Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 1-7)
Naquele tempo, Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos maus e de curar todo tipo de doença e enfermidade. Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus.
Jesus enviou estes Doze, com as seguintes recomendações: “Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’”.
No Evangelho de hoje, Jesus chama os seus Doze Apóstolos e lhes dá o poder de expulsar demônios e curar enfermidades. Vimos ontem que Nosso Senhor contemplou as multidões e compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor. E por que o povo se encontrava nessa situação?
Para responder a essa pergunta, precisamos compreender, antes de tudo, o que significa o povo de Deus. Trata-se daquela parcela da humanidade que o Senhor separou para si: o povo de Israel. E fez isso justamente porque desejava preparar o caminho para a vinda de seu Filho por meio de um povo que conservasse a fé. É por isso que Ele chama Abraão, cuja fé recebida deveria atravessar os séculos e ser transmitida de geração em geração.
No entanto, a história de Israel é marcada por muitas infidelidades. O povo foi escravizado no Egito; depois, passou por um tempo de purificação e libertação no deserto. Quando finalmente entrou na Terra Prometida, caiu num período de decadência espiritual, o tempo dos juízes, em que as virtudes praticamente desapareceram.
Mais tarde, o povo pediu um rei, e Deus lhes deu Saul. Porém, ele começou a oprimir o povo, e logo Deus lhes deu Davi, um pastor segundo o seu Coração. Ainda assim, o povo não se converteu e, aos poucos, Davi tornou-se mais uma promessa do que uma realização. Em outras palavras, o rei pastor apontava para aquele Pastor definitivo que ainda haveria de vir.
Depois de Davi, sucederam-se diversos reis que, uns mais, outros menos, seguiram o caminho da infidelidade. Os sacerdotes também se afastaram de sua missão, enquanto os profetas denunciavam constantemente a dureza de coração do povo de Israel. Era um povo de dura cerviz, em que a fé se enfraquecia cada vez mais. Por isso, eram como ovelhas sem pastor. Afinal, quando não existe um pastor disposto a dar a vida pelas ovelhas, elas se dispersam.
Na época de Jesus, contudo, o problema era mais grave: os lobos que devoravam o rebanho eram justamente aqueles que deveriam protegê-lo. Os sacerdotes e os fariseus, chamados a cuidar do povo, tinham se transformado em sua maior ameaça. Então, quando Jesus iniciou sua pregação, praticamente nada disse contra o poder político e opressor dos romanos, pois seu confronto principal era contra aqueles que deveriam ser pastores, mas comportavam-se como lobos vorazes.
Diante dessa realidade, Cristo se compadece do povo e decide dar-lhe novos pastores, fato que o Evangelho de hoje nos apresenta. Nosso Senhor chama os doze discípulos e concede-lhes autoridade para expulsar os espíritos malignos, precisamente aquilo que dispersa o rebanho, e para curar toda espécie de enfermidade, sobretudo as espirituais. Assim, começa a prepará-los para serem os pastores do Novo Testamento, da Nova Aliança, da Igreja por Ele instituída.
É importante, porém, sabermos que esses pastores nasceram da oração de Jesus. O Evangelho de São Lucas, embora não seja proclamado hoje, relata que Ele passou a noite inteira em oração antes de escolher os Doze Apóstolos. E o próprio Evangelho de São Mateus, na passagem que lemos ontem, traz a recomendação de Cristo: “Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!” (Mt 9, 38).
Se alguém, pois, sofre pela falta de bons e santos pastores, sacerdotes ou bispos, precisa rezar como Jesus ensinou ao pedir operários para a sua messe. Lembremos também que, na Última Ceia, Nosso Senhor reuniu os Doze e disse-lhes: “Já não vos chamo servos, mas amigos” (cf. Jo 15, 15). Portanto, peçamos a Deus sacerdotes que cultivem uma profunda amizade com Cristo e configurem o seu coração ao d’Ele, para que se compadeçam das ovelhas sem pastor e estejam dispostos a dar a própria vida por elas.




























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