Senhor

De todo mal, livrai-nos, Senhor.
De todo pecado,
De todo perigo de mente e corpo,
De bebedeiras e intemperanças,
De toda impureza e torpeza,
De iras, rixas e discórdias,
De toda negligência e indolência,
De toda impenitência e dureza de coração,
De uma morte súbita e desprevenida,
Da condenação eterna,
Por vosso batismo e santo jejum,
Por vossas três tentações,
Por vossa sede e fome,
Por vossos trabalhos e dores,
Pela tríplice sentença de morte contra vós proferida,
Por vosso tremendo e cruento sacrifício na cruz,
No dia da ira e da calamidade, livrai-nos, Senhor.

Ainda que pecadores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos perdoeis,
Para que vos digneis conduzir-nos à verdadeira penitência,
Para que possamos produzir dignos frutos de penitência,
Para que mereçamos chorar dignamente os nossos pecados e alcançar a vossa graça,
Para que vos digneis purificar por este sagrado jejum e livrar de toda iniquidade a vossa Igreja,
Para que vos ofereçamos sempre os nossos corpos como hóstia viva, santa e agradável,
Para que nos concedais entrar, pelas tribulações do tempo presente, na glória futura,
Para que vos digneis atender-nos,
Filho de Deus, nós vos rogamos, ouvi-nos

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Pai-nosso...
℣. E não nos deixeis cair em tentação,
℟. Mas livrai-nos do mal.

℣. Chorem os sacerdotes, servos do Senhor, entre o pórtico e o altar.
℟. Tende piedade, Senhor, tende piedade do vosso povo.

℣. Não nos trateis segundo os nossos pecados,
℟. Nem nos castigueis em proporção de nossas faltas.

℣. Ajudai-nos, ó Deus, nosso Salvador,
℟. E pela glória do vosso nome, Senhor, libertai-nos.

℣. Sede propício, Senhor, aos nossos pecados,
℟. Por vosso santo nome.

℣. Senhor, ouvi minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.

Oremos. — Deus eterno e todo-poderoso, tende piedade dos penitentes, sede propício aos suplicantes e concedei-nos os benefícios de vossas misericórdias: para que estes jejuns sejam remédio de mente e de corpo para todos os que invocam o vosso nome e deploram os próprios crimes perante a vossa clemência; a fim de que todos os que vos invocarem pedindo a remissão de seus pecados encontrem saúde de corpo e de alma e alcancem, na eterna bem-aventurança, o prêmio prometido aos que fielmente vos servem.

Deus, que criastes admiravelmente o homem e mais admiravelmente o redimistes: dai-nos resistir, com mente forte, às seduções do pecado e servir de coração sincero a vossa majestade.

Ouvi clemente, nós vos pedimos, Senhor, as preces do vosso povo; a fim de que os que justamente somos afligidos por nossos pecados, pela glória do vosso nome, sejamos piedosamente libertados.

Protegei, Senhor, nós vos pedimos, com piedade contínua a vossa família; a fim de que, sob a vossa proteção, se veja livre de todas as adversidades e, por boas obras, se mantenha devota ao vosso nome.

Deus, que não desejais a morte, mas a penitência dos pecadores: olhai benignamente para a fragilidade da condição humana e assisti com piedade benigna os nossos esforços; a fim de que, por vossa grande misericórdia, alcancemos felizmente o perdão de nossos pecados, a constância no vosso serviço e o prêmio prometido aos perseverantes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.

℣. Senhor, ouvi minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.

℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.

℣. E que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz.
℟. Amém.

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Faça um aluno!
Padre Paulo Ricardo

Faça um aluno!

Faça um aluno!

Ainda não é nosso aluno? Torne-se um! Mas, se já é nosso aluno, dê um passo a mais: traga outra pessoa para se tornar membro de nossa família apostólica!

Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Abril de 2021Tempo de leitura: 1 minutos
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Com o vídeo a seguir, Padre Paulo Ricardo está lançando a campanha “Faça um aluno”.

