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Conheça os sacramentos da Igreja com o Padre Paulo Ricardo

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 1, 57-66.80)

Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela. No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. A mãe, porém, disse: “Não! Ele vai chamar-se João”.

Os outros disseram: “Não existe nenhum parente teu com esse nome!” Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: “João é o seu nome”. E todos ficaram admirados. No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judeia. E todos os que ouviam a notícia ficavam pensando: “O que virá a ser este menino?” De fato, a mão do Senhor estava com ele. E o menino crescia e se fortalecia em espírito. Ele vivia nos lugares desertos, até o dia em que se apresentou publicamente a Israel.

Celebramos hoje, com grande alegria, a Natividade de São João Batista. Essa solenidade, que motiva muitas festas populares no nordeste do Brasil, é muito importante no calendário litúrgico. Mas, afinal, qual é a importância de São João Batista na espiritualidade cristã? 

Bem, no nosso calendário litúrgico, nós não celebramos o nascimento de nenhum santo, com exceção de Jesus, Maria e João Batista. Há uma razão para isso: nenhum santo nasce sem o pecado original. Somente depois, através do Batismo e de outros eventos de suas vidas, como um martírio, é que eles são santificados. Entretanto, com Jesus, Maria e João Batista, a santidade vinha desde o ventre, mas por razões diferentes.

Jesus era santo desde o ventre de Nossa Senhora, exatamente por ser Deus que se fez homem. Evidentemente, Ele não iria nascer com o pecado original. Já Maria é santa desde o nascimento porque foi preservada do pecado original, que é o mistério da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Agora, João Batista é santo desde o momento em que Isabel, grávida, recebeu o Espírito Santo durante a Visitação, quando a Virgem Maria cumprimentou Isabel e esta disse:  “A criança pulou no meu ventre”. 

A Igreja acredita que o encontro de Maria e Isabel, e de João Batista com Jesus no ventre de suas mães, fez com que João Batista nascesse verdadeiramente purificado do pecado original. Por isso, é natural que se celebre a famosa Festa de São João Batista Menino. Mas por qual motivo João Batista é importante no projeto de salvação que Deus quer para as nossas vidas? A razão fundamental é a seguinte: João Batista é o cume da preparação para a vinda de Jesus.

No Antigo Testamento, Deus foi conduzindo o seu povo lentamente até que, na plenitude dos tempos, Ele enviou o seu Filho ao mundo. Todavia, para receber Jesus, era necessária uma preparação, que se tornou perfeita com João Batista. Ele, portanto, queria levar as pessoas à penitência e à renúncia dos pecados, chamando-as a colocar um freio em suas paixões e a ter uma vida mais justa. 

Portanto, João Batista é aquele que quer nos levar a morrer para o pecado, e Jesus aquele que nos leva a nascer para a graça. As pessoas que pregam um “evangelho” em que Deus é somente amor, misericórdia e compaixão, não exigindo a morte do pecador, não entendem uma lei importantíssima para a vida espiritual: não haverá ressurreição se não houver morte; não haverá vida nova e santidade se não matarmos o egoísta que está dentro de nós.

Por isso, esse grande homem, inspirado por Deus e santificado desde o ventre de Isabel, atesta-nos esta mensagem: nós precisamos nos converter, pois o Reino dos Céus está próximo.

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