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O porquê das perseguições dentro da Igreja

As falsas acusações, humilhações e calúnias sofridas por Santa Paulina nos mostram que Deus está pensando no nosso bem até mesmo quando permite as perseguições ocorridas dentro da própria Igreja.

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 7-15)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro nem prata, nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. 
Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo”.

Com grande alegria, celebramos hoje — especialmente no Brasil — a Memória de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Embora tenha nascido na Itália, ela viveu a maior parte de sua vida em nosso país, e foi aqui que alcançou a santidade. Por isso, queremos recorrer à intercessão desta grande santa, para que também nós possamos viver o Evangelho como Cristo nos ensinou.

Santa Paulina sofreu perseguições dentro da própria Igreja. Os inimigos que se levantaram contra ela não a conduziram diante de governadores e reis, mas diante dos tribunais eclesiásticos. As acusações, então, foram levadas ao arcebispo de São Paulo, que, desejando agir com “zelo pastoral”, acolheu aquelas denúncias e impôs-lhe um longo período de provação. 

Desse modo, Santa Paulina deixou de ser reconhecida como fundadora de sua congregação, foi afastada do cargo de superiora e permaneceu reduzida ao silêncio durante muitos anos. Somente pouco antes de sua morte é que as falsas acusações foram esclarecidas e sua inocência plenamente reconhecida.

Diante disso, surge uma pergunta inevitável: por que Nosso Senhor permite que essas coisas aconteçam? Antes de tudo, é preciso recordar que estamos diante da vontade permissiva de Deus. Ele jamais deseja o mal. Não quer, por exemplo, que os pagãos persigam a Igreja, nem que membros da própria Igreja, fiéis ou infiéis, causem sofrimento uns aos outros. Ao contrário, a vontade de Deus é, direta e propriamente, sempre para o bem.

Entretanto, existe uma realidade que não podemos negar: o Senhor permite o mal, e constatamos isso pelo simples fato de que o mal existe. Contudo, sendo onipotente, Ele poderia impedi-lo. Então, como compreender esse mistério de um Deus que permite a perseguição da sua Igreja e o sofrimento dos justos? Santo Agostinho nos dá uma sábia resposta: Deus jamais permitiria o mal se dele não pudesse tirar um bem maior. E é exatamente aqui que encontramos o sentido das perseguições sofridas pela Igreja.

Ela, Esposa de Cristo, amada e escolhida por Ele, é constantemente protegida pelo Senhor. Jesus cuida de nós como quem guarda a pupila dos próprios olhos. No entanto, justamente porque deseja o nosso verdadeiro bem, Ele permite, em seus desígnios de amor, que enfrentemos provações e que a Igreja seja perseguida, atravessando períodos de profunda crise, como esses que vivemos em nossos dias.

Em seu projeto de amor, Deus deseja fazer brotar de nossos problemas e dificuldades um bem maior. É verdade que não somos capazes de compreender plenamente como Ele realiza esse bem em meio a tantos sofrimentos. Mas sabemos, com firmeza de fé, que Ele nunca é o autor do pecado. Se existem pessoas que, como Judas, traem a Cristo e à sua Igreja; se há perseguições internas e inimigos que surgem até mesmo dentro do ambiente eclesiástico, isso não significa que Jesus queira o mal, mas que, em sua infinita sabedoria, transforme essas provações em ocasião de graça.

Em primeiro lugar, Ele permite essas dificuldades para purificar a sua Igreja. As perseguições, portanto, tornam-se instrumentos pelos quais Deus santifica o seu povo. Em segundo lugar, essas mesmas circunstâncias nos oferecem a oportunidade de corresponder ao amor de Cristo. Ele sofreu e entregou-se por nós; agora, nós podemos sofrer e entregar-nos por Ele. É pagar o amor com amor.

Jesus carregou a Cruz, e nós somos chamados a carregar, com alegria, a nossa própria cruz. É isso que testemunham os grandes santos. Num mundo em que o mal se opõe continuamente ao bem e ao amor, amar significa permanecer fiel em meio às dificuldades, perseverando na cruz e não abandonando Cristo nas horas difíceis.

Por isso, os verdadeiros cristãos sabem que, dos males que Deus permite, Ele sempre fará surgir um bem maior. Ao mesmo tempo em que purifica a sua Igreja, Ele nos concede a oportunidade de amá-lo mais profundamente — como Santa Paulina amou — e prepara para nós uma glória ainda maior no Céu. Então, se pela graça de Deus chegarmos, um dia, à Pátria celeste, olharemos para todos os sofrimentos desta vida e diremos: “Ó bendito sofrimento! Que feliz provação foi aquela que me alcançou tão grande glória!”.

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