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Homilia Dominical
16 Jan 2015 - 27:09

A experiência de Deus

O homem precisa experimentar o Amor para que possa respondê-lO. Como isso ocorre? Conforme nos indica Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica, experimentamos o amor de Deus, isto é, o Espírito Santo, por meio da ação do Verbo encarnado.
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Homilia Dominical - 16 Jan 2015 - 27:09

A experiência de Deus

O homem precisa experimentar o Amor para que possa respondê-lO. Como isso ocorre? Conforme nos indica Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica, experimentamos o amor de Deus, isto é, o Espírito Santo, por meio da ação do Verbo encarnado.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João
(Jo 1,35-42)

Na narrativa do Evangelho deste domingo, é apresentada a semana inaugural do ministério público de Jesus, que deve culminar nas Bodas de Caná. São João Batista está outra vez com seus discípulos e, vendo Jesus passar, diz: "Eis o Cordeiro de Deus!" O profeta já havia testemunhado sua fé, como conta o evangelista em passagens anteriores. Às suas palavras, os discípulos João e André respondem colocando-se imediatamente no seguimento de Jesus. Eles o interrogam: "Rabi (que quer dizer: Mestre), onde moras?" E Ele lhes diz: "Vinde ver."

O evangelista São João descreve o seu primeiro encontro com Jesus, a primeira experiência de Deus. Comentando essa passagem, Santo Tomás de Aquino faz-nos enxergar a importância do testemunho de São João Batista para o encontro de seus dois discípulos com Jesus [1]. Diferentemente dos apóstolos e de Cristo, João Batista não tem sinais e milagres que confirmem sua pregação. O que dá respaldo às suas palavras é tão somente a santidade de vida. Ele arrastava multidões com o exemplo. Por isso, não o vemos nas narrativas evangélicas pregando em outras cidades. Isso seria inoportuno, explica Santo Tomás de Aquino. Por não ter sinais, convinha-lhe um ministério discreto e silencioso. As pessoas é que iam buscá-lo. Aqui, Santo Tomás de Aquino revela-nos o belo contraste entre a evangelização dos padres e a dos leigos. Os sacerdotes, quando pregam, estão acompanhados pelos sinais dos sacramentos. Têm milagres. Os leigos, por sua vez, profetizam com a própria vida, assim como João Batista. É a sua experiência de Deus o milagre para a vida dos outros.

A pregação de João Batista tem ainda uma outra particularidade, se comparada à dos profetas do Antigo Testamento e à dos apóstolos: Ele fala sobre o presente. No Antigo Testamento, os profetas falavam sobre as promessas futuras, ao passo que os apóstolos, na Nova Aliança, falavam sobre o que já havia acontecido. João Batista encontra-se no meio desses dois pólos. Fala agora: "Eis o Cordeiro de Deus!" Apresenta algo admirável, porque se trata de um cordeiro que, morrendo, mata o leão. Como o pai da noiva a conduz ao noivo, João Batista faz as vezes de paraninfo, diz Santo Tomás, levando-nos como Igreja até o esposo Jesus.

Se, seguindo as observações de Santo Tomás, observarmos os vários níveis de interpretação das Sagradas Escrituras, encontraremos toda a riqueza do Evangelho deste domingo. No sentido literal, vemos os discípulos perguntarem a Jesus: "Rabi, onde moras?" Não se trata de uma simples curiosidade. Eles, de fato, queriam estar ao lado de Jesus. O sentido alegórico, além disso, recordá-nos que a casa de Deus é o céu e que, somente através de uma adesão verdadeira aos seus ensinamentos, poderemos encontrá-lo. Os discípulos queriam que Jesus os conduzisse ao céu. E, por último, temos o sentido moral, em que se revela a forma como devemos nos comportar para ganharmos o prêmio divino.

Tudo se resume à experiência de Deus. O homem precisa experimentar o Amor para que possa respondê-Lo. Como isso ocorre? Conforme nos indica Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica, experimentamos o amor de Deus, isto é, o Espírito Santo, por meio da ação do Verbo encarnado [2]. Ele é o expirador, por assim dizer. Jesus nos concede um conhecimento com amor, diz Santo Agostinho, quando meditamos seus mistérios e enxergamos tudo o que foi feito pela nossa salvação, desde a manjedoura até a cruz e a ressurreição. Assim o salmista reza: "Em minha meditação, um fogo se acende." (Sl 38, 4) Esse fogo é a verdadeira sabedoria, a sapida scientia — ciência saborosa. Mas para que esse fogo se acenda e as pessoas o procurem, faz-se necessário, como se fez na vida de João e André, o testemunho de um santo. O Evangelho de hoje, portanto, obriga-nos a buscar a santidade, a fim de que os homens creiam e experimentem o amor de Deus.

Referências

  1. Santo Tomás de Aquino, Comentário ao Evangelho de São João, Cap. 1, lição número 15.
  2. Suma Teológica, I, q. 43, a. 5
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