É claro: se você ainda não é nosso aluno, isso significa que é você, em primeiro lugar, quem deve se tornar um membro de nossa família apostólica.

Mas, para aqueles que já assinam nossos cursos, este convite é para que dêem um passo a mais e tragam outras pessoas para fazer parte de nossa obra de evangelização. 

Nosso Senhor nos ensina, no Evangelho, que precisamos “ganhar” os nossos irmãos. Isto é, não basta que eu conheça a verdade: assim como os Apóstolos, depois de pescados por Cristo, se tornaram “pescadores de homens”, também eu, uma vez encontrado por Deus e reconciliado com Ele, preciso sair ao encontro dos que me rodeiam…

Na verdade, é quase automático, para quem se converte, esse ato de sair e anunciar a verdade conhecida. O coração de fato transformado por Deus não consegue manter em segredo a sua descoberta. Naturalmente ele sente a necessidade de contar aos outros o que lhe aconteceu, naturalmente ele sai de si; em outras palavras, todo cristão é um apóstolo.

O que acontece, não poucas vezes, é de não sabermos como conquistar o próximo para Cristo, talvez porque sintamos dificuldades em transmitir o que aprendemos, ou porque nos falte a habilidade para falar bem, persuadir o outro, explicar as coisas da fé.

E é por isso que queremos convidar você a usar o nosso site como um instrumento do seu apostolado. Todos os nossos cursos foram pensados justamente para isso, seja no sentido de despertar os que ainda dormem, seja com a ideia de dar solidez às conversões que já aconteceram.

Mas o mais belo de tudo isso é o que São Tiago ensina em sua Carta (5, 19-20): “Meus irmãos, se alguém fizer voltar ao bom caminho algum de vós que se afastou para longe da verdade, saiba: aquele que fizer um pecador retroceder do seu erro, salvará sua alma da morte e fará desaparecer uma multidão de pecados”. Ou seja, ao assistir uma outra pessoa na fé, você salva não só a alma dela, como ajuda a salvar a sua própria!

Por isso, o que você ainda está esperando? Faça um bem ao próximo e a si mesmo! Seja um apóstolo conosco e… “Faça um aluno”! 

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Como ser ou escolher um bom padrinho de batismo?
Espiritualidade

Como ser ou escolher
um bom padrinho de batismo?

Como ser ou escolher um bom padrinho de batismo?

Se você foi convidado a ser padrinho, ou está à procura de um para o seu filho, lembre-se: este é um papel que deve ser levado muito a sério. As ações de um bom padrinho podem fazer, de fato, uma diferença eterna na nossa vida e na de nossos filhos.

Woodeene Koenig-BrickerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Abril de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Ser padrinho é uma daquelas honras e responsabilidades, não tão bem compreendidas, que alguns de nós somos chamados a assumir em nome de crianças, da família e de amigos. Embora possamos estar dispostos, nem sempre sabemos o que significa ser padrinho.

O papel do padrinho se desenvolveu a partir do catecumenato da Igreja primitiva. Sua função era garantir que uma pessoa estivesse pronta para receber os três sacramentos de iniciação — Batismo, Eucaristia e Confirmação — e, depois, ajudá-la a viver a vida cristã. Foi no início da Idade Média, quando o batismo de crianças se estabeleceu firmemente, que se popularizou o termo patrinus, ou “padrinho”; na Igreja antiga, essas pessoas também eram chamadas de sponsores, offerentes, susceptores e fidejussores — termos latinos que significam, em suma, “patronos” ou “testemunhas” [1].

A Igreja primitiva sabia que um padrinho tinha uma função prática bem definida; hoje, porém, ser padrinho é visto muitas vezes como uma honra cerimonial (por exemplo, quando Bono Vox, da banda de rock U2, foi nomeado “padrinho” dos gêmeos de Brad Pitt e Angelina Jolie, crianças que provavelmente jamais verão o interior de uma igreja, muito menos serão batizadas ou confirmadas). O padrinho é visto ora como uma fada madrinha da vida real, que serve para dar presentes em ocasiões especiais, ora como uma espécie de tutor civil, encarregado de assumir a educação da criança no caso de os pais biológicos morrerem.

