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290. Jesus e a mulher cananeia

Texto do episódio

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
15, 21-28)

Naquele tempo, Jesus retirou-se para a região de Tiro e Sidônia. Eis que uma mulher cananeia, vindo daquela região, pôs-se a gritar: "Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim: minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!" Mas, Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Então seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: "Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós".

Jesus respondeu: "Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel". Mas, a mulher, aproximando-se, prostrou-se diante de Jesus, e começou a implorar: "Senhor, socorre-me!" Jesus lhe disse: "Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos". A mulher insistiu: "É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!" Diante disso, Jesus lhe disse: "Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!" E desde aquele momento sua filha ficou curada.

Hoje, o Evangelho nos coloca diante daquele belo e ao mesmo tempo desconcertante episódio em que uma piedosa mãe cananeia recorre confiadamente Àquele que é, por natureza, fonte de toda a piedade: belo, por um lado, porque retrata uma mulher que, com zelo materno, não receia reconhecer a sua condição de filha do Senhor; desconcertante, por outro, porque nos mostra a piedade de Cristo "resistir" de início à piedade daquela boa mãe. Apesar dos seus muitos apelos, diz-nos o Evangelista, Jesus "não lhe respondeu palavra nenhuma". Ora, qual a razão deste silêncio inicial? Por que só depois de muito insistir pôde aquela pagã conseguir do Senhor o favor que tanto Lhe vinha pedindo? Justamente por muito haver insistido; à "negativa" de Jesus ela soube responder com as virtudes que Ele, de sua parte, lhe pedia sem dizer palavra: e humildade. Fé, em primeiro lugar, na verdade do que há pouco lhe revelara o Mestre: "Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel"; humildade, por fim, ao saber de sua indignidade: "Os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!" Rebaixando-se, pois, à condição de cachorrinho, ela manifesta a confiança e a fidelidade típicas de um filho de Deus.

Essa passagem de São Mateus também nos recorda que, para termos uma autêntica vida espiritual, é imprescindível que nos rebaixemos com humildade diante de Deus. Para orarmos, e orarmos com proveito, temos de nos despojar da nossa vaidade, do nosso orgulho, do nosso apego às aparências, aos nossos próprios critérios. Gravemos bem na memória aquelas nunca assaz repetidas palavras da Escritura: "Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte no tempo oportuno" (1 Pd 5, 5s; Tg 4, 6.10; Pr 3, 34). A exemplo dessa mãe cananeia, confiemos ao Coração amabilíssimo dAquele que tem cuidado de nossas preocupações (cf. 1 Pd 5, 7); façamo-lo, porém, não com a soberba dos que se pensam "credores" do Senhor, mas como quem, com espírito simples e confiante, sabe não ser mais do que um cachorrinho, que não tem direito de exigir do seu dono nem sequer as migalhas que caem de sua mesa. Que a Virgem Santíssima, Virgo fidelis, nos ajude por sua intercessão a ter retas disposições — de e humildade — em nossa vida corrente e, de modo bastante especial, em nossa vida de oração.

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