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Conheça os sacramentos da Igreja com o Padre Paulo Ricardo

Texto do episódio
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Com grande alegria, celebramos hoje o Domingo da Divina Misericórdia. O Evangelho de hoje é aquele que está retratado no quadro que Nosso Senhor pediu a Santa Faustina: “Estando fechadas (...) as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio dele, disse: ‘A paz esteja convosco’.” (cf. Jo 20,19-31).

Sim, Jesus quer entrar na vida da humanidade, e quis fazer isso mesmo quando as nossas portas estavam fechadas, quando éramos todos inimigos de Deus. Ele poderia, justamente, entrar arrombando a porta e fazendo guerra, condenando-nos e nos jogando no fogo eterno por causa de nossa maldade.

Dias atrás, na Semana Santa, refletimos sobre o pecado e a maldade, sobre a malícia que existe na humanidade: rejeitamos Deus, que é o Sumo Bem, para ficarmos com quinquilharias e bobagens. Deus é o nosso Criador e a fonte de nossa felicidade. Ele nos quer e nos ama. Mas o que os homens fazem? Viram as costas para Ele. Só que Deus insiste, e então vem a este mundo para viver a nossa vida e morrer a nossa morte, carregar os nossos fardos e sofrimentos. E o que a humanidade faz dessa vez? Fecha-lhe as portas novamente!

A nossa indiferença, a nossa maldade e o nosso egoísmo são imensos. Precisamos falar sobre isso, para que haja sentido falar também de misericórdia. Só é possível falar das maravilhas da Divina Misericórdia se enxergarmos a profundidade da malícia e da crueldade que, dominados pelos demônios, os seres humanos realizam.

A maldade e o pecado existem! Por isso, antes de nos aprofundarmos na misericórdia, precisamos falar firmemente sobre o pecado. O mundo pensa que só existe pecado, injustiça e desgraça quando é contrariado o seu interesse egoísta que está em jogo. O “pecado” aconteceria então quando eu, uma criança mimada e egoísta, sou contrariado nas minhas vontades e caprichos, nas minhas veleidades, quando quero algo a qualquer custo, mas a vida, as circunstâncias ou Deus me dizem “não”.

Deus disse a Adão que ele não deveria comer daquela árvore, e deu-lhe autoridade sobre Eva. Mas era uma  autoridade para derramar o sangue por ela, e não para jogá-la no trilho do trem como Adão fez no dia que pecou. O que é autoridade? Pensem numa sociedade primitiva como era o mundo quando Deus criou o homem. As coisas não estavam “prontas” nem eram fáceis. Eva não acordava, abria a geladeira e escolhia o que fazer para o café da manhã: se Adão não arranjasse o que comer, não haveria comida. É claro que eles estavam no Paraíso e tudo era abundante e muito mais fácil do que após a Queda, mas Adão deveria prover. E também deveria proteger. O Paraíso não estava isento de perigos; afinal, a Serpente estava lá: o mal existia como possibilidade a ser seguida pelo homem. Já havia anjos rebeldes sumamente maus.

Adão deveria prover e proteger, e aí sim agiria com autoridade, pois estaria disposto a derramar seu sangue em favor de quem ele amava. Lembrem-se do que disse São Paulo: “Amai as vossas esposas como Cristo amou a Igreja” (cf. Ef 5) — derramar o sangue para prover e proteger. Pois bem, quando Deus criou Adão, o fez com uma missão, assim como fez Eva com uma missão. Mas eles, agindo egoisticamente, levados pelo engano da Serpente, escolheram voltar as costas para Deus. 

Deus, que era a autoridade que provê e protege, então viu a humanidade sair de sua proteção, pois Adão e Eva acharam que tinham encontrado um caminho melhor, e saíram dos cuidados de Deus para se tornarem escravos de Satanás.