Na verdade, nada disso tem a ver com a função real de um padrinho. Essencialmente, um padrinho é quem ajuda e auxilia no desenvolvimento espiritual de uma criança (às vezes de um adulto convertido que é uma “criança” na fé). Como diz o Código de Direito Canônico: “Dê-se, quanto possível, ao batizando um padrinho, cuja missão é assistir na iniciação cristã ao adulto batizado, e, conjuntamente com os pais, apresentar ao batismo a criança a batizar e esforçar-se por que o batizado viva uma vida cristã consentânea com o batismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes” (Cân. 872).

Certos requisitos e responsabilidades com relação aos padrinhos devem ser cumpridos de acordo com a lei da Igreja [2], mas ainda permanece uma pergunta prática: o que faz um bom padrinho?

“O Batismo”, de Pietro Longhi.

Em primeiro lugar, um padrinho deve ser uma pessoa de fé profunda. Sua responsabilidade é ajudar a desenvolver e estabelecer a fé no afilhado. Por isso, é essencial que ele entenda a doutrina católica e viva a fé diariamente, de maneira pessoal e profunda. Você não pode transmitir aquilo em que não acredita total e completamente. Não basta conhecer a fé; um padrinho deve vivê-la. Isso significa ter o hábito de assistir à Missa aos domingos e observar as leis da Igreja. Mas significa também ser comprometido com o próprio crescimento espiritual, de maneira contínua através do estudo, da oração, dos sacramentos e das obras de misericórdia corporais e espirituais.

Um bom padrinho também está, na medida do possível, envolvido positivamente na contínua experiência de fé do afilhado. Isso não significa apenas estar fisicamente presente no batismo ou na confirmação, mas assumir um papel tão ativo quanto na preparação para a primeira confissão e a primeira comunhão, bem como, mais tarde, para o matrimônio ou as Ordens sagradas. Isso significará, no mais das vezes, um encorajamento, um apoio ou um entusiasmo ao próprio afilhado; nos casos, porém, em que os pais não puderem ou não levarem o filho à catequese, ou não o acompanharem na preparação para os sacramentos, os padrinhos precisam estar dispostos a intervir de maneira mais incisiva.

À medida que as crianças crescem, comemorar o dia do batismo e/ou da confirmação com uma ligação, uma visita, um cartão ou um presente apropriado pode ajudar a manter intactos esses laços espirituais. Em suma, um bom padrinho caminha ao longo de toda a jornada da com o afilhado, não apenas em seus primeiros passos ou nas comemorações.

Um padrinho pode ser particularmente valioso ao oferecer uma referência segura para discutir dúvidas e resolver perguntas, sobretudo quando os afilhados chegam à adolescência. Os pais, naturalmente, ficam nervosos quando os filhos começam a questionar os ensinamentos da Igreja em temas morais. Um padrinho pode ser a pessoa que ouvirá e falará sobre tais questões, emocionalmente pesadas, sem entrar na defensiva ou na ofensiva. Os adolescentes podem achar mais fácil discutir com outra pessoa assuntos como a doutrina da Igreja sobre o sexo fora do casamento, a contracepção, a homossexualidade etc., embora questões sobre a divindade de Jesus, o significado da salvação e a importância de ser católico sejam também pontos importantes de discussão com um padrinho.

Outra área em que um bom padrinho pode fazer a diferença é na exposição aos sacramentais e às práticas devocionais. Embora não seja necessário sobrecarregar os afilhados com quinquilharias religiosas, garantir que eles tenham um Rosário digno, uma medalha do santo padroeiro, uma Bíblia católica e um crucifixo é certamente um dever importante dos padrinhos.

