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Conheça os sacramentos da Igreja com o Padre Paulo Ricardo

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 3,31-35)

Naquele tempo, chegaram a mãe de Jesus e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. Ele respondeu: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Fazemos hoje memória de São Francisco de Sales, bispo e Doutor da Igreja. São Francisco de Sales viveu na época da revolta protestante e quis, ainda sacerdote, se entregar à conversão dos calvinistas em Genebra. Depois de eleito bispo, dedicou-se ardentemente à conversão das pessoas que se tinham extraviado do caminho da Verdade.

Para isso, fez-se auxiliar pelos meios de comunicação da época, a imprensa, num forte esforço de apologética, mas também pela oração. Fundou a Ordem das Visitandinas, porque ele sabia perfeitamente quais eram os meios para a construção do reino de Deus.

O reino de Deus não usa as mesmas armas que o reino do diabo. O reino do diabo, nós vemos hoje em dia como é construído. Ele é feito com propaganda. São Francisco de Sales sabia que não adiantava só usar a imprensa ou bons argumentos; era necessário que nós nos oferecêssemos, porque os meios de propagação do reino de Deus, os verdadeiros meios e os mais eficazes, são a oração e o sacrifício. Com a fundação das Visitandinas, foi colocado o fundamento para um apostolado realmente católico.

São Francisco de Sales, que vivia numa época em que, exatamente pela “reforma” protestante, se deixou de crer na santidade, trabalhou entusiasmadamente pela vocação universal à santidade, com os seus escritos e tratados de espiritualidade. Ele queria que o leigo comum e simples se entregasse a Deus num caminho de santificação, num caminho de santidade.

Nele vemos um precursor claríssimo da doutrina da vocação universal à santidade do capítulo 5 da “Lumen gentium”, no Concílio Vaticano II. Na verdade, sempre foi esse o ensinamento da Igreja, infelizmente, contestado por Lutero e por tantos protestantes não somente na época de São Francisco de Sales, mas também nos dias de hoje.

Precisamos compreender o quanto um santo e Doutor como Francisco de Sales é luminoso, é um farol para a Igreja não somente do seu tempo, mas dos tempos atuais.

Jesus é sacerdote, mas é sacerdote de forma completamente diferente dos sacerdotes antigos. Jesus é sacerdote e vítima: Ele se entrega por amor e, assim, propõe com toda a clareza quais são os instrumentos para a edificação do reino de Deus.

Pois bem, no dia desse santo Doutor e sacerdote, que não somente seguiu o caminho da santidade, mas entusiasmou outros — religiosos e religiosas, como as visitandinas, leigos e leigas, sacerdotes ordenados como ele — a seguir o caminho da santidade, nós também seguimos o seu exemplo e, como São Francisco de Sales, nos oferecemos a Deus, membros do Corpo de Cristo, sacerdote e vítima de amor.

Se somos membros do seu Corpo e o edificamos, devemos fazê-lo com os mesmos métodos com que Cristo edificou a Igreja: morrendo por ela na Cruz e entregando-se por amor.

* * *

COMENTÁRIO

Os familiares de Cristo (Mc 3,21-25). — Jesus estava a ensinar numa casa. Devido à multidão ali reunida, seus parentes não podiam ouvi-lo. Muitos autores se perguntam por que vieram procurá-lo, já que os evangelistas não dão nenhuma. Há várias opiniões: a) teriam o desejo de o ver e estar com Ele; b) para lhe pedir um lugar melhor, de preferência dentro da casa; c) porque queriam convencê-lo a descansar um pouco; d) ou para o livrar do perigo de expor-se a mais calúnias dos fariseus. Ora, como os evangelistas nada dizem, nada se pode concluir com certeza.

— E como lhe enviassem alguém para dizer: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e procuram-te, o Senhor respondeu de modo que todos o ouvissem: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?, i.e., quem são aqueles a quem voto o meu afeto e o meu amor, ou: quem são aqueles a quem dedico todo o meu cuidado e atenção? Olhando para os que estavam sentados à roda de si, estendeu-lhes as mãos quase a abraçá-los e disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos, pois quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã, e minha mãe, como Ele mesmo disse: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra (Jo 4,34).

Afirma, por conseguinte, ter um afeto especial e familiar a quantos estão unidos a Ele pela fé e pela graça, sem o que ninguém pode fazer a vontade do Pai. São estes os seus verdadeiros parentes, porque participantes da mesma natureza, divina e espiritual; são familiares menos por vínculos de carne e sangue que pela comunhão de almas, princípios e fins. Donde se vê que o Senhor não despreza de modo algum seus parentes carnais, mas afirma simplesmente que quanto mais alguém se esforça por cumprir em espírito e por obras a vontade do Pai, mais próximo e íntimo dele se torna. Ora, de todos os fiéis, que cumpriu mais perfeitamente o beneplácito divino do que Maria, a cheia de graça: Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra?

Logo, a) aos que são familiares apenas segundo a carne Cristo prefere os que o são segundo a fé; b) sem repudiar Mãe e irmãos, ensina ser mais valioso o parentesco espiritual do que o puramente carnal; c) por isso o diz perante todos, a fim de mostrar que não antepõe os interesses e cuidados dos parentes à pregação do reino; d) preferindo as obras espirituais à proximidade de sangue, ensina que é mais santa a união dos corações que a dos corpos, de maneira que também nisto se deve guardar a ordem devida: o amor e a obediência a Deus precedem e orientam os deveres de piedade para com os pais e familiares; e) por último, convinha fosse o primeiro a dar exemplo o mesmo que disse: Quem ama seu pai e sua mãe mais do a mim não é digno de mim, e exigiu dos Apóstolos que o seguissem dispostos a entregar por Ele vida e sangue (cf. Mt 10,37;39; Lc 14,26) [1].

Notas

Cf. J. Knabenbauer, Commentarius in Evangelium secundum Marcum. Paris: Lethielleux, 1894, p. 110s.

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