Desde então, a humanidade está manchada de egoísmo. Nós queremos a nossa vontade e o nosso capricho, não a “vontade de Deus”, cuja importância tantas vezes é repetida no Diário de Santa Faustina. Isto é o pecado: voltar as costas para a vontade de Deus. Nós o crucificamos e matamos, nós saímos debaixo das asas de Deus que provê e protege para escolher o diabo que nos deixa passar fome como o patrão mau e cruel do filho pródigo — necessitados, maltrapilhos, atacados por todo tipo de inimigo, desprotegidos. E, apesar disso, a humanidade prefere continuar servindo a Satanás.

Jesus é Deus que se fez um de nós, e veio ao mundo para nos arrancar do poder desse inimigo. E Jesus venceu! E já foi vitorioso na Sexta-Feira Santa. Os anjos se admiraram ao verem Jesus na Cruz e o ladrão entrando no Paraíso. Quem precisava ser condenado ao Inferno é salvo e quem morava no Céu, vive o Inferno da Cruz, condenado por nós, injustos. Eis a admirável e sublime Divina Misericórdia.

A Divina Misericórdia está lá, na Cruz. Deus toma sobre si as nossas dores, a nossa condenação, o nosso pecado, a nossa morte e a nossa miséria, para que sejamos salvos. Oito dias depois desses acontecimentos, Jesus, Divina Misericórdia, entra, estando fechadas as portas; e então, abrindo o peito e estendendo a mão, diz a Tomé: “A paz esteja convosco. Põe teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado” (cf. Jo 20,26s). Nesse momento, talvez Tomé tenha visto — o Evangelho não relata, mas Santa Faustina viu — que quando Jesus abriu o lado e mostrou a chaga, não mais saiu água e sangue como da Cruz, mas raios de luz: misericórdia, bondade, graça, perdão.

É importante entendermos o quanto Deus quer ser misericordioso, mas para que recebamos essa misericórdia, precisamos antes confessar a nossa miséria. É isso que o mundo não entende! 

Para o mundo atual, o que é Deus? Pergunte a alguém que passa pela rua: Deus é misericordioso? A pessoa, certamente, vai responder: “Sim!”. Mas o que é ser misericordioso para essa pessoa, na prática? Provavelmente, para ela, “ser misericordioso” significa que podemos praticar todo tipo de pecado e ainda assim vamos chegar no Céu, porque Deus vai dizer: “Ah, não tem problema! Venha cá, Eu gosto de você!”. Mas isso não é um Deus misericordioso: é uma alucinação que Satanás colocou na cabeça da humanidade.

Por meio da loucura dessa falsa ideia de misericórdia, Satanás está dizendo em nossa cabeça assim:

“Vai, bobinho, peque! Peque bastante, aproveite! Afinal, Deus é misericórdia. Peque! Não existe condenação, ninguém vai para o Inferno. Imagine se o ‘Deus de amor’ vai condenar você!? Roube! Minta. Abuse de alguém sexualmente! Aproveite! Cometa adultério, pedofilia! Use o poder em benefício próprio! Minta e escape; minta e escape sempre! Lembre-se, não tem problema: é só chegar no Céu e fazer coraçãozinho com as mãos!”

Qual o resultado dessas mentiras em que você acreditou? Ao chegar no Céu, a porta estará fechada e você será jogado no fogo eterno: este é o resultado dessa falsa misericórdia.

Não é possível falar da misericórdia de Deus sem falarmos claramente do horror que devemos ter ao pecado. Deus quer perdoar! Mas perdoar quer dizer o seguinte: eu estou arrependido, não quero mais voltar a pecar e, para isso, eu devo fazer um propósito sincero. Há quem diga, neste momento: “Mas, padre, eu não consigo garantir”. Deus não pede garantias, mas pede propósito sincero: “Do fundo do meu coração, eu não quero mais fazer isso. Chega! Se por fraqueza ou miséria — que Deus não permita, que meu anjo da guarda me salve e que Nossa Senhora e os santos intercedam — eu cair outra vez, ainda assim novamente irei detestar o meu pecado”. É assim que obtemos a misericórdia.

