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Homilia Dominical
14 Set 2019 - 26:46

A inveja não é um “pecadinho”!

Embora muitos a tenham na conta de “pecadinho”, foi movido por ela que Satanás tentou nossos primeiros pais e eles caíram; foi por ela que Caim matou Abel e venderam José do Egito; e por ela, ainda, foi entregue e condenado à morte ninguém menos que Nosso Senhor Jesus Cristo. Na homilia deste domingo, Padre Paulo Ricardo aproveita a parábola do filho pródigo para falar do grande mal que é esta tristeza pelo bem do próximo, a que chamamos inveja.
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Homilia Dominical - 14 Set 2019 - 26:46

A inveja não é um “pecadinho”!

Embora muitos a tenham na conta de “pecadinho”, foi movido por ela que Satanás tentou nossos primeiros pais e eles caíram; foi por ela que Caim matou Abel e venderam José do Egito; e por ela, ainda, foi entregue e condenado à morte ninguém menos que Nosso Senhor Jesus Cristo. Na homilia deste domingo, Padre Paulo Ricardo aproveita a parábola do filho pródigo para falar do grande mal que é esta tristeza pelo bem do próximo, a que chamamos inveja.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 15, 1-32)

Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. Então Jesus contou-lhes esta parábola: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, e, chegando em casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’

Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’.

Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”. E Jesus continuou.

“Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. O rapaz queira matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam.

Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’.

Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos. O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’.

Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’.

Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’.

Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”’.

Meditação. — 1. O belíssimo Evangelho deste domingo apresenta as chamadas três parábolas da misericórdia: a parábola da ovelha perdida, que é encontrada por seu pastor; a parábola da dracma perdida, que é recuperada por sua dona; e, finalmente, a parábola do filho pródigo, a mais famosa de todas as parábolas. Muito já se escreveu a respeito desses textos da Sagrada Escritura porque, de fato, eles nos colocam diante do amor de Deus ao mesmo tempo que nos descobrem os pecados mais íntimos. É o caso, por exemplo, da inveja do irmão mais velho, na parábola do filho pródigo.

O primogênito, diz Jesus, “ficou com raiva” ao descobrir que o pai havia oferecido uma festa ao filho mais novo. Ele se sentiu injustiçado ou, pior ainda, entristeceu-se com o bem do próprio irmão. Nesse sentido, devemos notar que a inveja não é só um “pecadinho”, mas uma espécie de motor, que nos leva a pecar contra a caridade. Ela gera em nós uma visão torpe da realidade, uma tristeza pela alegria alheia, quando, na verdade, deveríamos nos alegrar pelo bem de nossos irmãos. Porque “era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver”, diz o pai da parábola.

2. A inveja originou grandes pecados na história da humanidade. Em primeiro lugar, Satanás orgulhou-se diante do Pai Celeste e sentiu inveja da criatura humana, que foi desejada para contemplar a face de Deus no Céu. Foi, então, “por inveja do demônio que a morte entrou no mundo”, diz o livro da Sabedoria (2, 24). O diabo pôs inveja no coração de Adão e Eva, levando-os a comer do fruto proibido; fez Caim invejar a oferta de Abel ao ponto de assassiná-lo; também colocou José à mercê de seus irmãos, que acabaram vendendo-o por algumas moedas; e, por inveja, Saul quis matar Davi. No fim das contas, a própria condenação de Jesus foi um ato motivado pela inveja no coração dos fariseus, como dizem as Escrituras: “Pilatos sabia que tinham entregado Jesus por inveja” (Mt 27, 18).

Mas o que é a inveja, afinal?

Da reação do irmão mais velho, a princípio, podemos distinguir a inveja como uma tristeza ruim, porque se trata de um sentimento que conduz à morte. A tristeza do filho pródigo, por outro lado, leva-o ao arrependimento, ao retorno à casa do pai, onde ele pode encontrar nova vida. Essa é, portanto, uma tristeza boa. Também o pai sente essa tristeza, ou seja, a compaixão e a misericórdia diante do sofrimento de seu caçula. O filho mais velho, por sua vez, não quer alegrar-se com o irmão, pois acredita erroneamente que o bem dele está na desgraça do outro. Ele olha para seu irmão como um rival, alguém que deve ser combatido e, se possível, eliminado.

Aliás, um sinal bem claro da inveja está justamente nessa percepção da distância do outro, de que existe uma separação. Desse modo, um não pode compartilhar a alegria do outro, como um corpo deve se alegrar inteiramente pelo bem de um membro. Ao contrário, vê-se o irmão como alguém totalmente alheio e antagonista. Em razão disso, o filho mais velho entende a festa para seu irmão como algo ruim; sente-se prejudicado pela alegria daquele que outrora estava morto. E essa sensação o conduz a um ódio terrível: um ódio fratricida. Não foi por menos que Deus colocou “inimizade” entre a serpente e a Mulher (cf. Gn 3, 15). O diabo odeia a Virgem Maria porque inveja a graça que Deus realizou nela. E quando a inveja assenta-se em um coração, ela logo se converte em ódio.

3. Na prática, a cura da inveja está numa mudança de mentalidade: devemos aprender a comungar da felicidade de nossos irmãos, na certeza de que a alegria e a graça dos santos, por exemplo, são para nós instrumento de salvação. A grande alegria da Virgem Maria foi a geração daquele que nos redimiu. As parábolas da misericórdia, nesse sentido, convidam-nos insistentemente à alegria pela recuperação de nossos irmãos perdidos. Esta é a tônica do ensinamento de Jesus: “Haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão”.

Aquele que se deixa levar pela inveja, todavia, caminha para um grande abismo. Satanás passou da soberba à inveja, e da inveja ao ódio, que é o oposto da caridade. Ele era um anjo cheio de talentos, mas precisamente porque quis igualar-se a Deus, caiu no ódio e na inimizade, buscando a destruição dos homens. Do mesmo modo, podemos repetir tal caminho se não vigiarmos contra a mínima tentação da inveja, porque, aos poucos, ela poderá crescer e fazer com que odiemos nossos irmãos até a morte.

Oração. Meu Senhor e meu Deus, confesso-vos todo meu orgulho e inveja da graça fraterna, que tantas vezes sondam o meu coração e me levam a odiar os meus irmãos. Peço-vos, pela intercessão da Virgem Santíssima, que afasteis de mim esse pecado, ajudando-me a sempre me alegrar pelo bem dos outros. Assim seja! 

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