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345. Perseverança na oração

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
11, 5-13)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: 'Amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer', e se o outro responder lá de dentro: 'Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães'; eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário. Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede recebe; quem procura encontra; e, para quem bate, se abrirá.

Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!"

Depois de ter-nos ensinado a oração dominical, Jesus quer ensinar-nos a persistir na oração. Não podemos ter medo de ser "inoportunos" e "inconvenientes" com Deus, porque Ele está sempre disposto a ouvir os que, confiantes, não cessam de O invocar. É o próprio Senhor quem o revela, ao dizer no Evangelho de hoje aquelas palavras tão conhecidas de todo cristão: "Pedi e recebereis; procurai e encontrareis". Ora, o pão que aquele amigo incômodo pede, em plena madrugada, ao outro amigo que já dorme, também nós o temos de pedir, mas num sentido espiritual: o pão da graça sobrenatural. Deus, com efeito, é nosso Pai; chamou-nos a, renascidos pelo Batismo, participar de sua vida divina e ser contados entre seus herdeiros e familiares. Ele, porém, não nos obriga a fazê-lo, e permite-nos escolher entre fazer parte ou não de sua família. É aqui que entra a necessidade da oração em ordem tanto à nossa santificação quanto à consecução da vida eterna. Se queremos, pois, a graça de Deus, temos de pedi-la; se queremos ser configurados a Cristo e ser contados entre os filhos do Pai, temos de pedi-lo, pois somente a graça é capaz de operar em nós o que de todo supera nossas capacidades naturais. Roguemos hoje ao Senhor — que se faz presente não nos tremores da terra, mas na brisa suave da tarde — que nos dê o seu Santo Espírito, a fim de que, enriquecidos da graça divina, possamos elevar o coração ao alto e confessar com verdade e alegria: Abba! Pai!

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