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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 1, 16.18-21.24a)

Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo.

Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado.

É com especialíssima providência que nos concede Deus, em um ano de tantas tribulações para o mundo inteiro, assolado por castigos com que prostra a divina justiça a soberba humana ao mesmo tempo que nos procura a misericórdia do Pai o remédio de nossas culpas, as glórias nunca assaz louvadas de S. José, proclamado há 150 anos padroeiro da Igreja universal [1]. Embora sejam inumeráveis as virtudes, títulos e invocações sob as quais possamos penetrar sempre mais fundo no mistério desta santidade singular, quiséramos centrar-nos hoje [2] naquela mercê, superior a todas as outras, que constitui a razão de ser de S. José e o motivo fundamental de o venerar a Igreja como o primeiro dos santos e o seu mais poderoso intercessor. Referimo-nos, obviamente, à missão que desde a eternidade lhe foi destinada e em função da qual recebeu o santo Patriarca todas as virtudes que nele admiramos: a piedade, a virgindade, a prudência e a fidelidade. E que missão será esta senão a de ser esposo da Mãe de Deus e pai adotivo do Filho encarnado? Foi para isto, com efeito, que em seus eternos conselhos o predestinou a SS. Trindade; foi para chefe da Sagrada Família que o pensou o Pai de toda paternidade; foi para seu zelosísismo custódio, em preferência a todos os justos, que o plasmou o Verbo divino e para castíssimo guardião da Virgem imaculada que o santificou o Espírito Santo. É de fato tão estreito o vínculo que nos planos divinos une S. José a Cristo e Nossa Senhora que podemos dizer que, no mesmo decreto com que Deus determinou regenerar a humanidade pela Encarnação de seu Filho, estava incluída não só a Virgem bendita como aquela de quem o Verbo tomaria a carne, mas também o próprio S. José. Porque no mesmo ato de vontade com que quis Deus dar ao homem o remédio da salvação pelo Sangue de Cristo, quis que a mulher de quem Ele nasceria estivera unida em sagrado matrimônio a um justo preparado para tão alta missão: “O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, uma virgem desposada com um homem que se chamava José” (Lc 1, 27). Eis por que afirmam muitos teólogos que S. José pertence não apenas à ordem da graça, na qual se encontram os demais santos, mas à ordem da união hipostática, se bem que de uma maneira extrínseca, moral e mediata, inferior à que corresponde à Virgem Maria. S. José, com efeito, não cooperou fisicamente para a Encarnação do Verbo, e é por isso que a sua dignidade e o culto que se lhe deve são inferiores à dignidade e ao culto devido à Mãe de Deus. No entanto, apesar de a participação de José na ordem hipostática circunscrever-se à esfera das causas morais, enquanto guardião da honra e virgindade de Maria e custódio do Menino Jesus, nem por isso é menos verdadeira, no que respeita aos direitos conjugais e à autoridade moral, a sua condição de pai, conforme atesta a Escritura: “Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam” (Lc 2, 33), e reconhece a própria Virgem SS.: “Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura” (Lc 2, 48). Assim pois como Maria, Mãe da Cabeça que é Cristo, pode dizer-se, e de fato o é, Mãe da Igreja, assim também José, pai adotivo e virginal de Cristo, pode dizer-se, e de fato o é, pai espiritual de toda a Igreja Católica, triunfante, padecente e militante. É com o coração posto em tamanho mistério, é com o espírito reconfortado por ter nele um pai e protetor providentíssimo, que devemos invocar o socorro e o patrocínio de S. José, para que nos livre dos males destes tempos tristissimos, se Deus assim for servido, e nos alcance aquela paz e saúde que o mundo mostra-se sempre incapaz de dar. — S. José, protetor da santa Igreja, rogai por nós!

Referências

  1. Cf. Pio IX, Decreto “Quemadmodum Deus”, de 8 dez. 1870.
  2. O texto desta homilia se inspira em algumas ideias tomadas do Pe. R. Garrigou-Lagrange, “De præstantia sancti Ioseph inter omnes sanctos”, em: Angelicum (V/2), abr.-jun. 1928, pp. 205-208.

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