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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 18, 1-8)

Naquele tempo, Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo: “Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário!’ Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: ‘Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha agredir-me!’” E o Senhor acrescentou: “Escutai o que diz este juiz injusto. E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”

O evangelista S. Lucas conclui o relato da viagem de Jesus a Jerusalém com duas parábolas sobre a oração: a primeira fala-nos da constância (cf. Lc 18, 1-8) e a segunda da humildade (cf. Lc 18, 9-14) com que devemos rezar. O Evangelho que a Igreja nos propõe hoje à meditação narra a primeira dessas parábolas, a do juiz iníquo e a viúva perseverante, cujos elementos centrais explicamos a seguir.

1. A parábola (v. 2-5). — Havia numa cidade um juiz que nem por temor a Deus nem por respeito aos homens tinha receio de praticar injustiças. Como se sabe, entre os judeus não era comum que os tribunais constassem de um único magistrado; no entanto, Cristo recorre a esta imagem, de forma meramente ilustrativa ou como alusão aos tribunais que os romanos costumavam instituir, com o fim de explicar a sua doutrina. Havia também na mesma cidade uma viúva que, oprimida por seu adversário, acudia com frequência ao juiz para fazer valer os seus direitos; ele, porém, desdenhou por muito tempo as súplicas da viúva até que, refletindo consigo, decidiu por fim ceder às suas instâncias, a fim de que ela não o importunasse mais nem viesse um dia a agredi-lo (gr. ‘ὑπωπιάζῃ με’). O verbo ὑπωπιάζω significa propriamente “esbofetear”, de modo que o sentido das palavras do juiz é: “Vou fazer-lhe justiça, senão ela, enchendo-se de ira, poderá um dia arremeter contra mim”.

2. Doutrina espiritual (v. 1 e 6-8). — A ideia fundamental de toda a parábola aparece de forma clara e expressa já no primeiro versículo: “É necessário orar sempre”, isto é, sempre que for possível ou até que se alcance o que se pede, e “sem jamais deixar de fazê-lo” (gr. ‘μὴ ἐγκακεῖν’), quer dizer, sem nunca desistir ou por cansaço ou por desespero. Os versículos 6-8 aplicam essa doutrina geral ao caso dos justos, que, oprimidos nesta vida pelos maus, devem suplicar confiada e continuamente o auxílio de Deus, ainda que as demoras do Senhor lhes pareçam demasiado longas: “Porventura tardará Deus em socorrê-los” (gr. ‘μακροθυμεῖ ἐπ᾽ αὐτοῖς’), isto é, permitirá que os seus escolhidos sofram por muito tempo? “Digo-vos”, conclui Jesus, “que em breve lhes fará justiça”, isto é, no dia em que vier julgar a todos. Mas, ainda que lhes faça justiça, acaso serão em maior número os justos do que os injustos? “Quando vier o Filho do Homem” separar os bons dos maus, “acaso achará fé sobre a terra?” Que Ele nos dê a graça de, ao sermos julgados, encontrar-nos no número dos seus eleitos, perseverantes na oração e constantes em professar a totalidade da fé católica.

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