O mesmo se aplica às devoções. Garantir que os afilhados saibam rezar o Rosário, dizer as estações da Via-Sacra e conhecer os santos, as novenas e as práticas sazonais de piedade, como a coroa do Advento, são outras maneiras de os padrinhos serem proativos na vida dos afilhados, sem correr o risco de serem invasivos.

Obviamente, tudo isso supõe que o padrinho more perto o bastante do afilhado, a ponto de poder estar presente com certa regularidade, o que nem sempre é o caso na sociedade móvel de hoje. É por isso que o ato mais importante de um padrinho em favor do afilhado é a oração regular e constante. Como disse o poeta Alfred Tennyson: “Mais coisas são feitas pela oração do que este mundo pode sonhar”. Embora seja verdade que os pais são os principais mestres na fé, os padrinhos podem fazer uma enorme diferença em como essa fé lança raízes, ao encomendarem na oração os seus afilhados.

Se você for convidado a ser padrinho (ou estiver pensando em escolher um), lembre-se de que esse papel deve ser levado a sério, pois as ações de um bom padrinho podem fazer, de fato, uma diferença eterna na vida de uma criança.

Notas

  1. Este parágrafo foi adaptado para explicar com mais clareza a origem da função dos padrinhos. Sua complementação foi retirada de: William Fanning, “Baptism”. The Catholic Encyclopedia, 1907.
  2. A esse respeito, ler o que diz o Código de Direito Canônico, Cân. 874, § 1: “Para alguém poder assumir o múnus de padrinho requer-se que: 1.º seja designado pelo próprio batizando ou pelos pais ou por quem faz as vezes destes ou, na falta deles, pelo pároco ou ministro, e possua aptidão e intenção de desempenhar este múnus; 2.º tenha completado dezesseis anos de idade, a não ser que outra idade tenha sido determinada pelo Bispo diocesano, ou ao pároco ou ao ministro por justa causa pareça dever admitir-se exceção; 3.º seja católico, confirmado e já tenha recebido a santíssima Eucaristia, e leve uma vida consentânea com a fé e o múnus que vai desempenhar; 4.º não esteja abrangido por nenhuma pena canônica legitimamente aplicada ou declarada; 5.º não seja o pai ou a mãe do batizando.”

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Por que Jesus morreu na casa dos trinta?
Doutrina

Por que Jesus
morreu na casa dos trinta?

Por que Jesus morreu na casa dos trinta?

Deus não faz nada de modo arbitrário. Por isso, até mesmo detalhes aparentemente menores nas Escrituras têm algo a nos ensinar. Por que, então, Jesus morreu com trinta e poucos anos, e não antes nem depois?

Mons. Charles PopeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Março de 2021Tempo de leitura: 2 minutos
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Por que Cristo morreu com trinta e poucos anos, e não mais velho? Isso daria a Ele mais tempo para ensinar e estabelecer a Igreja. Santo Tomás de Aquino respondeu a essa questão da seguinte maneira:

Deve-se dizer que Cristo quis sofrer em idade jovem por três razões. Primeiro, para que nisto manifestasse mais sua caridade, pois deu sua vida por nós quando estava no estado mais perfeito. Segundo, porque não convinha que nele aparecesse <nenhuma> deficiência [diminutio] de natureza, como tampouco doença, como acima foi dito. Terceiro, para que, morrendo e ressuscitando em idade jovem, Cristo mostrasse em si mesmo, por antecipação, a qualidade dos que hão de ressuscitar. Daí que se diga em Ef 4, 13: “Até que cheguemos todos juntos à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura de Cristo em sua plenitude” (STh III 46, 9 ad 4).

Especulações como essas parecem puramente arbitrárias. Outros consideram o raciocínio uma justificação post hoc: Cristo morreu aos 33 anos, então vamos inventar algo para tentar explicá-lo.

O raciocínio de S. Tomás, porém, não se baseia em meras especulações. Há premissas para o seu raciocínio.

