Memória de Santa Verônica Giuliani
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Memória de Santa Verônica Giuliani

A devoção a Maria e a devoção a Jesus caminham juntas. Quanto mais nos aproximamos da Mãe, mais perto estamos do Filho; quanto mais olhamos para o Imaculado Coração, mais vemos o Sagrado; quanto mais nos configuramos a Maria, mas parecidos ficamos com Jesus.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 24-33)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor. Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu senhor. Se ao dono da casa eles chamaram de Belzebu, quanto mais aos seus familiares!

Não tenhais medo deles, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!

Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.

Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.

Com alegria fazemos hoje memória de uma santa clarissa capuchinha, Verônica Giuliani. Santa Verônica viveu de forma especialíssima a configuração de seu coração ao de Jesus e ao de Maria. É muito oportuno dedicar um tempo para meditar a vida dela num sábado, dia dedicado ao Coração de Nossa Senhora. O que significa configurar-se ao Coração de Jesus e ao de Nossa Senhora? Na vida de Santa Verônica isso se deu de modo extraordinário, realmente sobrenatural. Verônica é uma santa muito especial. Monja clarissa capuchinha que viveu na Itália entre os séculos XVII e XVIII, ela viu as transformações que Deus realizava em sua alma. É claro que, nesse sentido, Santa Verônica não é imitável. Não é possível imitar as graças especialíssimas que Deus lhe concedeu a ela e somente a ela. É uma das santas de vida sobrenatural mais pitoresca. Ela passou por episódios extraordinários, em que recebeu, por exemplo, os estigmas de Cristo, foi coroada por Jesus com espinhos e assim por diante. Eventos totalmente extraordinários. No entanto, chegou um momento em que ela viu sobrenaturalmente a união de seu coração com o de Maria. Ela recebera a graça de ver o Coração de Maria “desde dentro”. 

Lembremos o que é o Coração de Maria. Trata-se da alma de Nossa Senhora, sua capacidade de amar. Havia, portanto, uma união entre a alma de Santa Verônica e a de Nossa Senhora, de forma que ela começou a sentir por Deus um amor semelhante ao que Nossa Senhora mesma lhe tinha. É interessante que, ao ter seu coração configurado ao da Virgem — uma graça extraordinária, pela qual viu, por revelação divina, sua união com o Coração de Maria —, Santa Verônica notou algo que para nós pode soar estranho, mas que tem todo sentido teológico: o Coração de Maria era o Coração de Jesus. É belíssimo! É belíssimo ver que, no fundo, Maria não tinha coração próprio. Quando veneramos e temos devoção ao Imaculado Coração de Nossa Senhora, estamos venerando um Coração humano que se configurou tanto a Jesus, que ela, mais do que todos os outros santos, podia dizer: Vivo, mas não eu; é Cristo quem vive em mim. Sim, todos os movimentos da alma de Nossa Senhora eram movimentos de Jesus. Maria esteve sempre totalmente tomada pelo Coração do seu divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Neste dia de Santa Verônica Giuliani, é oportuno falar sobre isso porque, sendo sábado, dia especialmente consagrado a Nossa Senhora, começamos a perceber que os santos receberam revelações místicas que confirmam o que diz a teologia, a saber: que toda espiritualidade e devoção mariana é fundamentalmente cristocêntrica, isto é, voltada para Cristo. Por que isso é importante? Porque há quem fique com escrúpulos, sabendo que Jesus é mais importante que tudo, mas com medo de dirigir-se a Nossa Senhora, como se a Mãe “rivalizasse” com o Filho. Para algumas pessoas, ou se é devoto do Imaculado Coração de Maria ou do Sagrado Coração de Jesus e, se é para decidir entre alternativas mutuamente excludentes, o melhor seria ficar com o segundo. Mas as coisas não são assim. Essa oposição só existe na cabeça dos pobres protestantes, que pensam que se aproximar de Maria é distanciar-se de Jesus. Santa Verônica Giuliani mostra exatamente o contrário. Ela viu, numa visão mística extraordinária, seu próprio coração totalmente unido ao de Maria; mas, ao contemplar a alma de Nossa Senhora, ela viu a de Jesus! (Lembremos que Jesus é Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade; mas, ao fazer-se homem, Ele criou para si uma humanidade e começou a ter corpo e alma como nós. Cristo, portanto, tinha alma. Quando veneramos, pois, o Coração de Jesus, adoramos a Deus por nos ter amado não só com amor divino e eterno, mas também com o amor humano do Sagrado Coração.) 

A devoção à Virgem Maria e a devoção a Jesus caminham juntas, de sorte que, quanto mais nos aproximamos de Nossa Senhora, mais nos assemelhamos a Cristo; quanto mais olhamos para o Imaculado Coração, mais vemos o Sagrado; quanto mais nos deixamos configurar a Maria, mais parecidos ficamos com Cristo. Isso, que Santa Verônica Giuliani viveu na passagem do século XVII para o XVIII, Nossa Senhora o confirmou nas aparições de Fátima. Quando a Virgem mostrou seu Coração Imaculado aos pastorinhos, eles o viram rodeado de espinhos. Ora, todo o mundo sabe que o Coração coroado de espinhos não é o de Maria, mas o de Jesus. Nossa Senhora mostrou, pois, aos pastorinhos de Fátima a mesma coisa que Deus revelara a Santa Verônica: o Coração de Jesus e o de Maria estão tão unidos, que ir para o Coração de Nossa Senhora é ir para o de Jesus. Não tenhamos medo de viver a devoção à Virgem Maria, de viver nossa consagração a ela, de ser todos de Maria porque, totalmente entregues à Virgem Maria, seremos todos de Jesus. — Que Santa Verônica Giuliani interceda por nós!