Não há misericórdia sem detestação: precisamos detestar os nossos pecados, com um firme e resoluto propósito de não cometer pecados mortais nunca mais. São os pecados que rompem a nossa amizade com Deus e nos levam para o Inferno — que existe e não está vazio. O Inferno está cheio daqueles que acreditaram, comodamente, na falsa misericórdia, nesta mentira satânica que diz: “Peque! Não há problema.” Como não há problema? Aquele que é a misericórdia encarnada disse: “Ninguém te condenou? Nem Eu te condeno, vai e não peques mais” (cf. Jo 8,1-11).

Santa Faustina em seu Diário insiste na confiança que precisamos ter na Divina Misericórdia. Jesus fala o quanto seu coração é ferido quando as pessoas duvidavam da sua misericórdia. Mas sabe quando ela recebeu essas mensagens? Na década de 1930, quando muitos católicos tinham medo de se aproximar do confessionário, de se aproximar de Deus, porque na cabeça deles Deus era um carrasco que condenaria muitos ao Inferno; e havia muitas pessoas que tinham medo de se confiar à misericórdia de Deus e mudar de vida. Jesus diz para Santa Faustina: “Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate” — ou seja, os pecados podem ser os piores, você pode ser Judas em pessoa, o próprio Lúcifer em forma de ser humano, Deus está disposto a lhe dar o perdão.

E sabe por que Deus está disposto a perdoar? Porque nós não somos Lúcifer, nós ainda estamos neste tempo da misericórdia. Quem já está do “outro lado”, quem já morreu, não está mais no tempo da misericórdia, mas no tempo da justiça. Lúcifer, por sua vez, não tem perdão por duas razões: primeiro, ele não o quer; segundo, ele não tem mais tempo. Mas você, por pior que seja, ainda tem tempo! Você está lendo esta mensagem? Então está vivo! Onde você está lendo esta homilia? Num leito de hospital? Numa prisão? Não interessa. Se você está lendo esta homilia no celular em um prostíbulo, junto com uma prostituta, insisto que ainda é tempo! Deteste o seu pecado, levante-se e vá se confessar agora. No leito de morte, peça um padre. Na prisão, peça um sacerdote. Nunca é tarde se você está vivo, pois está no tempo da misericórdia. Deteste o seu pecado e diga: “Prometo, com o auxílio de vossa graça, nunca mais voltar a vos ofender”.

Eis quando tem sentido a misericórdia: quando o arrependimento é sincero. Mas se você vai se confessar e faz um teatro hipócrita, sabendo perfeitamente que vai voltar a pecar, é diferente. Imagine que você encomendou a droga lá na boca de fumo, está com dinheiro no bolso para ir buscá-la, mas antes decide passar casualmente na Igreja para se confessar, e diz: “Padre, deixe eu me confessar rapidinho porque tenho um compromisso logo mais”. O padre pode até ignorar a sua intenção e lhe dar a absolvição: você não recebeu, de fato, o perdão dos pecados. E não importaria se, ao invés do padre você tivesse se confessado com o bispo ou o próprio Papa. Ela é inválida, porque absolvição não é mágica: não há perdão se não há arrependimento, detestação do pecado e propósito de emenda. 

Atenção também à forma como você faz o ato de contrição. Há por aí uma fórmula que é uma verdadeira “conversa fiada”, porque diz: “Prometo, com a vossa graça, esforçar-me para ser bom”. Ora, só faltava agora você se esforçar para ser mau! Esqueça essa coisa de “esforçar-me para ser bom”. Não, o ato de contrição precisa ser desta forma: “prometo, com o auxílio de vossa graça graça, nunca mais voltar a pecar; é assim que se faz um propósito! Você precisa se arrepender de todos os pecados mortais: de uma vez e para sempre.