Primeiro, está a premissa de que Deus não faz nada arbitrariamente, e fazemos bem em admitir que até mesmo detalhes aparentemente menores nas Escrituras (como, por exemplo, a hora do dia) têm algo a nos ensinar.

Outra premissa é baseada na natureza da perfeição. A perfeição pode ser prejudicada por excesso ou insuficiência. Considere o caso da idade: um jovem pode não ter maturidade física e intelectual (nesse caso, a juventude é uma “insuficiência” de idade); mas chega um momento em que a idade se torna problemática em outra direção, à medida que o tempo afeta o corpo, e a mente torna-se menos perspicaz (nesse caso, a velhice é um “excesso” de idade). Assim, há um período de tempo em que a idade está na faixa “perfeita”: não é prejudicada nem por excesso nem por insuficiência.

Na época de S. Tomás, os trinta anos eram considerados a época da perfeição. Pode-se dizer que ainda é assim, embora pareça que levamos muito mais tempo para atingir a maturidade intelectual e emocional nos dias de hoje.

S. Tomás observa que, porque Jesus morreu no auge da vida, o sacrifício foi maior. Sua aparente falta de doenças e imperfeições físicas também aumentou a dimensão de seu sacrifício. Isso nos serve de exemplo. Devemos oferecer a Deus em sacrifício aquilo que temos de melhor, não apenas os nossos trapos ou coisas das quais poderíamos dizer: “Isso serve”. O Senhor uma vez lamentou, por meio do profeta Malaquias:

Se ofereceis em sacrifício um animal cego, não haverá mal algum nisto? E, se trazeis um animal coxo e doente, não vedes mal algum nisto? Vai, pois, oferecê-lo ao teu governador; crês que lhe agradarias, que ele receberia bem? — diz o Senhor dos exércitos (Ml 1, 8).

Portanto, o que para alguns pode parecer um simples detalhe (a idade de Jesus), na verdade proporciona ensinamentos importantes para a alma perspicaz. Cristo deu tudo de si, o melhor e o fez quando estava no auge da vida. Nós também somos chamados a crescer em perfeição.

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Beato Carlos, o Imperador da Paz
Santos & Mártires

Beato Carlos, o Imperador da Paz

Beato Carlos, o Imperador da Paz

Seu desejo de paz, infelizmente, não foi correspondido pelos chefes de Estado de sua época. Mas o Beato Carlos da Áustria não deixou de buscá-la jamais, tanto na vida quanto na morte. Por isso, mesmo os seus inimigos se lembram dele como “o Imperador da Paz”.

Denis KitzingerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Março de 2021Tempo de leitura: 7 minutos
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“Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9).

Carlos I (1887-1922), imperador da Áustria e rei da Hungria, despediu-se da esposa, a imperatriz Zita. “Vou te amar para sempre”, declarou, assim como fizera onze anos antes, quando se casaram. Em seguida, chamou o primeiro filho, Otto, para “testemunhar como um católico e um imperador se comporta quando morre”. O imperador recebeu a Extrema Unção e pronunciou suas últimas palavras: “Faça-se a vossa santa vontade. Jesus, Jesus, vinde! Sim, sim. Meu Jesus, seja feita a vossa vontade. Jesus”.

Carlos morreu no exílio. Em 1919, a nova República da Áustria baniu o imperador de sua terra natal, por decreto das detestáveis Leis de Habsburgo. Após duas tentativas fracassadas de recuperar o trono da Hungria, ele foi exilado em Portugal pelas potências da Entente. A família residia numa casa de montanha na ilha da Madeira. Em março de 1922, o imperador contraiu um forte resfriado que logo evoluiu para pneumonia por causa da casa fria e úmida. Com o pensamento sempre voltado para o bem de seu povo, Carlos ofereceu sua doença e seu sofrimento em sacrifício pela paz e a unidade de suas terras: “Devo sofrer assim para que meu povo esteja unido”. Carlos I, imperador da Áustria e rei da Hungria, morreu no dia 1.º de abril de 1922, com trinta e cinco anos de idade.

