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Homilia Dominical
14 Mai 2015 - 25:07

Convinha que Cristo partisse aos céus?

Se o próprio Filho de Deus Se fez carne para nos salvar, não teria sido melhor para os homens que Ele convivesse sempre conosco na terra, ao invés de subir ao Céu? Descubra a resposta nesta pregação e saiba como o mistério da Ascensão pode nos fazer crescer espiritualmente.
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Homilia Dominical - 14 Mai 2015 - 25:07

Convinha que Cristo partisse aos céus?

Se o próprio Filho de Deus Se fez carne para nos salvar, não teria sido melhor para os homens que Ele convivesse sempre conosco na terra, ao invés de subir ao Céu? Descubra a resposta nesta pregação e saiba como o mistério da Ascensão pode nos fazer crescer espiritualmente.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Marcos
(Mc 16, 15-20)

Antes de fazer uma aplicação espiritual do mistério da Ascensão do Senhor, é preciso entender o que crê a Igreja, quando confessa, no Credo, que Cristo “subiu aos céus” e “está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso”.

Importa dizer, em primeiro lugar, que a Ascensão de Cristo é um artigo de fé católica, vinculante para todos os fiéis. Trata-se de algo que realmente aconteceu. Não é, pois, uma mera “construção literária” de São Lucas, como dizem alguns exegetas contemporâneos, observando que este foi o único autor a narrar a subida de Jesus aos céus (cf. Lc 24, 50-53; At 1, 9-11). Na verdade, são inúmeras as referências à Ascensão em outros livros das Escrituras (cf. Mc 16, 19; Jo 20, 17; Ef 4, 8-10; Hb 7, 26; 8, 1s; 10, 12), passagens que deixam clara a historicidade desse fato. O próprio Catecismo da Igreja Católica sublinha o caráter ao mesmo “histórico e transcendente” da Ascensão, não deixando dúvidas sobre a sua veracidade [1].

É claro que, por ser um evento absolutamente fora da ordem natural das coisas, a Ascensão provoca perplexidade entre os teólogos e cientistas modernos. Inflados por um preconceito racionalista, eles não aceitam que Deus possa se manifestar de modo sobrenatural na história. No fundo, o seu problema não é com a Ascensão, mas com toda a história da salvação, com os seus milagres e relatos extraordinários. Todos os santos, por exemplo, tiveram verdadeiras experiências místicas com Deus. Essas experiências, embora sejam narradas por meio de figuras e símbolos, realmente aconteceram, são históricas; mas são, sobretudo, realidades transcendentes, já que seu significado está para além desse mundo físico.

A morte de Cristo na Cruz é um outro exemplo. Historicamente, Ele “padeceu sob Pôncio Pilatos” e “foi crucificado, morto e sepultado”. O sentido dessa morte, porém, é muito maior que aquilo que podem ver os olhos da carne: na Cruz, de fato, acontece o sacrifício de amor que redime toda a humanidade. Isso, contudo, só o pode enxergar o olhar da fé.

Por isso, em segundo lugar, é preciso considerar o significado espiritual da Ascensão do Senhor. Para tanto, guiará esta meditação o gênio de Santo Tomás de Aquino [2].

Respondendo se convinha que Cristo partisse aos céus e deixasse os homens na terra, ele, primeiro, esclarece que:

“Embora os fiéis, pela ascensão, tenham sido privados da presença corporal de Cristo, sua presença divina é constante entre os fiéis, conforme ele mesmo diz: ‘Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos tempos’ (Mt 28, 20). E como diz o Papa Leão, ‘aquele que subiu aos céus não abandona os que adotou’.”

Essa “presença divina”, “constante entre os fiéis”, se dá, sobretudo, em Sua presença substancial no sacramento da Eucaristia, em todos os sacrários da terra. Nas espécies do pão e do vinho, de fato, estão verdadeiramente o corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor – sem os Seus acidentes, porém, que só se acham no Céu.

Depois, o Aquinate relaciona o mistério que hoje celebramos ao crescimento nas três virtudes teologais. Ele diz que “a ascensão de Cristo ao céu, que nos tirou sua presença corporal, foi de maior utilidade para nós do que teria sido a presença corporal”. E explica o porquê:

Primeiro, para aumento da fé, que é sobre o que não se vê. Por isso, o próprio Senhor diz que o Espírito Santo, ao vir, ‘arguirá o mundo a respeito da justiça’ (Jo 16, 8), ou seja, da justiça ‘dos que creem’, como diz Agostinho: ‘A própria comparação dos fiéis com os infiéis é uma censura’. Por isso, acrescenta: ‘Porque eu vou para o Pai e não me vereis mais (Jo 16, 10), pois são bem-aventurados os que não veem e creem. Será nossa a justiça, de que o mundo será arguido, porque credes em mim, a quem não vedes’.

Segundo, para reerguer a esperança. Por isso, ele próprio diz: ‘Quando tiver ido, prepararei um lugar para vós, voltarei e vos tomarei comigo, de tal sorte que lá onde eu estiver também vós estejais’ (Jo 14, 3). Na verdade, pelo fato de Cristo ter elevado ao céu sua natureza humana assumida, deu-nos a esperança de lá chegarmos, pois ‘onde quer que esteja o corpo, ali se reunirão as águias’ (Mt 24, 28). Por isso, diz também Mq 2, 13: ‘Já subiu, diante deles, aquele que abre o caminho’.

Subindo aos céus, diz o autor da Carta aos Hebreus, “Cristo não entrou num santuário feito por mão humana (...), mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor” (Hb 9, 24). De fato, comenta o Catecismo, “no céu, Cristo exerce em caráter permanente seu sacerdócio” [3]. Isso é fonte de grande esperança para a humanidade, que confia que Jesus lhe enviará todas as graças necessárias para a sua salvação eterna.

Terceiro, para elevar às coisas celestes o afeto do amor. Por isso, diz o Apóstolo: ‘Procurai o que está no alto, lá onde se encontra Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas de cima, não às da terra’ (Cl 3, 1-2), pois, como foi dito, ‘onde estiver o teu tesouro, ali também estará o teu coração’ (Mt 6, 21). E porque o Espírito Santo é o Amor que nos arrebata para as coisas do céu, diz o Senhor aos discípulos: ‘É de vosso interesse que eu parta; com efeito, se eu não partir, o Paráclito não virá a vós; se, pelo contrário, eu partir, eu vo-lo enviarei’ (Jo 16, 7). Comentando essa passagem, diz Agostinho: ‘Não podeis receber o Espírito enquanto persistirdes em conhecer o Cristo segundo a carne. Pois quando Cristo se afastou corporalmente, não somente o Espírito Santo, mas o Pai e o Filho estavam espiritualmente em presença deles.”

Foi preciso, pois, que Cristo partisse, para que os homens entrassem em maior comunhão com a Santíssima Trindade. Na Ascensão, o mistério da Encarnação completa o seu ciclo, por assim dizer: o Deus que desceu para assumir a natureza humana, agora a eleva aos céus, a fim de que também a Igreja eleve o seu coração ao alto – como se responde em toda liturgia eucarística – e, um dia, entre na plena posse de seu Esposo, no Céu.

Referências

  1. Catecismo da Igreja Católica, n. 660.
  2. Todas as citações do Aquinate foram tiradas da Suma Teológica, III, q. 57, a. 1, ad 3.
  3. Catecismo da Igreja Católica, n. 662.
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