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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 12, 38-44)

Naquele tempo, Jesus dizia, no seu ensinamento, à multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”. Jesus estava sentado no Templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias. Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada. Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.

Celebramos hoje o primeiro sábado de junho, mês do Sagrado Coração de Jesus, e não poderíamos deixar de lembrar a devoção dos primeiros sábados, consagrados ao Imaculado Coração de Maria. A festa litúrgica do Imaculado Coração será sábado que vem, mas já podemos ir aquecendo-nos, olhando para a Virgem Santíssima. Tampouco nos devemos esquecer de, neste primeiro sábado, praticar o desagravo que Nossa Senhora ensinou à Ir. Lúcia, vidente de Fátima, a ser feito todos os meses: confessar-se no dia que for possível, comungar no primeiro sábado, rezar o santo Terço e meditar durante quinze minutos os mistérios da vida de Cristo contidos no Rosário.

Pratiquemos, pois, essa devoção de desagravo ao Imaculado Coração de Maria. Nossa Senhora o pediu, e é tão fácil fazê-lo, não só para a nossa própria salvação, mas por amor, por devoção, por simples e gratuita manifestação de amor a nossa Mãe Santíssima, que tanto nos ama! Mas o que significa o Imaculado Coração de Maria? Ontem refletimos a respeito do Sagrado Coração, que é a alma de Jesus, isto é, aquele “lugar” em que o homem ama a Deus e os irmãos.

Ora, Deus se fez homem e quis nos amar com a ternura de um coração humano. Agora, o que precisamos fazer? Configurar nosso coração ao de Cristo. Foi isso que Nossa Senhora realizou de forma perfeitíssima. O Coração de Maria é o de uma pessoa humana que se deixou transformar a tal ponto pelo de Jesus, que ela já não tem um coração próprio: o Coração dela é o Coração de Cristo.

É um dos pontos mais interessantes da revelação de Fátima. As revelações privadas de Fátima mostram Nossa Senhora com um Coração coroado de espinhos; mas, se pensarmos bem, não é essa a representação clássica do Imaculado Coração. O Imaculado Coração de Maria geralmente é representado por um Coração coroado de flores e trespassado por uma espada. Em Fátima, no entanto, Nossa Senhora se apresenta com um Coração coroado de espinhos, representação clássica do Coração de Jesus, não do de Maria. Foi assim que o Senhor apresentou seu Coração a Santa Margarida Maria Alacoque

Afinal de contas, o que Nossa Senhora revelou em Fátima? Que o seu Imaculado Coração está tão configurado e é tão semelhante ao de Jesus, que os dois quase se confundem. Com isso, Deus quis nos ensinar como nós devemos realizar essa mesma missão de ter um coração semelhante ao de Cristo, de forma que tenhamos em nós, não o nosso, mas o Coração de Jesus.

Na prática — para sair agora das comparações e da linguagem de metáfora e poética —, o que tudo isso significa? Significa que a nossa alma precisa estar intimamente unida à alma de Cristo. Quando recebemos a comunhão e dizemos: “Alma de Cristo, santificai-me”, Deus está usando a alma de Jesus como instrumento da nossa santificação e, pelo poder do Espírito Santo, nossa alma une-se à de Cristo, de modo que podemos dizer o que exorta São Paulo na Carta aos Filipenses: temos no coração os mesmos sentimentos de Cristo Jesus! São Paulo o disse aos filipenses, como se lê em Fp 2, 5: “Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus”, e então começa aquele famoso hino: “Jesus, embora fosse Deus, não se apegou ao ser igual a Deus, mas, como que se esvaziando a si mesmo, assumiu a forma de servo, humilhando-se, feito obediente até a morte, e morte morte de cruz.” (Fp 2, 6-8)

Tudo isso, porém, nos dá um medo imenso! Por quê? Porque abraçar a cruz e ser obediente até a morte causa pavor, e Jesus sabe disso porque conhece nossa fragilidade.

Para que possamos, então, abraçar a cruz com mais facilidade, Jesus nos deu sua Mãe Santíssima, que mostra seu Imaculado Coração a três pastorinhos em Fátima. Ora, uma Mãe querida não amedronta os seus filhinhos. Por isso aparece a três criancinhas, para que todos possamos nos identificar e dizer: “Não preciso ter medo. Eu quero, sim, aproximar-me do Imaculado Coração”, tão semelhante ao Coração de Cristo, que quase se confunde com ele. “Eu quero ter o Coração de Maria”, que também se esvaziou a si mesma, sendo a escrava do Senhor, ela, que também foi obediente até a morte, não de cruz, mas de alma, compadecendo como Co-redentora para a nossa salvação.

Olhando, pois, para o Coração de nossa Mãe bendita, nós nos enchemos de confiança porque, embora Jesus tenha um Coração terno e manso, do qual não precisamos ter medo, também sabemos que Ele, no Fim dos Tempos, virá como Juiz… Santo Afonso Maria de Ligório recorda, na sua famosa obra As glórias de Maria, que, embora o Coração de Jesus seja de uma ternura infinita, ao vê-lo como Juiz, é natural que tremamos na base, como se diz no Dies irae: “A que advogado rogarei, se nem o justo está seguro?” Diante de Cristo Juiz, nem os mais santos se sentem seguros!

Nossa Senhora, em Fátima, responde a essa pergunta. Ela será nossa Advogada! Advocata nostra, salve! Salve, nossa Advogada! Salve, Coração Imaculado de Maria, do qual ninguém tem medo de se aproximar! A ele nos entregamos, confiamos e consagramos inteiramente, para que nossa Mãe bendita cuide de nós e faça essa tão necessária cirurgia, extraindo o nosso coração de pedra e dando-nos outro, mais semelhante ao do seu Filho, Jesus.

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