* * *

Não se deve temer aos homens (cf. Mc 4, 22; Lc 8, 17; 12, 2-9).1.º argumento: V. 24-25. Os discípulos e os servos não são de melhor condição que o mestre e o senhor, por isso não devem ter melhor fortuna; ora, Cristo foi vexado por calúnias e perseguições inúmeras vezes, é justo portanto que seus discípulos experimentem semelhante sorte. — O nome Beelzebub parece vir do hebr. Ba‘al zebhûb = senhor da mosca (cf. 2Rs 1, 2), nome com o qual os jdeus chamavam, por irrisão, o ídolo acaronitas. Em alguns códices gregos lê-se às vezes Βεελζεβούλ, o que alguns pensam ser o mesmo que Beelzebub por mudança da última letra, enquanto outros o derivam de zebhel = esterco, ou zebhul = domicílio, ou zabhal = sacrificar. — Como se sabe, os fariseus chamavam Beelzebub ao príncipe dos demônios e acusavam Cristo de expulsar demônios por influência dele (cf. Mt 12, 24; Lc 11, 14); os doutores lançavam contra Jesus a mesma calúnia, chamando-lhe possesso por Beelzebub (cf. Mc 3, 22).

Como os discípulos participam da mesma sorte que Cristo, e dado que Cristo, enquanto rei Messias, há por fim de triunfar gloriosamente, segue-se que: V. 26. Não os temais (os que vos perseguirão), pois. Este pois segue-se da íntima sociedade e comunhão que têm com Cristo e é causa de grande consolação, porque os que se associarem a Cristo na provação e na ignomínia também serão sócios dele na vitória e na glória, o que também declara o trecho restante: 2.º argumento: Porque nada há encoberto que se não venha a descobrir, nem oculto que se não venha a saber. — É incerto porém se o sentido desta passagem se refere à manifestação da virtude dos Apóstolos perante os próprios perseguidores ou no dia do juízo, ou à revelação e triunfo da verdade evangélica [1]. A segunda explicação é mais adequada ao texto de Mateus e também ao de Lucas (cf. 12, 22), se se consideram os vv. seguintes; mas, no caso de Lucas, a primeira explicação também é provável, porque em 12, 1 dissera o Senhor: Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia, e logo em seguida acrescenta: Nada há oculto que não venha a descobrir-se etc. — Há enfim quem tente conciliar as duas interpretações.

V. 27. O que eu vos digo nas trevas, isto é, privadamente, em segredo, dizei-o às claras, aberta e publicamente, e o que é dito ao ouvido, pregai-o sobre os telhados. Na Palestina, o teto das casas era plano e sólido, de maneira que era frequente subir a ele para conversar; logo, pregar sobre os telhados é o mesmo que falar em local público e aberto à vista de todos.

V. 28. 3.º argumento: Não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma, isto é, privá-la do dom natural da imortalidade e da vida sobrenatural da graça e da glória; temei antes aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo, isto é, Deus. O que os homens podem infligir, com efeito, são males temporais e passageiros, ao passo que os castigos de Deus são eternos e gravíssimos; cf. Mt 5, 29s. — “Se aos próprios Apóstolos aconselhou Cristo que, pelo temor da pena eterna e seus sofrimentos físicos e espirituais, se dispusessem a cumprir com diligência sua missão e sacudissem de si todo medo às perseguições e suplícios, quanto mais necessário e oportuno será que nós, que não fomos confirmados em graça como o foram eles depois de Pentecostes, nos armemos do mesmo pensamento e consideração, para evitar os perigos à salvação e cumprir com denodo nossa vocação!

V. 29-31. 4.º argumento: Com um último argumento exorta os Apóstolos a depor todo medo vão: um passarinho é coisa tão vil, que se vendem dois deles por apenas um asse (cerca de 3 ½ centavos), e no entanto nenhum pássaro morre sem que Deus o queira; a fortiori, por conseguinte, a vós, que de longe valeis mais que os pássaros, vos assistirá uma Providência especial, de modo que nem um só cabelo de vossas cabeças caia sem o beneplácito divino.

V. 32-33. Consequência: Todo aquele, portanto, que me confessar diante dos homens, isto é, todo o que aberta e publicamente professar ser meu discípulo, também eu o confessarei, isto é, o reconhecerei como meu discípulo, diante de meu Pai, que está nos céus (Lucas: diante dos anjos de Deus). Pelo contrário, os apóstatas, que, por medo das perseguições, negarem a Cristo serão por Ele negados diante do Pai.

Referências

  1. São João Crisóstomo, Hom. 34, 1 (In Matt. X, 23): “Esperai um pouco, e todos vos hão de proclamar salvadores e benfeitores do mundo, porquanto revelará o tempo tudo o que está oculto, descobrirá a calúnia deles e tornará conspícua a vossa virtude. Como são os fatos mesmos que confirmam serdes salvadores, benfeitores e conspícuos em toda virtude, os homens não darão atenção às palavras deles, mas à verdade de fato, e vós aparecereis mais esplendorosos que o próprio Sol, eles porém como sicofantas, mentirosos e maldizentes”.

Notas

  • A segunda parte do texto (a partir dos três asteriscos) é uma tradução adaptada, com acréscimos e omissões de nossa equipe, de H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 4.ª ed., iterum recognita a J. Prado. Marietti, 1930, vol. 1, p. 372s, n. 258, e de J. Knabenbauer, Commentarius in Evangelium secundum Matthæum. 3.ª ed., Paris: P. Lethielleux (ed.), 1922, p. 458ss.
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