Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 3, 20-21)
Naquele tempo, Jesus voltou para casa com os discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si.
Celebramos hoje, com grande alegria, a memória de um grande Doutor da Igreja, São Francisco de Sales. Deus, em sua infinita misericórdia, sempre dá à sua Igreja os santos dos quais ela mais tem necessidade em cada geração.
No século XVI, a Igreja viveu uma das suas maiores crises espirituais: após a peste negra, não havia quem ensinasse o caminho da santidade, pois havia grande ignorância e decadência moral no clero, cenário este que deu origem depois à Reforma Protestante. Para combater a Reforma Protestante, Deus enviou-nos santos extraordinários, como Santo Inácio de Loyola, Santa Teresa d’Ávila e São Filipe Neri.
Depois, numa segunda geração depois da Reforma, Deus abençoou a Igreja com São Francisco de Sales, que foi nomeado bispo no coração do calvinismo, em Genebra, inclusive, tendo conhecido o sucessor de Calvino.
Através de muitos tratados, panfletos e sermões pregados, São Francisco de Sales conseguiu defender a fé católica e trazer de volta para a Igreja milhares de calvinistas, mas isso lhe custou muitas perseguições e sofrimentos. No entanto, ele se tornou Doutor da Igreja não apenas por isso, mas principalmente porque soube cuidar da vida espiritual dos leigos e das religiosas de sua congregação — das Visitandinas, cujo carisma era levar uma vida de oração profunda —, conduzindo essas almas verdadeiramente para o caminho da santidade.
É mundialmente conhecido o seu livro Filoteia - Introdução à vida devota, em que ele explica como crescer na vida espiritual. Inicialmente, esse livro tinha sido escrito como um tratado pessoal a uma dirigida espiritual leiga, mas o seu conteúdo era tão maravilhoso que muitas pessoas pediram que ele o publicasse. Assim, o livro tornou-se um sucesso ainda durante a vida de São Francisco de Sales, de modo que ele, então, pôde escrever um outro bem mais sistemático: o Tratado do amor de Deus, que, apesar de ser menos conhecido, é bem mais profundo e foi escrito para as monjas visitandinas.
Aqui percebemos claramente como esse grande Doutor da Igreja soube conduzir as almas em seus vários estados de vida, tanto de religiosos consagrados como de leigos no mundo. E qual é a característica especial da espiritualidade de São Francisco? O seu imenso amor a Deus, que é típico de toda espiritualidade cristã, mas que precisava ser enfatizado em sua época, na qual as pessoas viviam a mera obediência aos Mandamentos. Apesar de todas as dificuldades, São Francisco de Sales destacou a necessidade de cultivar um amor sem medidas.
Essa generosidade vem da ação do Espírito Santo em nossos corações. Movidos pelo Paráclito, temos a possibilidade de amar a Deus ainda neste mundo. Quando São Francisco de Sales tinha dezoito anos, ele viveu uma intensa crise espiritual pensando que seria condenado ao Inferno. Então, ele humildemente pediu a Deus: “Senhor, se eu não vou vos amar no Céu, dai-me pelo menos a graça de vos amar aqui na terra”, e, desse modo, ele foi curado de sua crise.
Portanto, peçamos a Deus um coração tão nobre e puro como o de São Francisco de Sales, a fim de que, em meio a tantos pecados e malícias, possamos sempre cumprir a vossa santa vontade e, como dizia Santo Agostinho, amar com um amor sem medidas.




























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