CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Homilia Dominical
27 Abr 2019 - 23:55

Dois rios de misericórdia

Na famosa visão que Santa Faustina teve de Jesus Misericordioso, cuja festa celebramos neste domingo, vemos dois rios saírem de seu Coração: um branco e outro vermelho. A partir do Evangelho, Padre Paulo Ricardo medita nesta homilia sobre o significado desses dois rios de misericórdia, com os quais Cristo quer, por um lado, nos perdoar e, por outro, nos unir ao seu mistério pascal.
00:00 / 00:00
Homilia Dominical - 27 Abr 2019 - 23:55

Dois rios de misericórdia

Na famosa visão que Santa Faustina teve de Jesus Misericordioso, cuja festa celebramos neste domingo, vemos dois rios saírem de seu Coração: um branco e outro vermelho. A partir do Evangelho, Padre Paulo Ricardo medita nesta homilia sobre o significado desses dois rios de misericórdia, com os quais Cristo quer, por um lado, nos perdoar e, por outro, nos unir ao seu mistério pascal.
Texto do episódio

Texto do episódio

imprimir

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 20, 19-31)

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.

Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.

Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”.

E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.

Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!”

Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.

Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”.

Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”.

Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

Meditação. — 1. Depois das grandes celebrações da Semana Santa, a Igreja vive agora o Tempo Pascal. Liturgicamente, os cristãos chamavam este Domingo da Oitava de Páscoa também de Domingo in albis, ou seja, “Domingo de branco”, porque os recém-batizados tinham de passar toda esta semana vestidos com vestes brancas e conservando-as limpas para, no dia do Senhor, se apresentarem ao bispo. Era uma pedagogia da Igreja para ensinar os neófitos a preservarem suas almas limpas de toda mancha do pecado.

Em tempos mais recentes, o Papa São João Paulo II instituiu para este mesmo domingo a festa da Divina Misericórdia, em atenção aos pedidos de Nosso Senhor a Santa Faustina Kowalska. Nessas revelações particulares, Jesus prometeu muitas graças a quem celebrasse a sua Misericórdia, de modo que muitos têm o costume de se preparar para essa festa já desde a Sexta-Feira da Paixão, rezando novenas, terços e outras devoções. Seja como for, o Evangelho e toda a liturgia deste Domingo da Oitava de Páscoa estão perfeitamente unidos à mensagem de Nosso Senhor sobre a Misericórdia Divina.

2. Lemos no Evangelho de São João que Jesus entrou na casa onde os discípulos se escondiam por medo dos judeus, e disse-lhes: “A paz esteja convosco”. Para a mentalidade daquela época, “paz” não era simplesmente ausência de guerra, mas o estado de quem, após muitas fadigas, lutas e angústia, conseguiu finalmente cumprir a meta e repousar a cabeça. A vida dos cristãos é uma luta constante, e Deus, com sua infinita misericórdia, quer unir-se a nós para deixar o nosso coração tranquilo. A “paz” que Cristo nos dá é a libertação do pecado, daquilo que gera a inimizade e nos impede de estar em comunhão com Ele, sobretudo na Eucaristia.

No mesmo Evangelho, Jesus também exorta os discípulos a partirem em missão, a fim de perdoarem os pecados, soprando sobre eles o Espírito Santo. De imediato, essa imagem pode relacionar-se com o rio branco que sai do lado aberto de Jesus, na famosa visão de Santa Faustina. A misericórdia de Deus é, sem dúvida, o remédio eficaz para as nossas misérias. Bebendo, pois, das águas desse rio (as águas batismais), temos a nossa alma arrancada das mãos do Maligno e o caminho pavimentado para a união com Deus no sacramento da Eucaristia. Não custa lembrar que o mandamento da Igreja pede a todos os fiéis que se confessem e comunguem ao menos no período pascal.

3. O segundo rio da misericórdia, conforme a visão de Santa Faustina, é justamente o rio de sangue, isto é, a graça da união com Deus. Trata-se de um ponto importante, porque muitos cristãos deixam de progredir na santidade precisamente porque não buscam a união íntima com o Senhor, que acontece apenas por meio da oração e das comunhões bem feitas. Além da parte negativa (a limpeza dos pecados), precisamos nos aplicar à parte positiva da misericórdia, que é o desejo de unir-se a Deus já nesta vida. Unidos ao coro de São João no livro do Apocalipse, temos de dizer aqui e agora: “Vem, Senhor” (22, 20).

A vida moderna oferece muitas distrações, que abafam a voz de Cristo no nosso coração. Em nosso dia a dia, as preocupações mundanas parecem muito mais vivas do que Jesus ressuscitado. E é por isso que, neste domingo, a Igreja nos recorda a grande Misericórdia do Senhor, cujo desejo de unir-se a nós é infinito. Em resumo, Ele nos concede duas fontes de misericórdia (a água batismal e o sangue eucarístico) para perdoar os nossos pecados e nos unir ao seu Sagrado Coração. De nossa parte, resta desejar a união com o Senhor também no meio das angústias, dificuldades e provações, fugindo do ceticismo de Tomé e deixando que Ele nos toque e, assim, renove a nossa fé.

Oração.Meu Jesus misericordioso, em quem deposito toda minha confiança, ajudai-me a crer com mais fervor na vossa presença substancial na Eucaristia, a fim de que eu me deixe tocar pela vossa graça sacramental e me una totalmente ao vosso amor infinito. Assim seja!

Propósito. — Rezar o Terço da Misericórdia neste domingo.

Material para Download
Texto do episódioMaterial para downloadComentários dos alunos

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.