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Seja um presente para os outros!
Espiritualidade

Seja um presente para os outros!

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Os consultórios e confessionários já estão cheios de pessoas reclamando de que não são amadas por ninguém. Não seja mais um. Abra seu coração ao verdadeiro amor de Deus e descubra como é bom se doar sem pedir nada em troca.

Equipe Christo Nihil Praeponere2 de Agosto de 2017
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A baixa autoestima é um problema que frequentemente aparece nas clínicas de psicologia como também nas direções espirituais. Por uma série de motivos — histórico familiar, personalidade melancólica, problemas de relacionamento social etc. —, muitas pessoas julgam-se a si mesmas de maneira pejorativa, pelo que acabam procurando ajuda psicológica ou espiritual, por conta também do sofrimento que essa condição humilhante acarreta.

As pessoas que têm baixa autoestima tendem a formar juízos severos sobre tudo o que fazem; suas qualidades são sempre vistas como inferiores às dos outros, ao passo que seus defeitos, por menores que sejam, ganham a proporção de um Golias. É como se vivessem sob o olhar vigilante de um juiz terrível 24 horas por dia.

Esse problema, por si só angustiante, pode tornar-se pior quando leva ao chamado perfeccionismo ou, como diriam os manuais de ascética, ao apetite desordenado pela própria excelência. Trata-se de uma busca insensata pela perfeição, cujo motor é o desejo de ser aceito e receber elogios, de modo que, se estes não vêm, a decepção e o repúdio por si mesmo só aumentam. Em suma, a pessoa sempre se enxerga como um fracasso.

Em sua Noite Escura, São João da Cruz adverte contra esse mal dizendo como, muitas vezes, os perfeccionistas "manifestam a Deus os grandes anseios que têm de que lhes tire suas imperfeições e faltas, mais para se verem em paz sem o mal-estar que elas causam do que por Deus" [1]. É que, tomados por um desordenado desprezo por si mesmos, veem a santidade como meio, não como meta, para alcançarem graça diante de Deus e dos homens. E, por isso, acabam se frustrando a cada falta cometida, percebendo o quanto são incapazes de amar.

Pessoas perfeccionistas ou com baixa autoestima têm uma visão errada do amor; não o veem como um dom gratuito, mas como algo que deve ser meritoriamente conquistado. Para as almas sedentas de santidade, essa distorção do amor é uma tentação grave, da qual o diabo se serve frequentemente e que pode arruinar muitos principiantes na vida de oração.

Com efeito, o primeiro remédio contra a baixa autoestima é a aceitação total e incondicional do amor de Deus. Na Última Ceia, Jesus expressou o máximo de seu amor rebaixando-se à condição de servo para lavar os pés de seus discípulos. Lavar os pés, para a cultura da época, era símbolo de serviço e submissão aos convidados de uma família. Quando os hóspedes chegavam, o anfitrião mandava seu servo lavar-lhes os pés, como gesto de acolhida ou cortesia. Pedro, perfeito conhecedor das tradições de sua cultura e percebendo o significado do gesto de Jesus, logo O censura, dizendo: "Senhor, Tu vai lavar-me os pés!" [...] "Não, nunca me lavarás os pés!" (Jo 13, 7-8).

Pedro ainda pensava como um perfeccionista: o amor deve ser merecido. Por isso repreende Cristo e não permite que lhe lave os pés. Jesus, então, responde: "Se não te lavar, não terás parte comigo" ( Jo 13, 8). É essa resposta de Jesus, cheia de misericórdia e sinceridade, que provoca a abertura de Pedro e a sua aceitação do amor. "Senhor, então não só os pés, mas também as mãos e a cabeça", diz comovido o príncipe dos apóstolos (Jo 13, 9).

