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O monge que arrastava multidões para Jesus

Pela voz melíflua de São Bernardo, dezenas e dezenas de pessoas, sem poder mais resistir aos impulsos da graça, abandonaram tudo para consagrar-se, na pobreza da vida monástica, ao Único que nos pode fazer ricos, por ser Ele a única riqueza de verdade.

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 22, 1-14)

Naquele tempo, Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo: “O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir. 

O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’. Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram. O rei ficou indignado e mandou suas tropas, para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. Portanto, ide até às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes’. 

Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. Quando o rei entrou para ver os convidados, observou ali um homem que não estava usando traje de festa e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’. Mas o homem nada respondeu. Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Ali haverá choro e ranger de dentes’. Por que muitos são chamados, e poucos são escolhidos’”.

Com grande alegria, celebramos hoje a memória de São Bernardo de Claraval, grande abade e Doutor da Igreja, apelidado de “Doutor Melífluo” por causa da doçura com que pregava o Evangelho e convertia as almas. São Bernardo é uma das figuras históricas que mudaram os rumos da Igreja; por isso, vale muito a pena conhecê-lo e ser seu devoto. 

São Bernardo era filho de uma família nobre da Borgonha e, desde pequeno, recebeu uma educação cristã profunda. Ainda jovem, ele começou a se perguntar qual era a finalidade de sua existência — “Bernarde, ad quid venisti?”, “Bernardo, o que vieste fazer aqui?” —, e encontrou a resposta em sua vida de oração: viera a este mundo para chegar ao Céu.

Bernardo, então, decidiu contar a sua decisão de partir para a vida monástica à família e aos companheiros, os quais, por serem de origem nobre, eram em sua maioria cavaleiros. Naturalmente, todos se opuseram à ideia e tentaram fazê-lo desistir, mas ele era tão convincente e tão movido pela graça divina que aqueles que antes eram contrários à sua entrada no mosteiro resolveram acompanhá-lo. Assim, cerca de trinta homens ingressaram de uma só vez no Mosteiro de Cîteaux.

Passados apenas dois anos, o abade de Cister, Santo Estêvão Harding, reconheceu a grandeza de Bernardo, que acabara de sair do noviciado, e o enviou como abade para realizar uma nova fundação. O lugar escolhido era tão insalubre que havia recebido o apelido de “Vale do Absinto”. São Bernardo, porém, conseguiu transformar aquela pobreza e miséria numa grande abadia, que recebeu o nome de Claraval — Clairvaux, o “Vale da luz” ou “Vale da clareza”. É daí que vem o nome pelo qual o santo ficou conhecido: São Bernardo de Claraval.

Aquela abadia tornou-se florescente, e o número de vocações que começaram a chegar foi extraordinário. Em determinado momento, havia seiscentos ou setecentos monges vivendo em Claraval. Por causa disso, Bernardo começou a realizar novas fundações, não somente na França e na Itália, mas também em outros países, levando esses homens a viver verdadeiramente para Cristo, numa vida marcada pelo amor e pela devoção a Nosso Senhor.

Aquela era uma época em que reis e nobres ainda levavam muito em conta as questões da fé. Por isso, Bernardo tornou-se, poderíamos dizer, o homem mais importante da Europa de seu tempo. Reis, nobres, bispos e até papas iam procurá-lo em busca de conselho.

Evidentemente, tamanha influência começou também a despertar inveja e resistência. Certo bispo, por exemplo, criticou severamente São Bernardo, questionando por que todos procuravam aquele monge e dizendo que, se ele fosse realmente um bom religioso, deveria permanecer recolhido, rezando, em vez de se envolver nos assuntos políticos da Europa.

Quando soube da crítica, São Bernardo respondeu com humildade: “É isso mesmo. Ouçam-no, porque é verdade. Deixem-me em paz! Eu quero ser monge, quero ser de Deus e entregar-me a Ele. Por que tantas pessoas vêm me consultar?”. Diante de tal gesto de humildade, o próprio bispo que o havia criticado mudou completamente de atitude, reconhecendo a santidade de Bernardo e passando também a procurá-lo em busca de conselho.

De onde vinha tudo isso? Daquilo que chamamos de autoridade. As pessoas contemplavam a virtude e a santidade daquele homem e, por esse motivo, espontaneamente o procuravam. A força de sua pregação era tamanha que, quando São Bernardo percorria a Europa anunciando as coisas de Deus, conta-se que algumas mulheres escondiam os próprios maridos e que mães escondiam os seus filhos, com medo de que eles ouvissem Bernardo e resolvessem segui-lo. Tal era a autenticidade, o fundamento de sua virtude e de sua santidade, que ele movia profundamente as pessoas.

Quando entrou no mosteiro pela primeira vez, Bernardo levou consigo quatro de seus irmãos, mas deixou para trás o caçula, que ainda era muito novo. Disseram-lhe que permanecesse em casa, pois seria o herdeiro das posses, dos títulos de nobreza e das riquezas da família. O menino, porém, ao chegar à idade adulta, disse aos seus irmãos: “Vocês não têm vergonha? Ficaram com a melhor parte: foram para Deus e deixaram-me com o fardo das riquezas mundanas!”. Decidiu, portanto, vender tudo o que tinha e tornou-se monge também.

Bernarde, ad quid venisti?”. Essa é também a pergunta que nós precisamos fazer a nós mesmos: o que viemos fazer neste mundo? Pode ser que não sejamos chamados a abandonar tudo, mas uma coisa é certa: assim como São Bernardo de Claraval, nascemos para conquistar o Céu.

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