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Homilia Dominical
20 Set 2019 - 23:18

O foco que nos falta

“Os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”: ou seja, os maus são “radicais” em sua maldade, resolutos e determinados; mas os bons, que querem seguir Nosso Senhor, estão sempre voltando atrás em seu propósito, tantas vezes perdidos, desconcentrados e preocupados com um milhão de coisas mais. Por isso, Padre Paulo Ricardo fala nesta homilia do foco que devemos ter na busca do “único necessário”, pois, se tantos de nós dormimos, o inimigo de nossa salvação não dorme jamais.
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Homilia Dominical - 20 Set 2019 - 23:18

O foco que nos falta

“Os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”: ou seja, os maus são “radicais” em sua maldade, resolutos e determinados; mas os bons, que querem seguir Nosso Senhor, estão sempre voltando atrás em seu propósito, tantas vezes perdidos, desconcentrados e preocupados com um milhão de coisas mais. Por isso, Padre Paulo Ricardo fala nesta homilia do foco que devemos ter na busca do “único necessário”, pois, se tantos de nós dormimos, o inimigo de nossa salvação não dorme jamais.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 16, 1-13)

Naquele tempo, Jesus dizia aos discípulos: “Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele o chamou e lhe disse: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens’.

O administrador então começou a refletir: ‘O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa, quando eu for afastado da administração’.

Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu patrão?’ Ele respondeu: ‘Cem barris de óleo!’ O administrador disse: ‘Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!’

Depois ele perguntou a outro: ‘E tu, quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. O administrador disse: ‘Pega tua conta e escreve oitenta’.

E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz. E eu vos digo: usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas.

Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso?

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.

Meditação. — O Evangelho da Missa deste domingo fala de um administrador desonesto, que acaba demitido por seu patrão. Para não ficar sem nada, esse administrador elabora uma estratégia: reúne todos os devedores de seu patrão e concede-lhes um desconto sobre suas dívidas, a fim de que, na hora oportuna, eles lhe retribuam o favor.

Jesus conta essa parábola e, curiosamente, tece elogios a tal administrador. O texto de São Lucas diz assim: “E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza”. Nosso Senhor nota que “os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz” e, por isso, recomenda aos discípulos que usem “o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas”.

O que muita gente não consegue entender, porém, é que o elogio de Jesus não diz respeito à maldade do administrador. Isso seria um absurdo. O que Ele louva, na verdade, é a “esperteza” desse homem, que diante de uma situação delicada, soube agir com “prudência”. No original grego, aliás, São Lucas não fala em “esperteza”, mas em phronimōs (φρονίμως), como está também na Vulgata (... quia prudenter fecisset). Essa palavra tem a ver com a “virtude da prudência”, ou seja, o hábito pelo qual tendemos a agir segundo o verdadeiro propósito de nossas vidas.

A nossa inteligência nos mostra que não somos seres jogados na história, gerados pelo acaso, mas que temos uma razão de ser, uma finalidade para a qual devemos caminhar decididamente. Sendo assim, devemos usar prudentemente essa inteligência, como sugere Jesus na parábola, a fim de que, um dia, cheguemos ao nosso propósito de vida. A prudência deve manter nossa inteligência longe das distrações, que nos apartam do foco e nos impedem de realizar a nossa finalidade.

A cultura moderna, por outro lado, desconsidera a inteligência humana a tal ponto, que chega a negar a finalidade transcendente do ser humano. E esse é o grande problema da humanidade nos dias de hoje, porque ela está sendo educada a viver como um animal bruto, ou seja, sem um verdadeiro propósito. Em outras palavras, os animais não têm finalidade, pois são movidos apenas pela lei dos instintos: foge da dor, busca o prazer. Se têm fome, eles vão atrás de alimento; se querem sexo, eles vão buscar algum parceiro… E essa mesma dinâmica está sendo repetida pelos homens. As pessoas estão se comportando como uma biruta, movendo-se para lá e para cá, ao sabor do vento.

No Evangelho da Missa, Jesus elogia o administrador desonesto porque, apesar de sua malícia, ele soube agir com inteligência. Esse administrador manteve o foco de sua vida e nele persistiu mesmo diante de uma dificuldade. Ou seja, ele não se deixou levar como um animal bruto ou uma biruta. Por isso, Jesus nota com certa tristeza que “os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”, porque, de fato, eles se mostram muito mais determinados em suas maldades, do que os filhos da luz na busca da perfeição.

Para “os filhos da maldade”, é de todo interesse que nós, filhos da luz, percamos o foco, porque assim eles poderão tranquilamente seguir com seus planos: aprovação do aborto, da ideologia de gênero etc. Desse modo, o mundo nos estimula a viver sem propósito, sem finalidade, destruindo a nossa inteligência com um sistema educacional relativista. No fim das contas, tornamo-nos reféns das paixões e escravos do pecado, assim como deseja o Diabo, para nos arrastar ao Inferno. Ao contrário de nós, Satanás jamais perde o foco.

Nosso Senhor recorda-nos que somos chamados a uma altíssima dignidade e, então, devemos empregar todos os nossos esforços nessa direção, como o mau administrador, que usou “o dinheiro injusto para fazer amigos”. Ele nos pede, portanto, fidelidade à nossa vocação, porque “ninguém pode servir a dois senhores”. E essa fidelidade consiste na busca sincera e persistente da união de nossas almas com o esposo Jesus. Trata-se de buscar “as moradas eternas” dia a dia, sem esmorecimento, aproveitando cada oportunidade para rendermos glórias ao Senhor.

O foco determinado nessa missão depende, pois, de uma inteligência bem iluminada acerca do “único bem necessário”. Por isso, devemos nos esforçar por viver prudentemente, colocando todas as nossas virtudes na ordem correta de nossa finalidade, a fim de que, em nossos corações, surja uma pressa de estarmos totalmente unidos a Deus. Desse modo, a prudência une-se à virtude teologal da esperança, fazendo-nos caminhar com uma determinada determinação para os braços de Nosso Senhor, que é razão de todo o nosso ser.

Oração.Senhor Jesus, que fizestes nossa inteligência aberta ao conhecimento das coisas eternas, fazei-nos também prudentes no nosso modo de viver, a fim de que nunca percamos o foco de nossas vocações, que consiste na união de nossa vontade à do vosso Pai. Assim seja!

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