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Conheça os sacramentos da Igreja com o Padre Paulo Ricardo

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 11,29-32)

Naquele tempo, quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas.
Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará juntamente com os homens desta geração e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão.
No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas”.

No Evangelho de hoje, Jesus entra em debate com a multidão que o segue porque já está há um bom tempo preparando as pessoas para ter verdadeira e profunda fé. Ele já decidiu ir para Jerusalém. Estamos no capítulo 11 de São Lucas e, no capítulo 9, Jesus decide com toda a firmeza que vai subir para Jerusalém para ali morrer pelos nossos pecados. Toda a missão de Jesus aqui na terra está bem decidida, bem firme naquilo que é o propósito de Deus, naquilo que é a missão para a qual Ele veio.

No entanto, o povo parece não compreender, ou seja, Jesus não está vendo naquele povo a fé que Ele esperava. É aqui que está a grande decepção: Jesus fez milagres, apresentou ao povo ensinamentos sublimes e expulsou os demônios, mas para que tudo isso? Para que a multidão cresse e compreendesse quem Ele era.

A grande mensagem de Jesus não é o que Ele faz, mas quem Ele é. Essa é a grande pergunta: Quem é Jesus? Sobretudo, quem é Jesus na minha vida? O que conhecer Jesus altera na minha vida? Jesus veio para nos resgatar, veio para mudar nossa vida para que tivéssemos um relacionamento com Ele.

O povo, ao contrário, o que faz? Vai atrás de Jesus, mas na verdade o que eles querem são milagres. Jesus, um pouco desolado diante dessa situação de falta de fé, diz que “essa geração má busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado”, ou seja, estão querendo milagres, mas os milagres apontam para Jesus, e eles se recusam a olhar para Jesus.

Então, Jesus não tem mais por que fazer milagres. Os milagres perderam a sua função, e isso nos leva a nos questionarmos: por que nós vamos à igreja, pedimos a Deus que ouça as nossas preces e que intervenha em nossas vidas?

Quem de nós já não pediu um milagre, já não pediu uma cura prodigiosa, já não pediu uma intervenção divina diante de uma necessidade, e Deus, de forma generosa, bondosa e misericordiosa, muitas vezes ouve os nossos rogos, escuta os nossos pedidos, atende às nossas orações? Mas Ele faz isso esperando que nós olhemos para o seu coração. Ou seja, o Deus dos dons espera que nós não fixemos os nossos olhos apenas nos seus dons, mas olhemos para o seu coração, de onde brotam esses dons, pois é lá que está a nossa salvação, a nossa felicidade. Deus quer que nós o amemos porque sabe que serão felizes aqueles que o amarem.

Imagine aqui a situação de uma noiva — essa comparação é usada pelo próprio Santo Agostinho — uma noiva que recebe do seu noivo um presente — quem sabe um anel de noivado —  e acaba se esquecendo do noivo.

Vamos imaginar que o noivo vem visitá-la, bate à porta; a serva vai até a porta para ver quem é e diz: “Fulana, o seu noivo está aqui”, e a noiva, louca, enfatuada com o anel, apaixonada pelo dom e esquecida do noivo, diz: “Diga para ele que agora estou ocupada, estou aqui olhando para o anel”. Nós olhamos para os dons de Deus e esquecemos o Deus dos dons. Nós somos essa noiva insensata que, hipnotizada pelo presente que ganhou, esquece o coração de onde saiu aquele presente.

Jesus, neste Evangelho, está olhando para a multidão e enxergando que, na dureza do coração dessa multidão, eles não são capazes de enxergar que os dons que Ele deu, os milagres que Ele operou e os prodígios que Ele realizou são sinais, que apontam para o seu Coração bondoso, misericordioso e amoroso. É movido por esse Coração, por essas chamas de amor, essa fornalha ardente de caridade que Nosso Senhor sobe a Jerusalém para se oferecer em sacrifício por nós.

Por isso, o derradeiro sinal — o sinal inequívoco que Ele quer oferecer — é o sinal de Ele morrer na Cruz e, ao terceiro dia, ressuscitar, como Jonas que ficou três dias no ventre da baleia. Se não entendemos o sinal do amor de Cristo na Cruz, o sinal do seu amor subindo para Jerusalém, então serão baldados os esforços de chegarmos a Ele através de pequenos milagres, pequenas dádivas, pequenos dons.

Façamos o nosso exame de consciência: não somos nós como essa multidão que se reuniu em grande quantidade ao redor de Jesus, mas que procura os dons de Deus, mas rejeita o Deus dos dons?

Entreguemos a nossa vida a Jesus. Façamos de nossa vida um dom para Ele, e então tudo fará sentido, vai ser sensato, vai ter uma razão de ser; e nós, com Ele, subiremos não somente a Jerusalém, mas para o Céu e para a glória que Ele preparou para nós.

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