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36. Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Precisamos, portanto, encher as nossas talhas até ao bordo com a água de uma oração perseverante, pela qual peçamos sem cessar a graça de amar, em espírito e verdade, a Jesus Cristo.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
2, 1-11)

Naquele tempo, houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: "Eles não têm mais vinho".

Jesus respondeu-lhe: "Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou".

Sua mãe disse aos que estavam servindo: "Fazei o que ele vos disser!".

Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.

Jesus disse aos que estavam servindo: "Enchei as talhas de água!". Encheram-nas até a boca. Jesus disse: "Agora tirai e levai ao mestre-sala!". E eles levaram. O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.

O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: "Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!"

Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

Celebramos hoje com grande alegria a solenidade de Nossa Senhor da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil. A solenidade deste dia nos traz à memória aquela atenção, aquele cuidado de uma Mãe que, nas bodas de Caná, adverte o Filho de que não há mais vinho. Esse vinho de que nos fala o Evangelho possui um significado não só físico como também espiritual. Nossa querida Mãe, com a ousadia dos santos, interpela Jesus e diz-lhe que nós não temos vinho, isto é, o amor para o verdadeiro casamento entre nossa alma e Deus, para as núpcias do Cordeiro (cf. Ap 19, 9); falta à humanidade, pois, aquele amor de uma esposa que sai à busca do verdadeiro Esposo.

Esta "falta de vinho" pode dar-se conosco ao longo de nossa vida espiritual. Convertemo-nos e passamos a querer amar a Deus, a ser santos e conquistar a felicidade cristã; pensamos, contudo, poder fazê-lo à custa de nossos próprios esforços. Mas Deus, abandonando-nos às nossas forças, permitindo que consumamos nosso entusiasmo passageiro, deixa-nos ir ladeira abaixo e mostra, assim, que toda aquela boa-vontade, que todo aquele combustível humano, se não vêm acompanhados de uma sincera entrega à vontade divina, conduzem à tibieza, à frouxidão espiritual, à tepidez. Nossa Mãe, porém, roga nesta hora a Jesus: "Eles não têm mais vinho" e nos ordena: "Façais o que Ele vos disser". Precisamos, portanto, encher as nossas talhas até ao bordo com a água de uma oração perseverante, pela qual peçamos sem cessar a graça de amar, em espírito e verdade, a Jesus Cristo. Temos de confessar-Lhe nossa indigência; temos de mostrar-lhe com o peito aberto que não podemos, sem a sua ajuda, amá-lO como Ele merece ser amado. Se fizermos o que nos pede e enchermos assim os cântaros do coração, o Senhor converterá toda esta água em vinho nobre, em amor que embriaga.

O Evangelho de hoje também nos permite entrever a desilusão espiritual por que infelizmente o Brasil tem passado nos últimos tempos. A nossa ação, sempre tão ufanista, encontra-se agora num estado de mornidão espiritual e desesperança política; daí as inúmeras seitas e movimentos que querem a todo custo incutir-nos a ideia de que, se as coisas não vão bem, é preciso de certo modo exigir que Deus conserte este vale de lágrimas e nos conceda, já aqui na terra, uma felicidade que Ele mesmo nunca nos prometeu. Sucede, porém, que, se crermos nisto, o demônio virá mostrar-nos, em meio a tantas frustrações, que este falso deus utilitarista e tapa-buracos não existe. Cada um de nós, por isso, deve continuar a encher as talhas do coração com a água da prece constante, pois Deus, pela intercessão da Santíssima Rainha do Brasil, há de conceder-nos não um paraíso neste mundo, cuja figura é passageira, mas um coração novo: um coração que, embebido no amor de Deus, sabe ser passageira essa nossa estadia, porque fomos feitos para a alegria da Pátria definitiva no Céu.

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