O preço da vida é a perseverança
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 21,12-19)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Antes que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”

Celebramos a memória de Santo André Dung-Lac e companheiros mártires, e o Evangelho de hoje nos fala oportunamente das perseguições aos fiéis cristãos. Nosso Senhor, discursando sobre o fim dos tempos, refere-se a alguns dos sinais que acompanharão a Igreja ao longo dos séculos. Vimos ontem que alguns deles cumpriram-se já na época de Cristo, dois mil atrás, como a destruição do Templo de Jerusalém. Mas Jesus profetizou também sinais que se cumpririam no decorrer destes dois mil anos de Igreja: perseguições, guerras, revoluções, etc. Vimos ainda que haverá sinais da iminência do fim: a grande tribulação, os sinais cósmicos e, por fim, a segunda vinda de Cristo para julgar os vivos e os mortos. 

Hoje, de modo particular, o Evangelho centra-nos a atenção em um sinal permanente da vida da Igreja, que são o ódio e a perseguição do mundo, representado aqui na figura das autoridades seculares: Sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Vale lembrar que, quando São Lucas, movido pelo Espírito Santo, pôs no papel estas palavras, a profecia já se estava cumprindo. Basta abrir outro livro dele, os Atos dos Apóstolos, para constatar que os cristãos, tão-logo Cristo subiu aos céus, começaram a ser duramente perseguidos, fosse em Israel, pelas autoridades judaicas, fossem em Roma ou noutras províncias do império, pelas autoridades locais. Lembremos o martírio de Santo Estêvão, apedrejado aos pés do jovem Saulo, e as tribulações que este mesmo, uma vez convertido em Apóstolo das gentes, irá sofrer pela difusão do Evangelho entre as nações.

Mas Jesus não se limita a prever as catástrofes que hão de acontecer, senão que revela também o motivo por que Deus as há de permitir: Esta, ou seja, o tempo das perseguições, será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. E o que significa testemunhá-la? A resposta no-la dá um dos salmos: Vosso amor vale mais do que a vida, quer dizer, deve-se preferir a fidelidade a Deus e aos mandamentos à conservação da própria vida biológica. Como adverte Cristo noutro lugar do Evangelho, não há que temer os que matam o corpo, e não podem matar a alma, isto é, privá-la do dom natural da imortalidade e da vida sobrenatural da graça. Temamos portanto aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo (Mt 10,28), pois o que os homens podem infligir são males temporais e passageiros, ao passo que os castigos de Deus são eternos e gravíssimos.

Para sermos testemunhas da fé, Jesus nos propõe uma linha de conduta: Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a vossa defesa porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou debater. Nosso Senhor garante-nos a assistência do Espírito Santo no momento oportuno porque, diante dos tribunais, quem deve falar não somos nós, mas Ele mesmo, o próprio Cristo, que dá aos mártires palavras acertadas para defender sua causa perante os homens, defesa que, não raro, se consuma pela oblação da própria vida em imitação do Mestre. Por quê? Porque isso servirá para a conversão de muitos, como diz Tertuliano: Sanguis martyrum semen christianorum, o sangue dos mártires é semente de novos cristãos.

Dá-nos sentido de perseverança saber que, pela nossa fidelidade, trabalhamos também para a conversão daqueles mesmos que nos perseguem e fazem mal. E quem são estes? Muitas vezes, para os encontrar, não é preciso ir ao outro lado do oceano; basta abrir a porta de casa. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome. Sim, a perseguição começa às vezes dentro de casa. Quantos não o sabem por experiência própria? Ora, que fazer neste caso? Perseverar, ter paciência e calma, guardar silêncio, mas dar testemunho com a vida: Vosso amor vale mais.

O Evangelho termina com uma espécie de contradição. Com efeito, logo após anunciar: Matarão alguns de vós, Jesus acrescenta: Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida. Mas como é possível morrer sem perder um só fio de cabelo? Jesus fala de outra vida. Nós sabemos que, perdendo essa vida terrena por amor a Ele, lucramos a outra junto dele na glória do céu. Eis a nossa esperança. Demos, pois, testemunho sempre, derramando (se preciso for) o nosso sangue por amor àquele que derramou o seu por amor a nós: Vosso amor vale mais do que a vida.

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