Os que desejam crescer na vida de oração devem repetir aquelas palavras de Pedro. De fato, ninguém, por si mesmo, é merecedor do amor de Deus e trata-se de um dever de humildade reconhecê-lo. Mas, assim mesmo, o Senhor quer manifestar seu carinho aos seus filhos, acolhendo-os em suas fraquezas e tornando-os merecedores em Cristo. Semelhante a São Pedro, São Paulo também descobriu isso após sua conversão, de modo que suas preces partiam justamente de suas fraquezas: "Mas Ele me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo." (2 Cor 12, 9).

Notem que não há qualquer sinal de baixa autoestima nas palavras de São Paulo. Ele se sabe pequeno diante de Deus ao mesmo tempo em que reconhece a própria pequenez como seu maior dom. É por meio dela que o Senhor age em sua vida e na vida dos outros. É na sua fraqueza que ele se torna um presente para os demais irmãos de comunidade. Doa-se gratuitamente porque toda cobrança de afetos e reconhecimento perde sentido, uma vez que ele já possui o máximo amor; já teve seus pés, mãos e cabeça lavados por Jesus.

Outra, porém, é a atitude de Judas. Como todos os demais apóstolos, ele também teve seus pés lavados. Jesus o amou concretamente e em público para que não houvesse dúvida. Judas, no entanto, recusa-se a acreditar naquele amor e mantém-se resoluto em seu erro porque perdera a fé. Para o traidor, que passara boa parte de sua vida procurando um messias que lhe trouxesse libertação temporal, o discurso de Cristo sobre a vida eterna era "duro" demais; Judas cobra de Cristo um falso amor que Deus não lhe pode conceder.

Na verdade, a atitude de Judas é a de todos aqueles que desejam desesperadamente receber o amor do mundo sem se darem conta de que já possuem o amor mais sublime, que é o de Deus. É esse desejo desordenado que está na raiz de toda baixa autoestima e perfeccionismo. Querer ser amado merecidamente pelas coisas exteriores e temporais é um desvio gravíssimo, que só pode gerar frustrações e desespero. Daí a diferença gritante entre Pedro e Judas diante do pecado. Este se condena à forca porque não vê mais solução para o crime que cometera, ao passo que aquele, certo de que o Senhor o ama ainda mais na fraqueza, arrepende-se frutuosamente e inicia outra vez sua caminhada.

A fé no amor de Deus, "fundamento das coisas que se esperam, prova das coisas que não se veem" (Hb 11, 1), dá liberdade às pessoas para amarem umas às outras sem qualquer cobrança; pela fé, o cristão torna-se como que um presente para os irmãos. As pessoas com baixa autoestima, portanto, precisam, mais do que todas as outras, deixar-se lavar por Cristo para que, assim como São Pedro, possam irradiar a alegria do Evangelho e se tornar verdadeiros presentes. Esse acolhimento do amor de Deus pela fé é a mais eficaz e necessária das terapias.

Referências

  1. Jesús Martí Ballester. São João da Cruz: "Noite escura" lida hoje. São Paulo: Paulus, 1993, p. 40

Recomendações

  • Michel Esparza, A Auto-estima do Cristão. Trad. port. de Emérico da Gama. São Paulo: Quadrante, 2008.

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Cristãos encurralados na Bolívia
Comunismo

Cristãos encurralados na Bolívia

Cristãos encurralados na Bolívia

Denúncia: com o novo Código Penal boliviano, pregadores cristãos serão proibidos de evangelizar nos país de Evo Morales. Mas na mídia, dentro e fora do Brasil, nada se fala.

Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Janeiro de 2018
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Os cristãos estão encurralados na Bolívia. O novo Código Penal do país criminaliza com penas de 7 a 12 anos de prisão o recrutamento de pessoas para organizações religiosas ou de culto. Um verdadeiro atentado à liberdade religiosa. O que deveria constar das manchetes jornalísticas e chamadas televisivas, no entanto, só foi abordado até o momento pelo jornal Gazeta do Povo.

