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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 9, 46-50)

Naquele tempo, houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. Jesus sabia o que estavam pensando, pegou então uma criança, colocou-a junto de si e disse-lhes: “Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior”.

João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós lho proibimos, porque não anda conosco”. Jesus disse-lhe: “Não o proibais, pois quem não está contra vós, está a vosso favor”.

Ao celebrarmos hoje, início do mês do Rosário, a memória de S. Teresinha do Menino Jesus, nomeada padroeira das missões pelo Papa Pio XI, precisamos ter bem presente o que a Igreja sempre entendeu por missão. Não se trata de fazer “publicidade” de eventos paroquiais nem de atrair multidões dizendo o que todos querem ouvir, mas de arrancar as almas do erro e do pecado e trazê-las para a verdade da única Igreja, Santa e Católica, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo como instrumento universal de salvação, na qual somos lavados das nossas culpas pelo Batismo, alimentados com o Corpo do Senhor na Eucaristia e preparados, pela participação nos outros sacramentos, para a visão de Deus face a face que Ele mesmo prometeu aos que, pela graça, observarem até o fim os seus Mandamentos. Isso significa que a missão cristã, para lograr realmente o seu fim, que é a conversão dos infiéis e pecadores, não pode ser um mero ativismo exterior, um simples “promover” eventos e encontros, um tolo afã de transformar tudo em marketing, porque ninguém, sem o socorro sobrenatural da graça, pode por si mesmo mudar de vida e abraçar a religião católica como convém à própria justificação.

Por este motivo, a missão deve partir, antes de tudo, da vida espiritual do missionário e, também, de todos os fiéis em particular. Embora — é verdade — nem todos sejam missionários “de carteirinha” e por mandato oficial, todos somos membros de Cristo e podemos, por meio da nossa oração privada, do nosso sacrifício diário, do nosso testemunho de vida, contribuir para a conversão daqueles que, fora da Igreja e errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na infidelidade, não querendo a Cristo como pastor e guia, ou, mesmo dentro dela e conculcando as promessas do Batismo, sacudiram o suavíssimo jugo da santa lei de Deus (cf. Pio XI, Ato de Reparação ao SS. Coração de Jesus). Disto nos deram prova S. Teresinha do Menino Jesus, que de sua cela em Lisieux alcançou pela oração e o espírito de reparação tantas graças, tantas conversões, e os também pastorinhos de Fátima, que, ainda crianças, quiseram unir-se voluntariamente à Paixão de Cristo e, pela mortificação, suplicar ao Pai a salvação dos pobres pecadores. Que também nós, cuja conversão quem sabe seja fruto da oração escondida de alguma alma piedosa do outro lado do mundo, busquemos fomentar mais este espírito missionário, que enxerga à luz da fé que todos podemos, fazendo às vezes tão pouco, impetrar de Deus a graça de inumeráveis conversões.

Oração pela conversão dos pecadores (de S. Francisco Xavier). — Deus eterno, Criador de todas as coisas, lembrai-vos que as almas dos infiéis são obras de vossas mãos, e que são feitas à vossa imagem e semelhança. Vede, porém, Senhor, como em desdouro do vosso Nome o inferno se enche destas almas. Lembrai-vos que Jesus Cristo, vosso Filho, derramou todo o seu Sangue e padeceu morte atrocíssima por elas. Não permitais, pois, Senhor, que o vosso Filho seja por mais tempo desprezado pelos infiéis. Deixai-vos antes aplacar e mover à piedade pelas orações de vossos santos e da Igreja, esposa de vosso Santíssimo Filho. Lembrai-vos da vossa misericórdia e, esquecendo a sua idolatria e infelicidade, fazei que também eles enfim conheçam a Jesus Cristo, Nosso Senhor, que é nossa salvação, vida e ressurreição, por quem fomos livres e salvos e a quem seja dada honra, glória e louvor para sempre. Amém.

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