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Homilia Dominical
31 Mai 2019 - 25:45

“Vou preparar-vos um lugar”

Assim como Nosso Senhor se elevou e “está sentado à direita do Pai”, também nós, pelo amor às coisas espirituais, somos chamados a viver a mesma elevação e habitar na mesma morada. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este domingo da Ascensão e recorde conosco o dia em que Jesus Ressuscitado subiu aos céus a fim de nos preparar um lugar, como Ele mesmo havia prometido.
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Homilia Dominical - 31 Mai 2019 - 25:45

“Vou preparar-vos um lugar”

Assim como Nosso Senhor se elevou e “está sentado à direita do Pai”, também nós, pelo amor às coisas espirituais, somos chamados a viver a mesma elevação e habitar na mesma morada. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este domingo da Ascensão e recorde conosco o dia em que Jesus Ressuscitado subiu aos céus a fim de nos preparar um lugar, como Ele mesmo havia prometido.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 24, 46-53)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.

Vós sereis testemunhas de tudo isso. Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”.

Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus.

O evento da ascensão do Senhor aos céus é celebrado na liturgia católica sempre numa quinta-feira, 10 dias antes da solenidade de Pentecostes. No Brasil, porém, por não ser feriado, esta solenidade transfere-se para o domingo seguinte, razão pela qual é aqui, numa homilia dominical, que devemos refletir sobre esse mistério.

1. Consideremos como, ao rezarmos a segunda parte do Credo, relacionado à Pessoa do Filho, depois de inúmeros eventos passados — “foi concebido”, “nasceu”, “padeceu”, “foi crucificado, morto e sepultado”, “desceu”, “ressuscitou”, “subiu aos céus” — e antes de um acontecimento futuro — “há de vir a julgar”, nós professamos que, no presente, Cristo “está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso”.

Ele só está à direita do Pai, no entanto, porque antes subiu aos céus; e Ele só subiu aos céus porque primeiro desceu, encarnando-se no seio da Virgem Maria e fazendo-se um de nós. Tenhamos em mente, pois, antes de mais nada, de quem estamos falando: Jesus de Nazaré é o “único mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2, 5), porque Ele mesmo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é a “ponte” por meio da qual todas as graças descem aos homens e todos os homens vão para Deus; nEle se realizou, de uma vez por todas, o casamento entre a divindade e a humanidade — união à qual a Igreja deu o nome de união hipostática, e que constitui, na expressão do Doutor Angélico, a máxima das uniões (cf. STh III, q. 2, a. 9).

2. Mas não é só isso. Nosso Senhor está nos céus ressuscitado, impassível, imortal, em corpo glorioso, diferentemente de quando assumiu a nossa forma na Encarnação. Todas as provações que Ele experimentou desde o seu nascimento em Belém até a sua morte em Jerusalém, todas as necessidades por que Ele quis passar durante sua estadia neste mundo, todas essas coisas foram vencidas por Ele e, depois de sua Ressurreição, já não mais o podem afetar. Trata-se, sem dúvida, de um grande mistério, como já dito, mas é o destino para o qual todos tendemos: Cristo ressuscitou dentre os mortos para que também nós, no fim dos tempos, ressuscitássemos com Ele. Assim como o corpo físico de Cristo foi transformado e tornou-se incorruptível, também nossos corpos, hoje sujeitos às vicissitudes desta terra, serão transformados e elevados.

Essa glória, entretanto, só se manifestará em nós na vida futura se aprendermos a sobrepôr, nesta vida, os bens espirituais à matéria caduca que acessam nossos sentidos. Afinal, olhando para a natureza, olhando para como “toda carne fenece como a erva” (Eclo 14, 18) — que hoje viceja e amanhã já está seca —, será que somos assim tão tolos para não perceber que “tudo o que é corruptível acabará por ser destruído” (Eclo 14, 20) e que, se existe algo de eterno, esse algo tem de ser espiritual? E se assim é, como não preferirmos ao cuidado deste corpo efêmero, que a terra há de comer, a preocupação com a nossa alma, que já logo após a morte irá experimentar ou a felicidade eterna no Céu ou a desgraça eterna no inferno?

3. Em suma, para sermos elevados com Cristo aos céus, é preciso que nos achemos, desde já, com os olhos voltados para as realidades celestes. É o que diz a oração da coleta da Missa da Ascensão, seja no rito antigo, seja no novo:

Concéde, quaésumus, omnípotens Deus, ut, qui hodiérna die Unigénitum tuum Redemptórem nostrum ad caelos ascendísse crédimus, ipsi quoque mente in caeléstibus habitémus. — Fazei, Senhor onipotente, que assim como acreditamos que neste dia o vosso Filho Unigênito e nosso Redentor subiu ao Céu, assim habitemos já nos Céus em espírito.

Fac nos, omnípotens Deus, sanctis exsultáre gáudiis, et pia gratiárum actióne laetári, quia Christi Fílii tui ascénsio est nostra provéctio, et quo procéssit glória cápitis, eo spes vocátur et córporis. — Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória.

“Assim habitemos já nos Céus em espírito”: o mistério que celebramos neste domingo tem a ver com uma pertença, pois o lugar das coisas que passam é este mundo, enquanto o das que não passam é o Céu — e é por isso que Nosso Senhor sobe até lá. A nós, igualmente, se vivermos não para os céus e a terra, que passarão, mas para a Palavra de Deus, que não passará jamais (cf. Mt 24, 35), ser-nos-á concedida a mesma elevação, junto à direita de Deus Pai todo-poderoso.

Jesus Cristo sobe aos céus, portanto, para preparar-nos um lugar, como Ele mesmo anunciara a seus discípulos: Vado parare vobis locum (cf. Jo 14, 2). Nós, se cremos nEle, não temos morada fixa neste mundo, somos estrangeiros aqui, passamos por esta vida como se nosso coração tivesse sido realmente arrancado do peito, pois Aquele a quem amamos deixou-nos nesta terra suspirando por Ele e desejando outra vida que não esta. Só na Eucaristia e no colóquio amoroso com Ele na oração é que encontramos descanso… donec venias, como dizemos na liturgia.

Tudo isso a olhos carnais parecerá inútil, mas, devidamente compreendido, é algo que dá sentido à nossa existência e muda por completo a orientação que damos às nossas vidas. Enquanto os homens e mulheres deste mundo tratam tão-somente das coisas deste mundo; enquanto as pessoas nesta terra preocupam-se apenas com efemérides, nostra autem conversatio in caelis est, “nós somos cidadãos dos céus” (Fp 3, 20). Ajamos, pois, com a nobreza de filhos de Deus e vivamos à altura desta identidade.

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