Outro dia eu saí de casa e, na pressa, errei na hora de abotoar os botões da batina. O Padre Overland, que estava na cozinha, viu e me mostrou que eu tinha pulado uma casa, e ficou aquele botão sobrando. Qual é o jeito de consertar isso? Somente desabotoando tudo e abotoando de novo: não adianta tentar corrigir um só. Assim são os pecados mortais. Você não pode querer absolvição porque se arrependeu de 99,99% de seus pecados mortais e deixar só um para se arrepender depois.

Por isso, é importante saber distinguir entre pecado venial e mortal. Pecado mortal é aquele que impede você de receber a comunhão, porque é um ato que vai diretamente contra os Dez Mandamentos, rompendo o seu estado de graça, a sua amizade com Deus. Mas existem também esses pecados do “dia a dia”: que não deixam de ser pecados e, portanto, também são detestáveis — mas são veniais, eles não impedem você de se aproximar da Eucaristia. Por exemplo: aquela impaciência deliberada que não foi grave. Você não desejou o mal a ninguém, só teve aquela advertência da consciência: “Tenha paciência”, mas reagiu: “Ah, não quero ter paciência coisa nenhuma!”. Isso, geralmente, não é um pecado mortal, a não ser que você peque contra a benevolência. Ou quando você contou uma mentira que não prejudicou ninguém: alguém liga para sua casa procurando você, a esposa atende e você diz: “Ah, diz que eu não estou, depois eu ligo” — a pessoa não saiu prejudicada, era conversa fiada. Essas coisas são pecado, sim! Mas não são pecados mortais.

Mas se você está cometendo adultério; se está mentindo e prejudicando os outros; se você está desejando a morte do outro ou que ele vá para o Inferno; se recusa o perdão de qualquer maneira, porque quer a vingança com requintes de crueldade — se, do fundo do seu coração, você deseja essas coisas —, então está pecando de uma forma que você sabe que é grave. Neste caso, só há uma coisa a fazer para que se receba o perdão: é preciso passar a detestar esses pecados e fazer o firme propósito de não mais repeti-los. Esta é a forma verdadeira de se aproximar da Divina Misericórdia: mostrar a sua suprema miséria, ajoelhada diante daquele que pode lhe dar o perdão. Sem miséria, não há misericórdia.

Este é o dia da Divina Misericórdia! Santa Faustina disse que Jesus, neste Domingo, concederia a graça de converter alguns dos corações mais empedernidos, mais distantes de Deus. Os raios de luz que vão sair daqui, do Sagrado Coração de Nosso Senhor, vão ultrapassar os limites dessa Igreja. As orações que faremos aqui atingirão pecadores que nem conhecemos, mas que no Céu irão se encontrar conosco, porque se converteram neste Domingo da Divina Misericórdia de 2023 por causa desta Missa, por causa do sacrifício que estamos oferecendo.

E para nós, que somos pecadores, Jesus também disse a Santa Faustina que daria a indulgência plenária neste dia. Ao final, rezaremos o Credo, um Pai Nosso e a invocação “Jesus misericordioso, eu confio em Vós”, e assim receberemos a indulgência nas condições habituais: confissão recente; comunhão e uma oração pelas intenções do Santo Padre, o Papa.

Hoje, pela indulgência plenária da Divina Misericórdia, Jesus entra em nossas vidas, ainda que fechadas as portas, para dizer: “Paz!”. Jesus quer entrar nos corações mais duros, nos corações mais fechados, nos corações mais desconfiados, para que confiemos nele.

Ó Jesus, Divina Misericórdia, misericordioso Senhor, eu confio em Vós! 

Possamos, por essa confiança, saber que Ele morreu por nós, nos ama e pagou o maior preço não para nos condenar, mas resgatar. Que alegria nós vermos Jesus, cheio de Divina Misericórdia, brilhar em nossos corações!

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