A íntegra da nova lei, promulgada no último mês de dezembro, encontra-se disponível na internet. O artigo em questão é o 88, inc. I, que criminaliza a trata de pessoas (em português, “tráfico”):

Será sancionada, com prisão de sete (7) a doze (12) anos e reparação econômica, a pessoa que, por si mesma ou através de terceiros, sequestrar, transportar, trasladar, privar de liberdade, acolher ou receber pessoas com alguns dos seguintes fins:

[...]

11. Recrutamento de pessoas para sua participação em conflitos armados ou em organizações religiosas ou de culto.

A advogada e professora Janaína Paschoal foi entrevistada pelo jornal Gazeta do Povo e qualificou esse dispositivo do novo Código Penal boliviano como “assustador” e “inaceitável”:

Ainda que não se utilize expressamente a terminologia da criminalização da religião, é óbvio que é isso o que o dispositivo está fazendo, porque inclusive equipara o exercício da religião à luta armada [...].

Uma vez entrando em vigor este Código, os líderes religiosos de quaisquer confissões — é importante que isso seja dito — passarão a ser presos. E as pessoas que professem as fés (sic), sejam elas quais forem, também passarão a ser presas, porque o dispositivo é extremamente aberto e fica evidente que está havendo uma criminalização. Isso é inaceitável, não só à luz das Constituições nacionais, mas à luz de todos os tratados internacionais. É o caso de denunciar, sim, aos tribunais internacionais. Ainda não tem uma lesão efetiva aos direitos fundamentais desses indivíduos, mas a própria edição dessa lei já constitui uma lesão.

É importante destacar que, embora o artigo em questão não especifique credo nenhum, em um país com maioria esmagadora de cristãos — um censo recente feito na Bolívia fala de 78% de católicos e 19% de protestantes —, não há dúvida de que o alvo pretendido por esta lei iníqua não é outro senão o cristianismo.

Os cristãos, por sua vez, captaram bem a mensagem do texto legal, como se pode ver nos vídeos abaixo:

Será talvez necessário explicitar qual a ideologia por trás desse atentado à liberdade religiosa? Por que Evo Morales pretende mandar à cadeia bispos, sacerdotes e pastores simplesmente por pregarem o Evangelho?

Uma comparação feita pelo sítio católico espanhol Actuall talvez nos ajude a entender melhor a natureza do problema. O que está acontecendo hoje na Bolívia se parece muito com atitudes tomadas por ditadores como Mao Tsé-Tung e Stálin, ambos comunistas. Não sem razão Evo Morales pertence a um partido denominado Movimiento al Socialismo e, à semelhança de outra ditadura da América Latina, pretende prolongar-se indefinidamente no poder. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Regimes comunistas nunca conseguiram conviver bem com a liberdade religiosa, muito menos com a religião cristã.

Esse mesmo Código Penal contém muitos outros absurdos — que estão levando inúmeros jovens bolivianos às ruas —, mas isso talvez fosse oportunidade para uma outra matéria. O que interessa saber, por ora, é que a perseguição ao cristianismo, já fortíssima em determinadas partes do mundo, agora começa a se expandir também para a América Latina, em países que fazem fronteiras com o nosso.

É evidente que ninguém está falando de decapitações e crucificações, como acontece em países islâmicos, mas o que se passa aqui, ao nosso lado, já é aterrorizante o suficiente e, como sabemos, é assim que as perseguições escancaradas e as grandes matanças começam.

Os cristãos estão sendo encurralados na Bolívia. Mas, curiosamente — alguns diriam —, tragicamente — dizemos nós —, nos meios de comunicação ninguém fala absolutamente nada.

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O caminho para a verdadeira felicidade começa em Nossa Senhora
Virgem Maria

O caminho para a verdadeira
felicidade começa em Nossa Senhora

O caminho para a verdadeira felicidade começa em Nossa Senhora

A devoção à Virgem Maria está no coração do cristianismo. Isso se deve ao fato de que o próprio Deus quis ter uma mãe para si, tornando a maternidade um conceito profundamente relacionado à cristandade.

