Ao longo deste curso, buscamos compreender a adolescência à luz de descobertas recentes da neurociência, que põem por terra certas pré-concepções sociológicas que a reduzem de forma unilateral a uma “fase difícil”. Procuramos destacar assim a necessidade de maior rigor na formação dos próprios educadores, que precisam, hoje mais do que nunca, conhecer os processos de desenvolvimento neuropsicológico do adolescente, a fim de evitar reducionismos morais e diagnósticos imprecisos.
Vimos também que o amadurecimento do cérebro se estende muito além do que se supunha há até não pouco tempo. Estimativas recentes indicam que os mecanismos de autorregulação emocional e tomada de decisão continuam a se desenvolver, em média, até os 18 anos, prolongando-se às vezes até os 25. Por isso, é importante distinguir os comportamentos que se devem, em boa medida, à imaturidade neurológica própria da idade daqueles que constituem falhas morais em sentido estrito, evitando submeter todo e qualquer comportamento a uma valoração que nem sempre lhe convém.
Pais e educadores, mais do que concordar com o adolescente, devem sempre compreendê-lo. Ora, compreender implica, entre outras...









