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Homilia Dominical
3 Ago 2017 - 26:39

O Tabor e o Calvário

Jesus sobe ao Tabor porque Ele espera que, um dia, os seus sacerdotes subam ao Calvário como vítimas, assim como Ele mesmo fez. Neste domingo, 6 de agosto, em que celebramos a Transfiguração do Senhor, Padre Paulo Ricardo medita sobre este episódio da vida de Cristo à luz do sacerdócio católico.
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Homilia Dominical - 3 Ago 2017 - 26:39

O Tabor e o Calvário

Jesus sobe ao Tabor porque Ele espera que, um dia, os seus sacerdotes subam ao Calvário como vítimas, assim como Ele mesmo fez. Neste domingo, 6 de agosto, em que celebramos a Transfiguração do Senhor, Padre Paulo Ricardo medita sobre este episódio da vida de Cristo à luz do sacerdócio católico.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
17, 1-9)

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra e disse: "Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias". Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: "Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!" Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: "Levantai-vos, e não tenhais medo". Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: "Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos".

Nesta homilia sobre a Transfiguração do Senhor, aproveitemos a proximidade do Dia do Padre — festejada a 4 de agosto, por ocasião da memória de São João Maria Vianney — para ler esse episódio da vida de Cristo à luz do sacerdócio católico.

Uma palavra, antes de mais nada, a respeito da historicidade da Transfiguração, pois há quem tenda a considerar, ao fazer a exegese desta passagem, que ela se trata de um acréscimo indevido aos Evangelhos, uma história que não corresponde aos dados da realidade. Segundo alguns teólogos, a glória manifestada por Nosso Senhor diante de seus discípulos impediria, de certo modo, o seu "esvaziamento" completo, tal como vai descrito em Filipenses: "Ele, existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano" (Fl 2, 6-7).

A verdade, porém, é que Jesus Cristo é verdadeiro homem sem deixar de ser Deus; assumiu realmente a forma humana "de escravo", mas sem perder em nada a glória que possui como Verbo eterno do Pai. O Papa Pio XII lembra, por exemplo, que, para amar a cada um dos seres humanos, individualmente, e oferecer por eles o sacrifício da Redenção, a alma de Cristo foi privilegiada, desde a concepção, com o dom da visão beatífica (cf. Mystici Corporis, 75). Ao mesmo tempo em que sofria, portanto, as dores excruciantes do Calvário, Jesus gozava no núcleo de seu ser da paz indizível que é contemplar a própria face de Deus.

Por isso, cabe perguntar: se Ele já possuía essa glória, qual o problema de irradiar um pouco dela a seus discípulos — e futuros sacerdotes —, a fim de aumentar-lhes a fé? Mais do que isso, tendo em vista o drama da Paixão e Morte que Ele iria enfrentar em breve, e que colocaria em xeque o seguimento de seus discípulos, por que não poderia a Santíssima Trindade fortalecer-lhes a confiança, com o Pai revelando claramente: "Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado"?

De fato, olhando para esse milagre realizado por Cristo no contexto de todo o Evangelho, podemos traçar um paralelo entre a Transfiguração e a Crucificação, entre o Tabor e o Calvário: é exatamente antes de subir a Jerusalém para beber o cálice de sua Paixão que Jesus toma consigo três dos Apóstolos e dá-lhes a conhecer a sua glória, como se quisesse consolar com essa visão os discípulos, antes de vivenciarem o difícil drama que se daria em Jerusalém.

O que isso tem a ver com o ministério sacerdotal na Igreja Católica? Simplesmente tudo! Pois o sacerdote é aquele que recebe luzes sobrenaturais do Senhor sacramentado para confirmar na fé todo o povo de Deus — levando aos outros aquilo que ele mesmo meditou (cf. S.Th. II-II, q. 188, a. 7) — e, sobretudo, é aquele que, configurando-se inteiramente a Jesus, não só renova o oferecimento dEle, mas entrega-se a si mesmo como vítima pela salvação dos pecadores. Não é à toa, portanto, que Pedro, Tiago e João são levados com Cristo ao Tabor; Nosso Senhor faz isso esperando que, um dia, todos os seus sacerdotes subam ao Calvário como vítimas, assim como Ele mesmo fez no altar da Cruz.

A partir disso, faz-se possível compreender a razão profunda da crise que vem enfrentando o sacerdócio católico, já desde muito antes do Concílio Vaticano II: os padres deixaram de ser vítimas, deixaram de se oferecer pela salvação de seus filhos espirituais, deixaram de ser pais. Por conta disso, também a desobediência se alastra em toda a Igreja, pois não há quem consiga ser submisso, de coração, a usurpadores.

Assim, pois, como "o bom pastor dá a vida por suas ovelhas" (Jo 10, 11); assim como o bom pai de família ama a sua mulher e os seus filhos "como Cristo também amou a Igreja e se entregou por ela" (Ef 5, 25), o bom sacerdote procura configurar-se inteiramente a Nosso Senhor, sendo vítima. E com que generosidade o povo de Deus não retribui o amor de um padre assim, que se oferece pelo rebanho! Com que delicadezas o pequeno vilarejo de Ars não tratava o seu pároco, São João Maria Vianney, que tantos sacrifícios fez pela salvação de seus paroquianos!

Peçamos neste domingo a intercessão do Santo Cura d'Ars por todos os sacerdotes da Igreja Católica, para que acolham este chamado vindo do próprio Senhor: contemplando a glória divina no Tabor da oração, tenham forças para se oferecer completamente a Deus no Calvário de seus dias.

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