Francis Phillips,  Catholic HeraldTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Janeiro de 2018
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Diz um antigo provérbio francês que “Deus amou tanto as mães que desejou ter uma também”. Há nisto um sentido tão sublime quanto humano. Quando penso em Nossa Senhora, não penso em seus títulos gloriosos ou nos impecáveis argumentos teológicos que os baseiam; vejo simplesmente uma Mãe. Enquanto Mãe de Deus e, portanto, Mãe da Igreja, Maria confere à fé cristã uma dimensão materna muito atraente, já que ela mesma foi total e belamente humana.

Nenhuma outra religião possui um ícone mais carinhoso do que ela. Anos atrás, em visita a uma exposição de arte asteca, fui surpreendido por sua violência latente e pelo fato de que o conceito “mãe e filho” não pertencia ao universo de referência dos astecas. Isso me fez lembrar o quanto esse conceito está profundamente relacionado à nossa civilização cristã. Prova disso são as grandes catedrais góticas a Maria, além das várias pinturas que a retratam.

Vislumbres da misteriosa força exercida pela personalidade de Nossa Senhora podem ser encontrados em “Regina Coeli: Artes e Artigos sobre a Virgem Maria”, do Pe. Michael Morris, um livro que reúne alguns de seus comentários mensais para a revista Magnificat. De acordo com ele, durante os séculos em que a arte religiosa dominou e floresceu no Ocidente, Nossa Senhora parece ter sido pintada tanto ou até mais mais do que seu divino Filho. Sua beleza espiritual, sua ternura maternal, sua nobreza de estado e conduta têm inspirado artistas a dar o máximo de si.

A Imaculada Conceição de Velázquez.

Não só isso. Nossa Senhora inspirou também devoções populares. De fato, a Arte com maiúscula não teria sentido sem o amor dos fiéis comuns à Virgem Santíssima. Em um de seus artigos, Pe. Morris descreve a Imaculada Conceição do pintor espanhol Velázquez. Morris afirma que, durante a Contra-Reforma na Espanha, havia um grande entusiasmo popular por esse privilégio mariano. Quando o Papa Pio V alinhou-se à defesa scotista da Imaculada Conceição, declarando como “menos piedosa” a opinião tomista segundo a qual Maria não teria sido concebida sem pecado, mas santificada no ventre, dispararam-se fogos de artifícios, dançaram-se carnavais, jogaram-se torneios e touradas por todo o país.

Na última noite do ano (ou nas vésperas da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, como dizemos os católicos), o som dos fogos reverberou por todo o meu bairro. É incrível que na sociedade de hoje os fogos ainda sejam usados para celebrar uma obscura, ao menos em aparência, crença católica; o espírito de fé que animou os espanhóis do século XVII, afinal, já acabou.

Em seu livro, Pe. Morris menciona ainda a presença de S. Bárbara na Madona Sistina, de Rafael. Acredita-se que S. Bárbara, aprisionada em uma torre pelo pai, um pagão, tenha dado origem à fábula de Rapunzel. J. R. R. Tolkien, citado no livro do Pe. Morris, disse certa vez: “Toda minha percepção de beleza, tanto em majestade quanto em simplicidade, é fundada em Nossa Senhora”. A boa notícia é que, graças ao consentimento dela para se tornar Mãe de Deus, todos podemos, como na história de Rapunzel, “viver felizes para sempre”.

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Os livros de fantasia podem nos fazer mal?
Doutrina

Os livros de fantasia
podem nos fazer mal?

Os livros de fantasia podem nos fazer mal?

“A fantasia pode, é claro, ser levada ao excesso”, e é o próprio Tolkien, autor de “O Senhor dos Anéis”, quem o reconhece. “Mas de que coisa humana neste mundo caído isso não é verdade?”

Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Janeiro de 2018
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O curso ao qual Padre Paulo Ricardo está dando andamento sobre “O Senhor dos Anéis dá ocasião de respondermos a alguns questionamentos importantes. Em nossa primeira transmissão ao vivo, uma dúvida anônima, que é certamente a de muitas pessoas, versava o seguinte:

Para aquelas pessoas que não perceberam e não sabem desta chave de leitura cristã de “O Senhor dos Anéis”, até que ponto mergulhar nesse mundo fictício contribuiria para seu desenvolvimento espiritual cristão? E como um mundo mágico desta natureza e que encanta, poderia não abrir os corações dos jovens para uma nova filosofia de vida mágica, de mistérios e poderes ocultos, nesta sociedade do “tudo, menos Deus”?

A preocupação deste aluno podia muito bem ser a de um pai ou de um educador. Existe por parte de muitos formadores o receio de que essa imersão na literatura fantástica acabe conduzindo crianças e adolescentes ao mundo do ocultismo.

A preocupação, reconheçamos, tem sua razão de ser. Tolkien iniciou, de fato, todo um gênero literário, que ficou bastante famoso e que se tornou uma verdadeira indústria de livros, mas isso não significa que tudo quanto saia da pena de escritores de fantasia seja belo, bom e justo.

A esta indagação, no entanto, o próprio J. R. R. Tolkien respondeu, certa vez, do seguinte modo:

A Fantasia pode, é claro, ser levada ao excesso. Pode ser malfeita. Pode ser posta a serviço de fins maus. Pode mesmo iludir as mentes das quais veio. Mas de que coisa humana neste mundo caído isso não é verdade? Os homens conceberam não apenas elfos, mas imaginaram deuses, e os adoraram, adoraram mesmo aqueles mais deformados pelo próprio mal de seus autores. Mas eles fizeram falsos deuses com outros materiais: suas idéias, suas bandeiras, seus dinheiros; até suas ciências e suas teorias sociais e econômicas exigiram sacrifício humano. Abusus non tollit usum. A Fantasia permanece um direito humano; criamos na nossa medida e ao nosso modo derivativo, porque fomos criados: e não apenas criados, mas criados à imagem e semelhança de um Criador. [1]

Esperamos que essa resposta esclarecedora, vinda do próprio “senhor da fantasia”, ajude nossos alunos e visitantes a entenderem que histórias de ficção não são más em si mesmas, assim como não é mau o facão que um açougueiro pode usar tanto para cortar carne quanto para matar alguém, assim como não é mau o álcool do vinho que Cristo deu aos convidados das bodas de Caná (cf. Jo 2, 1-11).

Não, o abuso que muitos fazem de determinadas coisas não as torna ruins. Continuamos devendo usar de modo sensato os bens que Deus colocou à nossa disposição. Sem os endeusarmos. Sem os demonizarmos indevidamente. “Idolatria se comete”, afinal, “não somente pela instituição de falsos deuses, mas também, pela instituição de falsos demônios; fazendo os homens temerem a guerra e o álcool, ou a lei econômica, quando eles devem temer a corrupção espiritual e a covardia” [2].

Referências

  1. J. R. R. Tolkien. Sobre histórias de fadas (trad. de Ronald Kyrmse). São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2006, p. 63.
  2. G. K. Chesterton. In: Illustrated London News, 11 set. 1909.

Recomendações

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Tolkien e os católicos inteligentes
Igreja Católica

Tolkien e os católicos inteligentes

Tolkien e os católicos inteligentes

O catolicismo é o pai da alta cultura e não há religião no mundo que tenha entre os seus adeptos mentes tão brilhantes, que souberam converter estudo em oração, como a Igreja Católica.

Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Janeiro de 2018
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Quando C. S. Lewis conheceu J. R. R. Tolkien durante uma reunião na Universidade de Oxford, a 11 de maio de 1926, o autor de As Crônicas de Nárnia ainda era agnóstico e não considerava o cristianismo puro e simples. Ao contrário, Lewis desprezava a religião e, para ele, parecia absurdo que Tolkien fosse um homem tão inteligente e, ao mesmo tempo, um católico devoto.