Seis anos antes, o reinado de Carlos começara com o funeral de seu tio-avô, o imperador Francisco José (1830-1916). No nascimento de Carlos, poucos pensavam que um dia ele herdaria o trono. Um sobrinho-neto estava simplesmente muito distante na linha de sucessão.

Assim, o jovem príncipe recebeu pouca atenção pública. Ao crescer, tornou-se um rapaz encantador, dedicado a quaisquer que fossem as suas tarefas, caridoso sempre, reverente e piedoso. Ele adorava brincar de soldado, sua futura vocação. “Sua maior alegria”, porém, “foi poder ser coroinha”, relembrou seu tutor. Desde muito jovem, Carlos teve uma devoção especial e perpétua à Santa Eucaristia e ao Sagrado Coração.

Em 1900, Carlos repentinamente se viu em segundo lugar na linha de sucessão ao trono. Ele tinha apenas treze anos. Seu tio, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro direto do trono, decidira casar-se com alguém abaixo de sua posição (sua esposa era uma mera condessa), e seus filhos, consequentemente, foram excluídos da sucessão imperial. Deu-se então prioridade ao casamento de Carlos com a princesa Zita de Bourbon-Parma, que compartilhava o mesmo amor à vida familiar e ao ar livre. Depois do casamento, Carlos disse-lhe: “Agora, devemos nos ajudar um ao outro a chegar ao céu”. O casal foi abençoado com oito filhos durante os dez anos de uma vida matrimonial feliz e exemplar.

Cinco anos depois, Carlos liderou a grande procissão fúnebre da Catedral de Santo Estêvão até a Cripta Imperial de Viena (ou Cripta dos Capuchinhos), onde os membros da Casa de Habsburgo eram colocados para o repouso. O arcebispo de Viena, juntamente com outros quatro cardeais, vinte bispos e quarenta e oito padres, celebrou a Missa de exéquias de Francisco José. Milhares se enfileiraram nas ruas de Viena, observando a procissão passar, prestando homenagens e demonstrando afeto pelo velho imperador. O reinado de Francisco José, que tinha sessenta e oito anos, fez dele um símbolo de estabilidade e continuidade. Com a morte dele, um novo período da história da Áustria-Hungria começou, e seu futuro agora estava nas mãos do inexperiente sobrinho-neto de 26 anos.

A época em que Carlos ascendeu ao trono não era feliz. A terrível Grande Guerra assolara a Europa por dois anos. Ele herdou um império internamente multiétnico, dilacerado pelo fanatismo nacionalista e em necessidade desesperada de reformas políticas e sociais, sofrendo com a miséria e a pobreza generalizadas, agravadas ainda com a guerra.

Desde o início, Carlos concebeu seu ofício “como um serviço sagrado ao seu povo”, e sua principal preocupação era “seguir a vocação cristã à santidade”. O arcebispo de Budapeste, que coroou Carlos como rei da Hungria, recordou que “não era a ornamentação nem a pompa que lhe interessava, era apenas o dever que cumpria perante Deus, perante a nação e perante a Igreja. Ele desejava ser digno daquilo para o qual fôra escolhido”. Diante do altar-mor da magnífica igreja de Matias Corvino, em Budapeste, Carlos comprometeu-se a trabalhar incansavelmente pela paz e justiça em seu reino.

Em sua primeira declaração, sublinhou seu compromisso com este dever sagrado, declarando que faria “tudo para banir, no menor tempo possível, os horrores e sacrifícios da guerra e para reconquistar para meu povo a bênção perdida da paz”.

Em seu compromisso com a paz, seguiu os esforços do Papa Bento XV. O Santo Padre pediu uma paz sem vencedores. Mas a proposta da Santa Sé encontrou ouvidos moucos em todos os lugares, exceto em Viena. Entre os estadistas europeus, Carlos ficou sozinho.

