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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 5, 38-42)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado”.

1. A lei de talião. — A Lei permitia aos judeus, como era de uso comum e quase universal entre os antigos, procurar a reparação das injustiças segundo a lei de talião, de forma que o agressor sofresse como pena o mesmo mal que houvesse provocado: “Olho por olho, dente por dente” (cf. Ex 21, 24; Lv 24, 20; Dt 19, 21). Mas Jesus, querendo prevenir os discípulos contra tal desejo de vingança, propõe-lhes no Evangelho de hoje três exemplos, que não devem interpretar-se ao pé da letra, mas como exortações a perdoar aos que ofendem ou fazem mal. Vejamos apenas o primeiro e mais conhecido deles, que é também o mais citado pelos que esperam dos católicos aquele “pacifismo” condenado pelo Papa Paulo VI: uma inação covarde ante as injustiças do mundo, inspirada em “uma concepção vil e preguiçosa da vida”.

2. A lei evangélica. — “Se alguém te dá um tapa na face direita”, diz Nosso Senhor, “oferece-lhe também a esquerda”. Esta exortação, embora a tenham vivido muitos santos em toda a sua radicalidade, não é uma fórmula a ser seguida literalmente. Prova disso é a conduta do próprio Cristo, que, ao ser caluniado e agredido no palácio de Caifás, não ofereceu ao guarda a outra face, mas lhe disse com divina sabedoria: “Se falei mal, prova-o; mas se falei bem, por que me bates?” Logo, o que Jesus nos quer dizer com este ensinamento é o mesmo que dirá S. Paulo em sua carta aos fiéis de Roma: “Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem” (Rm 12, 21). Em outras palavras, não estamos obrigados a sujeitar-nos, sem mais, às ofensas que nos fazem; o que devemos, na verdade, é responder com magnanimidade, isto é, com uma bondade de modos e palavras capaz de desarmar moralmente o nosso adversário, mostrando-lhe doçura e paciência onde ele esperaria encontrar ódio e vingança.

3. A que estamos obrigados. — Este ensinamento de Cristo — vale a pena notar — tem em parte força de preceito e em parte força de conselho. São de preceito e, portanto, obrigatórios os seguintes elementos: a) não buscar vingança; b) estar disposto a dar a outra face, ou seja, a receber outra injúria antes que compensar” o mal com o mal; c) estar disposto a perdoar as ofensas pessoais, sempre que a caridade e a glória de Deus assim o pedirem. É de conselho, porém, que façamos tudo isso ao pé da letra (ainda que nem a caridade nem a glória de Deus nos obriguem a isto), como forma de mortificação, não no sentido de provocar o adversário a repetir a injúria, mas expondo-nos a ela de bom grado. É também evidente que não está proibido aos fiéis recorrer à justiça vindicativa, isto é, aos recursos legais legítimos para reparar as injustiças sofridas, sobretudo se são graves e prejudicam a terceiros.

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