O preconceito de Lewis contra o cristianismo — e particularmente contra a Igreja Católica — era algo bastante comum naquela época, sobretudo entre intelectuais ingleses. Famosos foram os debates entre H. G. Wells e G. K. Chesterton acerca da razoabilidade do credo cristão e de como a ortodoxia católica está na vanguarda das ciências e da filosofia. Embora o Iluminismo tenha espalhado uma visão obscurantista da cristandade, o fato é que a Igreja Católica fundou a civilização ocidental e lançou as bases do progresso científico atual.

C. S. Lewis, o autor de “As Crônicas de Nárnia”.

A versão iluminista da história prevaleceu, entretanto, fazendo com que o cristianismo fosse visto como uma tolice. Para Lewis, esse preconceito só desapareceu pela proximidade com Tolkien, que jamais se envergonhou da própria fé nem tentou se adequar a discursos laicistas para manter-se na universidade. Tolkien falava abertamente da Igreja em suas conferências, demonstrando, com argumentos e eloquência, por que a doutrina de Jesus Cristo é a verdadeira religião.

A vida intelectual de J. R. R. Tolkien é uma pedra de tropeço para quem não acredita em fé e razão. Desde muito cedo, o autor de O Senhor dos Anéis demonstrou habilidades para a carreira acadêmica, e sua mãe, Mabel, fez o possível para assegurar-lhe uma educação decente, que o capacitasse para a entrada na universidade. Quando, mais tarde, Tolkien teve de escolher entre a paixão e os estudos, aceitou o sacrifício de ficar três anos longe da namorada, Edith Bratt, para conseguir dedicar-se à faculdade.

Na academia, Tolkien logo se destacou pela qualidade de suas aulas e pela simplicidade com que tratava os demais professores e estudantes. “Havia um senso de civilização, uma lucidez cativante e uma sofisticação”, disse um de seus alunos, o escritor Desmond Albrow, sobre as lições do professor. Na verdade, Tolkien encarnava as suas leituras de maneira exuberante, como se estivesse em um teatro, levando a plateia a viver os dramas dos personagens. Era algo memorável.

É claro que toda essa vivacidade não passaria despercebida aos olhos de Lewis, que, diante daquele “estranho paradoxo” — um católico inteligente?! —, acabou obrigado a questionar-se sobre os fundamentos do cristianismo. Tolkien, aliás, sentiu-se particularmente responsável pela conversão do amigo, motivo pelo qual se reuniram várias vezes em pubs, para longas tertúlias sobre a autenticidade da vida de Cristo. Lewis, enfim, descobriu que Jesus não era apenas uma lenda do passado, mas uma Pessoa viva que transformou as verdades dos mitos em carne e História.

O caso de J. R. R. Tolkien não é um ponto fora da curva na história da Igreja, mas apenas um entre tantos na longa tradição cristã, que vai de Agostinho e Tomás de Aquino a nomes mais recentes como G. K. Chesterton, Edith Stein, Léon Bloy e Dietrich von Hildebrand. No Brasil do século XX, por exemplo, merecem destaque padre Leonel Franca e Gustavo Corção, que produziram obras de grande proveito intelectual e religioso.

Todos levaram a sério o que São Josemaria Escrivá ensinava acerca do estudo: “Se tens de servir a Deus com a tua inteligência, para ti estudar é uma obrigação grave” (Caminho, n. 336). Ademais, os católicos estão obrigados ao estudo porque por ele, diz Santo Tomás, “o homem aproxima-se o mais possível da semelhança de Deus, o qual fez todas as coisas sabiamente” (Suma Contra os Gentios, II, 1).

Não é surpresa alguma, portanto, que entre os intelectuais mais importantes da sociedade estejam católicos piedosos. C. S. Lewis teve a chance de descobrir isso de uma maneira excepcional. De fato, o catolicismo é o pai da alta cultura e não há religião no mundo que tenha entre os seus adeptos mentes tão brilhantes, que souberam converter estudo em oração, como a Igreja Católica.

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