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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 13,31-35)

Naquele tempo, Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos”. Jesus contou-lhes ainda outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”. Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”.

Com grande alegria celebramos hoje Santo Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus e, sobretudo — é para isso eu gostaria de chamar a atenção hoje —, o autor dos Exercícios Espirituais, que, mais do que uma obra, é todo um método de “desentortar” a vida.

Nós vemos nos outros santos um caminho para o progresso espiritual, como em Santa Teresa D’Ávila, que fala das Moradas e seus vários estágios, ou em São Francisco de Sales e assim por diante. Os vários santos que estudaram o progresso da vida espiritual falam de um estágio em que a pessoa já tomou posse daquilo que é a finalidade da vida, pelo menos enquanto consciência.

Só que Santo Inácio, que viveu no início da era moderna e foi ele mesmo bastante mundano, notou que não adianta ficar falando muito para as pessoas sobre os estágios mais avançados da vida espiritual, se não houver um método, uns “exercícios espirituais” para fazer com que a pessoa desentorte a sua vida.

Para usar uma regra filosófica em que Santo Tomás insiste muito: um pequeno erro no princípio termina sendo um grande erro no fim. Se o avião parte, mas o piloto digita um pequeno erro, meio grau fora da rota, depois de algumas horas de viagem, vai terminar num lugar completamente diferente, distante daquele ao qual ele se destinava.

Pois bem, nós vivemos num tempo em que as pessoas, como Martas agitadas, não entendem que é necessário ter uma finalidade na vida. Elas vão atrás de coisas muito corriqueiras: de manhã querem o prazer da carne, de tarde querem a fama; no outro dia de manhã querem vingança, no outro dia à tarde querem poder… Assim, ficam como birutas, levadas de um lado para o outro.

Santo Inácio, que por temperamento era colérico, é uma dessas pessoas admiráveis que tinham e perseguiam uma finalidade na vida. E isso antes mesmo de ser santo. Ele é como os grandes atletas que o povo admira, fixados com uma só coisa.

Pois bem, Santo Inácio notou que não adiantava ser somente diferente dos seres humanos. Enquanto os seres humanos da sua época eram birutas, cada um à procura de uma finalidade diferente, ele tinha e perseguia uma finalidade, mas era uma finalidade carnal, uma finalidade humana que evaporava. Humanamente falando, ele era um grande herói, um homem de valor, de grandes determinações; mas a rota de sua vida estava completamente errada.

Então, ele, vivendo a conversão, começa a entender que as pessoas precisam fazer isso também: primeiro, parar de ser birutas e de ter várias finalidades a todo momento; segundo, uma vez que se determinou uma finalidade na vida, determinar-se para a finalidade da vida verdadeira.

Nos Exercícios Espirituais, isso é o que Santo Inácio chama de “princípio e fundamento”. Ele diz: “O ser humano é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus, Nosso Senhor, e assim salvar-se”. Essa é a finalidade de ter sido criado. Você veio a este mundo para uma finalidade, amar a Deus, e com isso se salvar.

Então, uma vez que eu sei qual é a finalidade da minha vida, agora tenho de entender uma segunda verdade: uma vez que o ser humano foi colocado no centro do jardim da criação, as outras coisas devem servir a nós. “As outras coisas sobre a face da terra são criadas para o ser humano e para o ajudarem a atingir o fim para o qual foi criado”. Então, todas as criaturas servem a nós para que nós sirvamos a Deus.

Santo Inácio então conclui, dizendo que você deve se aproximar dessas coisas, se elas te ajudarem a se aproximar de Deus, e deve se afastar delas, se elas o atrapalharem na hora de se unir a Deus.

Portanto, Santo Inácio criou os Exercícios Espirituais exatamente para desentortar vidas, ou seja, para fazer com que os seres humanos que estavam com a vida toda torta — a cada hora procurando uma finalidade diferente, uma razão de ser diferente — pudessem se endireitar e entendessem que precisam de uma meta clara e verdadeira. É aquilo que Jesus diz a Marta: “Marta, um só é necessário”. Existe um “unicum necessarium”. Santo Inácio explicita isso nos Exercícios Espirituais dizendo: “Amar e servir a Deus e com isso salvar-se”. Estamos aqui de passagem; viemos para o Céu. Nós nos esquecemos disso, por isso ficamos como birutas.

Muitas pessoas querem crescer espiritualmente, mas ficam estudando os estágios posteriores da vida espiritual, muitas vezes preocupadas com um detalhe ou outro da vida espiritual, e não se dão conta de que, antes de se preocupar com certos detalhes do vôo, que são importantes, sim, é preciso saber para onde se está indo.

Então, se você não desentortar a sua vida, até mesmo a tentativa de crescer espiritualmente será somente uma vaidade que irá levá-lo para longe de Deus. Por isso, coragem! Examine sua vida e veja se não está longe do princípio e do fundamento. Que Santo Inácio interceda por nós.

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