A adolescência, como vimos na aula passada, é um kairós, um tempo oportuno. Mais do que uma fase de explosões hormonais, é um período no qual se dão condições privilegiadas para a formação estável do caráter, para a estruturação do próprio mundo intelectual, afetivo e moral, e para a consolidação de diversos hábitos, tanto éticos quanto artísticos.
Antes, porém, de tratar da adolescência, vale a pena passar em revista a arquitetura funcional do cérebro humano, composta de níveis hierarquicamente distintos: o tronco encefálico, responsável pelas funções vitais; o sistema límbico, centro das respostas emocionais; e o córtex cerebral, sobretudo o neocórtex, sede de operações superiores como o juízo, a deliberação e o controle inibitório.
O que nos interessa não é tanto a distinção entre essas estruturas quanto a desigualdade cronológica de maturação entre elas. O sistema límbico, por exemplo, atinge um elevado grau de funcionalidade logo cedo. Já o neocórtex se desenvolve mais tardiamente e durante mais tempo, além de permanecer ao longo da adolescência em processo de reorganização sináptica.
Daí resulta a configuração própria desse período, no qual...








