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1190. Humildade: um remédio contra as distrações

A oração é um exercício de humildade e perseverança: humildade de encontrar-se com a própria miséria, sem ilusões e vaidosas expectativas; e de perseverança em não se deixar desanimar pelas dificuldades do caminho.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 6, 1-6.16-18)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus.

Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que, a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.

Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade, vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.

Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade, vos digo: Eles já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”.

No Sermão da Montanha, ao abordar o gravíssimo dever da oração, Cristo nos ensina a fugir, antes de tudo, à jactância dos fariseus e aos discursos excessivos dos pagãos (v. 5-8); por fim, propõe-nos o mais perfeito modelo de oração vocal, que é o Pai-nosso (v. 9-15).

Vícios a serem evitados na oração (v. 5-8). — São dois, como dito acima: a ostentação e os discursos em excesso. O Evangelho de hoje nos fala apenas do primeiro. Com efeito, os hipócritas amam ir às “sinagogas e esquinas das praças” (ἐν ταῖς γωνίαις τῶν πλατειῶν), isto é, aos lugares mais conspícuos e frequentados, e ali “rezar de pé”, segundo o rito judaico (cf. 1Sm 1, 26; 2Sm 8, 22; Mc 11, 25; Lc 18, 11.13), “para serem vistos pelos homens” e louvados por sua aparência de devoção, reverência e oração frequente. “Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto”, isto é, foge a esta vã ostentação de religiosidade, “fecha a porta, e reza” em segredo. Com isso, Jesus não condena o costume de rezar em público ou em comunidade, mas a intenção de o fazer apenas para ser visto pelos outros. Assim, “o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”, como se Ele mesmo se fizesse devedor dos que, buscando orar bem, o honram com uma oração sincera e humilde.

Humildade e oração. — Ora, esta humildade que o Senhor nos recomenda de forma expressa contra a vaidade dos fariseus se aplica não só à discrição com que devemos rezar exteriormente, mas também à perseverança com que devemos suportar, ao longo de toda a nossa caminhada espiritual, problemas como a aridez e as distrações. Temos de ser conscientes de que a oração, para ser um encontro com a misericórdia de Deus, deve ser antes um encontro com a nossa própria miséria. O Senhor resiste aos soberbos, como diz a Escritura, mas dá sua graça aos humildes, isto é, aos que dele se aproximam rebaixados, sem presunções nem uma elevada e desmedida estima das próprias qualidades, confiantes não na própria virtude e devoção, mas única e exclusivamente no auxílio da graça divina. Se queremos que a nossa oração encontre em Deus bons ouvidos e que Ele nos vá levando, a pouco e pouco, pelas sendas da perfeição cristã, não assumamos ares presumidos nem pensemos que, de um dia para outro, nos tornaremos tão perfeitos como os maiores santos. Sejamos, pois, humildes na nossa oração diária: seja ela constante, simples, humilhada, como uma confissão diária da nossa impotência e total dependência do beneplácito e das graças de Deus. E o nosso Pai, que vê o nada que somos, virá em socorro da nossa pobreza.

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