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Duros de coração

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos(Mc 16, 9-15) Depois de ressuscitar, na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. Quando ouviram que ele estav...

Homilia Diária
2 Abr 2016 - 05:04

Duros de coração

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos(Mc 16, 9-15) Depois de ressuscitar, na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: "Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!" O Evangelho da Missa nos apresenta hoje uma recapitulação das aparições que Cristo fez aos seus discípulos depois de ressuscitado. De forma bem compendiosa, São Marcos nos relata algumas das principais manifestações de Jesus: primeiro, a Maria Madalena; em seguida, aos discípulos que iam a Emaús; por fim, aos onze Apóstolos. Nesta última aparição, o Senhor lhes repreendeu tanto a falta de fé, ἀπιστία, quanto a dureza de coração, σκληροκαρδία (cf. Lc 24, 25), por não haverem dado crédito àqueles que O viram ressuscitado (cf. Lc 24, 11.41): "Et exprobravit incredulitatem eorum et duritiam cordis, quia his qui viderant eum resurrexisse non crediderant". Notamos aqui, antes de tudo, que o Cristo Ressuscitado não deixa de ser o Cristo que nos incomoda e corrige, que nos ama e deseja a todo custo a nossa conversão. Repreendeu-lhes, em primeiro lugar, a falta de fé, porque o não crer em Deus, que não se engana e não engana ninguém, é, de fato, uma atitude culpável. Com efeito, Santo Tomás de Aquino nos faz saber que, embora não seja próprio da natureza humana ter a fé, dom sobrenatural, todos os homens têm inscrito em si o grave dever de submeter-se a Deus, não se opondo nem às inspirações interiores, nem à pregação da verdade (cf. Sum Th. II, q. 10, a. 1, ad 1). Por isso, o se terem obstinado na incredulidade diante de tantos e tão abundantes sinais e testemunhos a favor da verdade da Ressurreição foi, para os Onze, o principal motivo da dura repreensão que lhes dirigiu o Senhor: "Et exprobravit incredulitatem eorum". Em seguida, censurou-lhes a dureza de coração, porque ouviam as coisas de Deus com indiferença e falta de fé. De toda parte lhes vinham testemunhas dizer que o Senhor ressuscitara; eles, porém, julgavam tudo um delírio e em ninguém acreditavam: "Et visa sunt ante illos sicut deliramenta verba ista" (Lc 24, 11). Portavam-se pois com o mesmo estouvamento, com a mesma tolice que o faraó, cujo coração de pedra nem dez pragas puderam quebrar (cf. Ex 4, 21; 10, 27; 11, 9). Jesus nos avisa, assim, que também nós, se descurarmos do amor e nos deixarmos arrastar pela "rotina", podemos acabar de coração endurecido, "habituados" às coisas divinas, desgostosos do combate espiritual, indiferentes à graça dos Sacramentos. Não deixemos de pedir em cada oração a graça de crescermos na fé. Peçamos também a Santa Maria que nos alcance a fortaleza e a constância para nos mantermos sempre fieis a Cristo e à sua Igreja. Nós, que temos a graça de viver a vida divina que circula na Igreja de Nosso Senhor, temos de tornar-nos sinais do amor ardente e da alegria sincera que faz palpitar o coração dos verdadeiros crentes.
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Homilia Diária - 2 Abr 2016 - 05:04

Duros de coração

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos(Mc 16, 9-15) Depois de ressuscitar, na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: "Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!" O Evangelho da Missa nos apresenta hoje uma recapitulação das aparições que Cristo fez aos seus discípulos depois de ressuscitado. De forma bem compendiosa, São Marcos nos relata algumas das principais manifestações de Jesus: primeiro, a Maria Madalena; em seguida, aos discípulos que iam a Emaús; por fim, aos onze Apóstolos. Nesta última aparição, o Senhor lhes repreendeu tanto a falta de fé, ἀπιστία, quanto a dureza de coração, σκληροκαρδία (cf. Lc 24, 25), por não haverem dado crédito àqueles que O viram ressuscitado (cf. Lc 24, 11.41): "Et exprobravit incredulitatem eorum et duritiam cordis, quia his qui viderant eum resurrexisse non crediderant". Notamos aqui, antes de tudo, que o Cristo Ressuscitado não deixa de ser o Cristo que nos incomoda e corrige, que nos ama e deseja a todo custo a nossa conversão. Repreendeu-lhes, em primeiro lugar, a falta de fé, porque o não crer em Deus, que não se engana e não engana ninguém, é, de fato, uma atitude culpável. Com efeito, Santo Tomás de Aquino nos faz saber que, embora não seja próprio da natureza humana ter a fé, dom sobrenatural, todos os homens têm inscrito em si o grave dever de submeter-se a Deus, não se opondo nem às inspirações interiores, nem à pregação da verdade (cf. Sum Th. II, q. 10, a. 1, ad 1). Por isso, o se terem obstinado na incredulidade diante de tantos e tão abundantes sinais e testemunhos a favor da verdade da Ressurreição foi, para os Onze, o principal motivo da dura repreensão que lhes dirigiu o Senhor: "Et exprobravit incredulitatem eorum". Em seguida, censurou-lhes a dureza de coração, porque ouviam as coisas de Deus com indiferença e falta de fé. De toda parte lhes vinham testemunhas dizer que o Senhor ressuscitara; eles, porém, julgavam tudo um delírio e em ninguém acreditavam: "Et visa sunt ante illos sicut deliramenta verba ista" (Lc 24, 11). Portavam-se pois com o mesmo estouvamento, com a mesma tolice que o faraó, cujo coração de pedra nem dez pragas puderam quebrar (cf. Ex 4, 21; 10, 27; 11, 9). Jesus nos avisa, assim, que também nós, se descurarmos do amor e nos deixarmos arrastar pela "rotina", podemos acabar de coração endurecido, "habituados" às coisas divinas, desgostosos do combate espiritual, indiferentes à graça dos Sacramentos. Não deixemos de pedir em cada oração a graça de crescermos na fé. Peçamos também a Santa Maria que nos alcance a fortaleza e a constância para nos mantermos sempre fieis a Cristo e à sua Igreja. Nós, que temos a graça de viver a vida divina que circula na Igreja de Nosso Senhor, temos de tornar-nos sinais do amor ardente e da alegria sincera que faz palpitar o coração dos verdadeiros crentes.

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