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152. "O Filho do Homem não veio para ser servido”

Na Igreja, poder e autoridade são instrumentos de serviço ao próximo. Com efeito, do mesmo como Cristo, amando-nos até o fim, purificou-nos dos nossos pecados pela aspersão do próprio sangue, assim também o sacerdote é chamado a entregar-se totalmente aos fiéis que o Senhor lhe confiou.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
20, 17-28)

Naquele tempo, enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes: "Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte, e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará".

A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. Jesus perguntou: "Que queres?" Ela respondeu: "Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda". Jesus, então, respondeu-lhe: "Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?" Eles responderam: "Podemos". Então Jesus lhes disse: "De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou". Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. Jesus, porém, chamou-os, e disse: "Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos".

Jesus hoje prenuncia de novo a sua dolorosa Paixão. Os discípulos, porém, sem nada compreenderem, começam a discutir a caminho de Jerusalém quem dentre eles haveria de ocupar os primeiros lugares no Reino do Mestre. A própria mãe dos filhos de Zebedeu — Tiago e João (cf. Mt 10, 2) — se intromete na briga e faz ao Rabi um pedido algo embaraçoso: "Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda". Não é de espantar, pois, a rixa que daí surgiu. O Senhor, no entanto, com calma e sabedoria divinas, aproveita-se da ocasião para admoestar seus Apóstolos. Soberbas e incansáveis, as potestades mundanas se oprimem e dominam umas as outras; entre vós, ao contrário, "não deverá ser assim". A explicação vem logo em seguida. "Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos".

Estas palavras nos remetem quase que espontaneamente ao episódio do Lava-pés, narrado em detalhes pelo Evangelista São João (cf. Jo 13, 1-15). Singela e expressiva, esta cena é vista, de ordinário, como uma simples manifestação de humildade e espírito de serviço. Trata-se, na verdade, de uma atitude muito mais profunda. Ao cingir-se com uma toalha e lavar com água os pés dos discípulos, Cristo anuncia, com gesto profético, o que Ele estava por realizar no dia seguinte, naquela santa e sangrenta Sexta-feira. Do alto da Cruz, cingido com o purificatório do total abandono à vontade do Pai, Jesus lava não os nossos pés, senão os nossos pecados; lava-os não com água, mas com o seu próprio e preciosíssimo sangue. E Ele o faz dando sem reservas a própria vida: pois o "Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida". Purifica-nos, desse modo, do que de mais sórdido há em nós — o pecado — com o que de mais puro Deus nos poderia oferecer — a sua vida.

Daqui também podemos compreender como deve exercer-se o ministério sacerdotal dentro da Igreja. Chamado a dar, também ele, a vida pelas almas resgatas pelo sangue do Cordeiro, todo sacerdote tem a missão de entregar-se aos fieis que estão sob os seus cuidados por meio de um serviço humilde: ouvir confissões, administrar os sacramentos, enfrentar as adversidades até à aspersão do sangue, até ao último e derradeiro suspiro. Com efeito, o sacerdote recebe de Cristo poder e autoridade para exercê-los como o mesmo Cristo os exerceu: servindo, fazendo o bem (cf. At 10, 38), lavando as almas da sordidez do pecado, vencendo a iniquidade sob as aparências da derrota de quem se dá inteiramente pelo bem daqueles que lhe foram confiados. Rezemos hoje de modo especial por todos os sacerdotes da nossa Madre Igreja. Que a Virgem Maria os ajude a se configurarem ao Cristo que traz aos homens a vida mediante a morte, purificando-os do pecado com a pureza do próprio sangue!

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