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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
17, 20-25)

Naquele tempo, os fariseus perguntaram a Jesus sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Ele respondeu: "O Reino de Deus não vem ostensivamente. Nem se poderá dizer: 'Está aqui', ou: 'Está ali', pois o Reino de Deus está no meio de vós" [ἡ βασιλεία τοῦ θεοῦ ἐντὸς ὑμῶν ἐστιν].

E ele disse aos discípulos: "Dias virão em que desejareis ver um só dia do Filho do Homem e não podereis ver. Dirão: 'Ele está aqui' ou: 'Ele está ali'. Não deveis ir, nem correr atrás. Pois como o relâmpago de repente brilha de um lado do céu até o outro, assim também será o Filho do Homem, no seu dia. Antes, porém, ele deverá sofrer muito e ser rejeitado por esta geração".

"O Reino de Deus está no meio de vós", diz o Evangelho desta 5.ª-feira. Os originais gregos, no entanto, ressaltam um aspecto dessa presença que não é de todo preservada por nossa tradução litúrgica. "O reinos de Deus", lemos mais ao pé da letra, "está dentro de vós" [ἡ βασιλεία τοῦ θεοῦ ἐντὸς ὑμῶν ἐστιν]. Também na Vulgata se lê: "Regnum Dei intra vos est." Eis o mistério que o Senhor hoje nos revela, como que nos conduzindo a pôr os olhos naquela experiência de Santo Agostinho, que, em meio a tantas procuras pelo Deus desconhecido, depois de debruçar-se sobre a filosofia e as belezas criadas, descobre enfim que o Senhor estivera o tempo todo dentro de si: "Tarde Te amei, ó beleza tão antiga e tão nova", escreve em suas Confissões, "tarde Te amei! Eis que estavas dentro, e eu fora (Conf. X, 27.38) [Sero te amavi, pulchritudo tam antiqua et tam nova, sero te amavi! Et ecce intus eras et ego foris]. Eu estava, Senhor, longe de ti, porque estive longe de mim. Eu Te procurava nas formosuras que criastes, chora o bispo de Hipona, Tu porém nunca me deixastes; eu é que me esqueci de Ti e procurei-Te onde não estavas.

O testemunho de Santo Agostinho nos indica que, para encontrarmos o Senhor que nos criou, temos de mergulhar em nós e nos dirigirmos a este Deus que, presente em tudo pelo Seu poder e por Sua ciência, faz-Se hóspede silencioso da alma humana. "Lançava-me disforme sobre as belezas que fizestes e ali Te procurava" [et ibi te quaerebam et in ista formosa, quae fecisti, deformis irruebam]. Deus está sempre conosco; somos nós, no entanto, que, alienando-nos de nós mesmos pelo pecado, nos afastamos d'Ele. A própria leitura de hoje ilustra convenientemente esta realidade: Jesus, o Filho de Deus, está ali, ao lado dos fariseus; estes hipócritas, cegados pela vaidade, endurecidos pelo orgulho, são incapazes de perceber Quem é que lhes dirige a palavra. Não sigamos o exemplo dos fariseus nem do jovem e inquieto Agostinho; não busquemos o Senhor no dinheiro, nos prazer, nos aplausos do mundo. Busquêmo-lO, sim, onde Ele mesmo deseja estar: no nosso coração, na intimidade de nossa alma. Peçamos ao Senhor (que, paciente, nos chama de volta às moradas do nosso espírito) uma fé sempre firme nesta Sua presença amorosa e silenciosa. Que Ele nos ajude a mergulharmos em nós mesmos, para que, amando de volta o Deus que nos ama tão de perto, possamos reconhecer a presença do Reino em nossas vidas.

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