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Homilia Dominical
21 Fev 2014 - 25:22

Sede perfeitos!

Esta meditação apresenta-nos mais uma daquelas contradições entre o Antigo e o Novo Testamento, descritas por Jesus Cristo. Não são contradições, na verdade, mas progressos da Lei de Deus, em que o homem é convidado a amar de forma perfeita.
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Homilia Dominical - 21 Fev 2014 - 25:22

Sede perfeitos!

Esta meditação apresenta-nos mais uma daquelas contradições entre o Antigo e o Novo Testamento, descritas por Jesus Cristo. Não são contradições, na verdade, mas progressos da Lei de Deus, em que o homem é convidado a amar de forma perfeita.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Mateus 

(Mt 5,38-48)

A meditação deste Sétimo Domingo do Tempo Comum apresenta-nos mais uma daquelas contradições entre o Antigo e o Novo Testamento, descritas por Jesus Cristo. Não são contradições, na verdade, mas progressos da Lei de Deus, em que o homem é convidado a amar de forma perfeita. O Evangelista, por sua vez, lembra-nos da famosa Lei de Talião – “olho por olho, dente por dente” –, esculpida pelas antigas civilizações, a fim de conter a barbárie entre os povos. Na Lei de Moisés, essa regra rudimentar se eleva à máxima do amor ao amigo e do ódio ao inimigo. Pela primeira vez, mesmo que de forma ainda imperfeita, o homem é chamado a amar o seu irmão. Jesus Cristo, porém, rompendo mais uma barreira, desenvolve um novo mandamento: amar também o inimigo.

Esse novo mandamento de Deus pode parecer algo bastante exigente, sobretudo num contexto em que vivemos a lógica do individualismo de maneira cada vez mais acirrada. Em todo caso, Deus insiste para que amemos o nosso inimigo, pois é assim que ele também nos ama: o amor de Deus é, sobre todas as coisas, o amor ao seu inimigo. Uma vez que, a partir do pecado original, nos tornamos antagonistas da graça divina, a misericórdia de Cristo – que também consiste na sua vingança – age por meio do homem-Deus que “carrega no seu corpo e na sua alma todo o peso do mal”[1], para que sejamos livres. Deus vinga-se do diabo e, por conseguinte, da nossa miséria desta maneira: “Ele mesmo, na pessoa do Filho, sofre por nós”[2].

Com efeito, a realidade do amor divino, que ama o próprio inimigo ao ponto de sacrificar-se por ele, suscita grandes perguntas: por que Deus age desse modo? Qual é o seu propósito? A essas perguntas, podemos responder com outras: o que é a inimizade? E qual é o sentido da amizade? Santo Tomás de Aquino, numa definição muito simples, define a amizade como a comunhão do pensar e do querer: “Idem velle, idem nolle – querer as mesmas coisas e não querer as mesmas coisas”[3]. Isso supõe uma reciprocidade, a qual é desejada pelo próprio Cristo, quando nos fala: “Já não sois servos, mas amigos” (cf. Jo 15, 15). Diferentemente do que ensinavam os filósofos clássicos, Deus não só pode como anseia ser nosso amigo. Por outro lado, como atestamos, sobretudo, na figura de Judas, tendemos a corresponder a esse amor de maneira desastrosa: tendemos ao pecado. Todavia, Deus continua a amar-nos, entregando o Seu próprio Filho em nosso resgate. Amar, portanto, significa estar disposto a sofrer por alguém, como Jesus sofreu por nós. Significa carregar o peso da cruz. Seguindo essa lógica, conseguimos compreender o porquê de amar o nosso inimigo: devemos amar o nosso inimigo porque Deus nos ama. Diz São Paulo: “Amai-vos mutuamente com afeição terna e fraternal (...) abençoai os que vos perseguem; abençoai-os, e não os praguejeis” (Cf. Rm. 12, 10-14).

Amar o inimigo é, portanto, comportar-se com os outros como Deus se comporta conosco. Amém!

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