Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 22, 34-40)
Naquele tempo, os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”
Jesus respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.
Celebramos hoje, com grande alegria, a memória de São Pio X, grande Papa do século XX que combateu o modernismo. Esta é, provavelmente, a característica pela qual ele é mais recordado; porém, se olharmos para a vida deste grande santo, veremos que ele é modelo também em muitos outros aspectos.
É evidente que São Pio X se destacou no combate ao modernismo, mas essa luta estava profundamente enraizada em sua própria biografia e em seu grande coração de pastor. São Pio X foi pároco; depois, tornou-se bispo e, preocupado com a formação e a santificação de seu clero, exerceu com grande zelo o ministério episcopal. Mais tarde, tornou-se cardeal e, finalmente, Papa. Esse caminho gradual de serviço à Igreja fez com que ele adquirisse um profundo senso pastoral.
Ao chegar à Cúria Romana como Papa, São Pio X percebeu que aquele ambiente estava minado e que não podia confiar plenamente em todos os seus colaboradores, devido à mentalidade modernista que havia se infiltrado na Igreja.
E o que é, afinal, o modernismo? É a infiltração dentro da Igreja daquele espírito mundano que já moldava grande parte da cultura da época. Tratava-se de uma tentativa de adaptar e submeter o Evangelho e a doutrina da Igreja ao espírito revolucionário que vinha desde a Revolução Francesa e aos males e dificuldades trazidos pelas revoluções modernas.
São Pio X compreendeu claramente que o Evangelho não era isso e, com grande tino pastoral, começou a cercar-se de colaboradores e pessoas nas quais pudesse confiar, a fim de promover uma verdadeira reforma da Igreja e extirpar de seu interior esse mal que se apresentava sob uma linguagem aparentemente cristã e evangélica.
O modernismo manifestava-se, entre outras coisas, na falta de fé no sobrenatural e na tendência de reduzir tudo ao naturalismo: deixava-se, pois, de acreditar nos milagres, na santidade e na ação transformadora da graça. Havia também a tentativa de unir as religiões num indiferentismo religioso e de reduzir a Pessoa Divina de Nosso Senhor Jesus Cristo a um personagem histórico admirável, mas demasiado humano, tornando-o palatável e aceitável para o mundo. Por sua falta de fé, o modernismo procurava, assim, diluir a Igreja no mundo e retirar dela sua verdadeira vitalidade, que vêm de Cristo, da graça divina e da realidade sobrenatural.
São Pio X, então, mostrou através de seus atos como age verdadeiramente um autêntico pastor da Igreja: ele está voltado para as suas ovelhas e para a salvação das almas, enxergando as dificuldades daqueles que padecem e percebendo que, no meio do rebanho, existem lobos com pele de ovelha. É necessário, portanto, afastar esses lobos para salvar o rebanho.
Que o extraordinário São Pio X, modelo de santidade, continue intercedendo por nós de lá do Céu e alcance-nos a graça de, salvando nossas almas, contribuir também para a salvação de tantas outras.


























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