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166. O brado de Cristo

Aos judeus que duvidavam de sua natureza messiânica Jesus hoje responde com um brado ao mesmo tempo cheio de ternura e autoridade. "Enquanto ensinava no Templo", escreve São João, o Senhor "exclamou em alta voz: Eu não vim de mim mesmo, mas é verdadeiro Aquele que me enviou."

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
7, 1-2.10.25-30)

Naquele tempo, Jesus andava percorrendo a Galileia. Evitava andar pela Judeia, porque os judeus procuravam matá-lo. Entretanto, aproximava-se a festa judaica das Tendas. Quando seus irmãos já tinham subido, então também ele subiu para a festa, não publicamente, mas sim como que às escondidas.

Alguns habitantes de Jerusalém disseram então: "Não é este a quem procuram matar? Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias? Mas este, nós sabemos donde é. O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde ele é".

Em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo: "Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou". Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora.

O Evangelho de hoje nos leva à Festa dos Tabernáculos. O outono judaico há pouco começara — era, portanto, setembro — e, como as grandes celebrações em Israel, também a cerimônia das Tendas conduzia a Jerusalém uma enorme leva de peregrinos e judeus piedosos. Em memória de sua passagem pelo deserto, habitavam os filhos de Sião durante mais ou menos uma semana em pequenas barracas ('sucot') feitas de ramos, como o Senhor ordenara a Moisés (cf. Lv 23, 33-43). Ora, sendo o Messias de Israel, Cristo Jesus "tinha a obrigação de cumprir a Lei, executando-a em sua integridade até seus mínimos preceitos" (CIC 578). Por isso, também Ele parte para a cidade santa, "não publicamente, mas como que às escondidas", quando seus parentes já haviam subido para a festa. Lá, diz o Evangelista São João, só se discutia a seu respeito. "Uns diziam: 'É homem de bem'. Outros, porém, diziam: 'Não é; ele seduz o povo'. Ninguém, contudo, ousava falar dEle livremente com medo dos judeus" (Jo 7, 12s).

Na multidão, muitos ainda murmuravam entre si, com empáfia e incredulidade: "Não é este aquele a quem procuram matar? Todavia, ei-lo que fala em público e não lhe dizem coisa alguma. Porventura reconheceram de fato as autoridades que ele é o Cristo? Mas este nós sabemos donde vem. Do Cristo, porém, quando vier, ninguém saberá donde seja." É neste cenário que Nosso Senhor, desmascarando a soberba e a ignorância daqueles espíritos, responde com um tom algo irônico: "Ah! Vós me conheceis e sabeis donde Eu sou!... Entretanto, não vim de mim mesmo, mas é verdadeiro Aquele que me enviou, e vós não o conheceis." Os judeus julgavam, pois, saber quem era Jesus. "Afinal de contas", pensavam, "não é Ele o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe (cf. Mt 13, 55)? Não nos são conhecidos seus irmãos e suas irmãs? Como, então, vem dizer-nos coisas como: 'Desci do céu' (Jo 6, 45)? Ora, como poderia ser Ele o que há de vir? Acaso pode sair coisa boa de Nazaré (cf. Jo 1, 46)?"

O Senhor, no entanto, responde a esta falta de fé com um brado que desperta as nossas consciências, que penetra como lança de fogo o fundo da alma, que nos restitui à boa razão: "Jesus", Verbo eterno do Pai, veio a nós e "exclamou". Para crermos, nesse sentido, precisamos antes de tudo ouvir a própria Palavra de Deus que instantemente nos chama, que clama aos nossos ouvidos, que deseja romper a nossa surdez — "Vocasti et clamasti et rupisti surdidatem meam", confessa Santo Agostinho (Conf., XX, 27). Não fechemos o coração Àquele que conhece o Pai, porque é nEle que tem a sua origem e é dEle que recebeu a sua missão. Deixemo-lo abrasar o nosso espírito, brilhar diante dos nossos olhos e dissipar a nossa cegueira. Renovemos hoje a nossa fé e, em nossa oração mental, peçamos a tão amável Redentor que nos ajude a anelá-lo, a saborear com mais fervor a sua presença na Eucaristia. Que Maria Santíssima nos faça ter cada dia mais fome e mais sede de Jesus, alimento das almas santas, fonte de toda doçura e deleite.

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