A guerra começou com a animada partida das tropas, certas de uma vitória rápida. Em 1916, um número incontável de filhos da Europa havia caído na implacável Guerra de Trincheiras. A tragédia que desencadeou a cadeia de eventos que levaram à eclosão da desastrosa guerra foi o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa, Sofia, em Sarajevo, por um terrorista sérvio. Por ironia, Francisco Ferdinando era particularmente simpático aos eslavos do sul e à busca por uma Iugoslávia unida. Além disso, seus planos inovadores para a reforma imperial prometiam às nações menores dentro do império um grau sem precedentes de independência e autonomia.

Carlos também reconheceu a necessidade de reorganização interna e previu sabiamente o futuro da monarquia de acordo com os princípios federalistas. Após sua ascensão, ele iniciou uma série de reformas sociais criticamente necessárias e preparou o caminho para uma federação de nações, unidas por sua lealdade à Casa de Habsburgo com base no reconhecimento de benefício e interesse mútuos. Essa constituição tradicional serviria tanto às nações menores quanto ao império e, assim, proporcionaria o equilíbrio de poder europeu. A identidade e cultura de cada nação seriam devidamente reconhecidas e respeitadas em uma verdadeira unidade na diversidade.

No entanto, a política genuinamente europeia da Casa de Habsburgo entrou em conflito com visões menos judiciosas e rivais de uma nova ordem europeia. O jovem e ambicioso Império Alemão e seu imperador, Guilherme II, marcharam por um lugar ao Sol à frente de uma Europa Central germânica. Embora as democracias ocidentais favorecessem a ideia de um Estado-nação organizado de acordo com a forma republicana de governo, elas não procuraram quebrar o Império Austro-Húngaro, ao menos de início. Quando os Estados Unidos entraram na guerra ao lado da Entente, seguindo a retórica poderosa de Woodrow Wilson, as potências ocidentais perseguiram rigorosamente a visão de uma Europa do pós-guerra sem monarquias nem impérios. A Guerra para acabar com todas as guerras chegaria ao clímax de uma paz permanente, com a realização de uma Europa de repúblicas democráticas baseada no princípio progressivo da autodeterminação nacional.

Nos primeiros meses de 1917, Carlos deu os primeiros passos concretos para a realização de uma paz sem vencedores. Ele ofereceu concessões de longo alcance. Infelizmente, para a Europa e para o mundo, os poderes da Entente não podiam ser influenciados. No final, a ideia mal concebida de autodeterminação nacional, juntamente com o desprezo por políticas antigas apresentadas na conferência de paz de Versalhes, apenas preparou o solo para a próxima catástrofe.

A política de paz de Carlos teria sido a escolha mais prudente. Na época, porém, seu desejo de paz não foi correspondido. A Alemanha embotou seus esforços. A Entente recusou suas ofertas. A paz, aquele “belo dom de Deus, cujo nome […] é a palavra mais doce aos nossos ouvidos e a melhor e mais desejável posse” (Bento XV, 1920), Carlos não a alcançou.

E no entanto, mesmo os seus inimigos republicanos, compatriotas, se lembram dele como o Friedenskaiser, o Imperador da Paz. Ao meditar sobre a vida do bem-aventurado imperador Carlos, temos um exemplo encorajador de fé. Lembramos que a justa medida está profundamente ancorada na fé. Lembramos que só podemos ordenar bem a nós mesmos e ao mundo à nossa volta quando unimos nossa vontade à do Pai do céu e, assim, abandonamos toda a inimizade entre Deus e nós. Somente quando nos reconciliarmos com Deus e lutarmos para permanecer em paz com Ele poderemos lutar genuinamente pela paz na terra. Como imperador e rei, Carlos sempre procurou imitar Jesus, o verdadeiro Salomão, o verdadeiro portador da paz, e por isso pode ser chamado um filho de Deus.

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