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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 17, 7-10)

Naquele tempo, disse Jesus: “Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa?’ Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso poderás comer e beber?’ Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”.

1. Servos, não empregados. — O Evangelho de hoje nos ensina que somos servos inúteis (cf. v. 10). Mas o que é que Jesus quer nos ensinar, ao contar essa parábola que parece tão agressiva? “Não” — dirá alguém —, “como ‘servo inútil’? Nós temos utilidade; nós podemos fazer alguma coisa para Deus”. Entendamos, antes de tudo, o contexto. Em primeiro lugar, para entender essa parábola, nós precisamos ir à cultura da época de Jesus, que é muito diferente da nossa. Nós vivemos numa cultura em que existem direitos trabalhistas, carteira assinada, férias remuneradas etc. etc., e qualquer ingerência do patrão pode dar em processo. Mas, aqui, nós não estamos falando de uma relação de empregado-patrão; nós estamos falando, realmente, de um servo no sentido de escravo, de uma pessoa que é propriedade de outra. Não o estou dizendo para defender a escravidão, mas para explicar o contexto social da época de Jesus, na qual havia escravidão, pessoas pertencentes a outras, que por elas eram servidas. Havia, de fato, esse relacionamento de senhor e servo. Esse relacionamento, que para nós, homens, pode parecer injusto e indevido, é o correto para com Deus. Deus não é nosso “empregador”, Deus não nos contratou para lhe prestarmos um serviço: Deus é o nosso Senhor.

2. Nós somos de Outro. — É aqui que está, pois, o significado profundo desta parábola. Nós precisamos entender a realidade de que temos um dono: “Eu não me pertenço”. E é exatamente aqui que o mundo moderno tem dificuldade de entender a Deus e entender o nosso relacionamento com Ele. Nós, muitas vezes, nos aproximamos de Deus querendo estabelecer com Ele uma espécie de relação comercial, para fazer coisas “por merecer”, como um título para esperar um salário. Por isso começamos a nos apresentar ao altar como quem vem ao RH de uma empresa para exigir seus direitos: “Afinal”, pensamos, “eu fiz. Como agora vou ser retribuído?” Não só isso. Somos também muito cheios de autodeterminação, de autonomia, de sorte que qualquer um que pretenda entrar em nossa vida para pedir o que não queremos dar nos faz sentir violentados: “Não, não! Quem você pensa que é?!”, dizemos. Ora, tudo isso atrapalha o nosso relacionamento com Deus. O nosso relacionamento com Ele deve ser gratuito

3. Dívida de gratidão. — É Ele quem nos dá a vida, quem nos sustenta no ser. Ele é nosso benfeitor. Ele nos dá tudo, e a Ele nós tudo devemos: Ele nos deu a vida, na qual nos sustenta; Ele nos deu a fé, a graça, a amizade consigo. Dele recebemos tudo, absolutamente tudo, e a Ele nós devemos gratidão. Mas se nós, ao contrário, nos revoltarmos e começarmos a nos relacionar com Deus como se Ele fosse um patrão cruel, exigindo-lhe nossos “direitos”, estaremos pervertendo o nosso relacionamento com Ele; estaremos caminhando no mesmo e triste caminho de Lúcifer, num caminho de rivalidade com Deus. Ora, os santos do céu e os anjos que servem a Deus têm com Ele outro relacionamento, que é fonte de felicidade: Deus quer ser amado e servido com eucaristia, isto é, com ação de graças. Gratidão! gratidão! Nós tudo recebemos dele; somos servos inúteis. E por isso a nossa alegria é poder amar e servir a Ele, que é tão bom. Os santos chegaram a essa gratuidade por um toque da graça que fez muitos deles perceber que, ainda que não houvesse céu e a recompensa do paraíso, ainda que não houvesse inferno e os castigos eternos, ainda assim seria uma alegria muito grande amar e servir a Deus, por ser Ele quem é, e não pelo que dele se pode receber; não pelo inferno que se teme, mas pela bondade mesma daquele a quem amamos e servimos. Sim, somos servos inúteis.

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