Solenidade da Anunciação do Senhor
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 1, 26-382)

Naquele tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”

Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.

Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível”. Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.

É uma grande alegria celebrar hoje a solenidade da Anunciação do Senhor! Estamos a nove meses do Natal. Celebramos o nascimento de Jesus em 25 de dezembro, nove meses do dia bendito em que Deus, lá do céu, enviou o arcanjo Gabriel para anunciar a Nossa Senhora a boa-nova. Que alegria, que felicidade essa notícia! Deus veio! Esse momento fora anunciado pelos profetas e esperado pelos Patriarcas. Jesus mesmo depois dirá no evangelho de S. João que “Abraão viu o meu dia e se alegrou”. O Filho de Deus, que existe desde todos os séculos — Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro —, veio e quis amar-nos, quis derramar sobre nós a sua caridade divina, o seu amor infinito amando-nos com uma alma humana, com um Coração humano! Deus criou para si corpo e alma, uma natureza humana. Esse é o mistério que celebramos hoje, o mistério da Encarnação. Deus veio, já não estamos mais sozinhos, como diz a primeira leitura, tirada do profeta Isaías: Ele é “Emanuel, Deus conosco”. Deus está conosco, está presente entre nós, mas de uma forma diferente. Sim, Deus está presente em todos os lugares; sim, Deus já estava presente no coração dos justos antes de Cristo vir ao mundo, agora porém Deus está presente na nossa humanidade de outro modo, porque a humanidade de Cristo tornou-se o instrumento da nossa salvação. É nele e por Ele que somos salvos. Que beleza esse mistério! Por isso nós católicos nos prostramos e nos ajoelhamos para adorar o corpo humano, a alma humana, a natureza humana viva que está no sacrário. Ali não há somente um homem como nós, pois Ele é Deus — Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro. Que grande mistério, que maravilha! Ora, o primeiro sacrário — poderíamos até dizer: o único e verdadeiro — foi Nossa Senhora, que acolheu de Coração agraciado ao Deus que vem. Que beleza esse mistério! Poderíamos passar o tempo todo discorrendo sobre isso, delongando-nos bastante, mas aqui é a oração que nos há de conduzir a esses segredos do coração de Deus, sem o que não iremos entender a grandeza do que estamos celebrando. Os anjos celebram conosco, o céu inteiro celebra conosco; na verdade, eles é que celebram de verdade, enquanto nós entramos quase como coadjuvantes, na tentativa de associar-nos aos coros angélicos e dos santos que clamam: “Deus conosco! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!” No entanto, existe uma outra forma de celebrar mais dignamente a solenidade da Anunciação do Senhor, a saber: fazendo a vontade de Deus. É importante entendê-lo. Na segunda leitura, o autor da Carta aos Hebreus nos recorda que, quando o Filho de Deus se encarnou, Ele disse: “Eis que eu venho. Eis-me aqui”, como disse Nossa Senhora a S. Gabriel: “Eis aqui a serva do Senhor”. O Filho encarnado no ventre de Maria também está dizendo: “Eis-me aqui, eis que venho. Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade”. Desde o primeiro momento da existência de sua natureza humana, Cristo, no ventre de Nossa Senhora, já está dizendo: “Eu vim fazer vossa vontade”! Eis um Coração humano tão unido a Deus, que o seu alimento é fazer a vontade de quem o enviou! Para celebrarmos dignamente essa solenidade, é isso que precisamos fazer: conformar nossa vontade à de Deus. Na verdade, essa é a nossa missão, razão por que também nós podemos dizer com Jesus: “Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade”. Sim, viemos ao mundo para isso. Hoje porém as pessoas creem que a própria realização está em fazer o que se quer. Pergunte-se a um pai ou a uma mãe que profissão o filho deles escolheu, qual a sua vocação, o que ele pretende ser etc., e o que se ouvirá como resposta é: “Ah, ele quis fazer tal ou qual coisa, mas o importante é que ele está fazendo o que ele quer”... É o conceito de “autorrealização” do mundo moderno: o importante é fazer o que se quer; se o homem faz o que deseja, então ele é feliz. Isso é estúpido! Por quê? Porque isso supõe que eu, que não sou sábio, sei o que é bom para mim. Mas como? Por acaso eu sei o que é bom para mim? Ora, nós vamos ao médico por não sabermos nem o que é bom para o nosso corpo! É um médico quem nos tem de dizer se nossa alimentação está errada, se temos maus hábitos, se somos sedentários, se precisamos fazer exercício, evitar tal movimento, tomar aquele remédio… Se não sabemos nem o que é bom para o corpo, acaso vamos saber o que o é para a alma, para a nossa existência? É claro que não. Mas existe alguém que sabe. A Sabedoria encarnada. Ela veio, é Jesus, que pode dizer-nos qual é a vontade de Deus a nosso respeito. Ele é sábio, Ele sabe o que é bom para nós; Ele é bom, Ele quer o nosso bem e veio trazer-nos a graça de pegarmos nossa vontade própria, nossos caprichos, nossas veleidades, e renunciarmos a tudo isso, dizendo: “Farei o que o Senhor mandar”. Celebrar a Anunciação do Senhor é seguir o exemplo de Deus feito carne: “Eis que venho fazer a vossa vontade”, é seguir o exemplo de Nossa Senhora: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim conforme a tua palavra”. Viemos para fazer a vontade de Deus. É o que diz Nossa Senhora, é o que devemos fazer todos nós. Façamos, pois, um exame de consciência. Como temos vivido nossa vida? Fazemos apenas o que queremos? Não. Deus faz-nos um grande favor ao nos contrariar, negando-nos muitas vezes a oportunidade de fazermos o que queremos. Tenhamos horror de fazer o que queremos, porque devemos querer o que Ele quer que façamos. Alguém irá pensar: “Tudo bem, padre, mas isso está muito abstrato, muito fora do planeta. Afinal, como eu vou saber o que fazer? Devo ficar rezando, rezando, rezando até que Deus me revele o que quer de mim?” Na verdade, Deus já revelou o que quer: basta, por exemplo, seguir os Mandamentos. Quanta gente acha que a própria “autorrealização” está em desobedecer aos Mandamentos: na fornicação, no adultério, na idolatria, na bebedeira, nas festas, nas drogas, no sexo desregrado!… Não, renunciemos a isso e obedeçamos aos Mandamentos. Deus é bom, é sábio, sabe o que é bom para nós. Obedeçamos. Se obedecermos aos Mandamentos, nosso coração irá configurar-se aos poucos ao de Deus, então ficará mais claro o que Ele quer de nós em outras áreas, em outros campos. Estamos na Quaresma: renúncia e pequenos sacrifícios são formas de ir dobrando a própria vontade caprichosa, altiva, de criança mimada. Digamos: “Eis que eu venho para fazer a vontade de Deus porque esse é o meu bem”. Esse é o meu bem! Ele sabe o que é bom para nós; na verdade, é Ele o nosso Sumo Bem. Renunciar a si mesmo e fazer a vontade de Deus, eis aí a forma de celebrar dignamente, em espírito e verdade, o mistério da santa Anunciação do Senhor. — O Verbo se fez carne e habitou entre nós!

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