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327. Memória de Nossa Senhora das Dores

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
19, 25-27)

Naquele tempo, perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: "Mulher, este é o teu filho". Depois disse ao discípulo: "Esta é a tua mãe". Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.

A memória de Nossa Senhora das Dores, em cuja celebração a Igreja, antes de proclamar o Evangelho, canta o hino Stabat Mater, vem reforçar-nos a fé na íntima união de Maria Santíssima com o sacrifício vicário de seu Filho na cruz: ela, entregando-O de volta ao Pai, é por Cristo entregue a João e, assim, a todos os fiéis cristãos. "Mulher", diz o Senhor, "este é o teu filho"; e depois disse ao discípulo: "Esta é a tua mãe". Por ocasião desta memória, portanto, vale a pena recordarmos os motivos por que a Igreja Católica, preservando incorrupta e inalterada a fé apostólica, não teme chamar à bem-aventurada Virgem corredentora do gênero humano. Para isso, temos de retroceder aos princípios da humanidade e contemplar aquela que, embora seja a mãe de todos os viventes, foi para eles causa de morte e perdição. Em Eva, com efeito, três coisas podem notar-se: em primeiro lugar, a antiga árvore; em segundo, o fruto proibido; por fim, a desobediência à ordem divina. Fechando-se pois em si mesma, Eva recusou sacrificar a própria vontade em obediência a Deus e, comendo do fruto proibido, fez entrar no mundo a morte pelo pecado.

No entanto, a fim de confundir o demônio e remediar a Queda de nossos primeiros pais, o Deus de misericórdias providenciou que, do mesmo modo como pela desobediência de uma mulher a morte entrou no mundo, assim também a vida nele voltasse a reinar pela obediência de outra mulher. E é o que se vê em Maria Santíssima: nela temos o madeiro salvífico — a cruz — a cujos pés permanece, o fruto bendito — Cristo —, o qual é oferecido ao Pai como hóstia pura e imaculada — e, enfim, uma perfeita submissão à vontade divina. Escrava humilde do Senhor, Maria recebe do Pai o fruto da salvação e, sem querer retê-lO para si, como nova e obediente Eva Lho "devolve" e oferece com um sacrifício perfeitíssimo de fé e confiança nas promessas que da parte dEle lhe foram feitas. Devido, pois, a esta sua união estreitíssima com o holocausto que Cristo faz de si ao Pai, a Santíssima Virgem pode com justiça ser chamada nossa corredentora. Peçamos-lhe hoje que nos alcance de seu Filho uma fé ainda mais viva e nos dê forças para, a seu exemplo, permanecermos de pé ao lado da cruz de Jesus e de suportarmos com alegria os calvários de cada dia.

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