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149. “Amai os vossos inimigos”

Todo cristão é chamado a amar como o nosso Pai celeste nos ama. Ele, que faz nascer o sol sobre justos e pecadores, nos amou a tal ponto que, ainda quando éramos seus inimigos, entregou à morte o próprio Filho, para que nele aprendêssemos a amar os que nos odeiam e a rezar pelos que nos perseguem, caluniam e desprezam.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
5, 43-48)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Vós ouvistes o que foi dito: 'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!' Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!

Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre os justos e injustos. Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa?

E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito".

O Evangelho da Missa de hoje nos dá como que um resumo daquilo que é o coração da mensagem cristã: devemos amar a todos, inclusive os que nos desejam mal, e rezar para que todas as almas se abram à graça salvífica de Nosso Senhor. Este preceito — "Amai os vossos inimigos" — talvez nos pareça difícil, e até mesmo absurdo. Afinal, o que de mais árduo, de mais custoso, de mais "antinatural" pode haver para nós do que desejar o bem aos que apenas nos fazem mal? Acaso pode o nosso coração, cheio de orgulho e amor-próprio, ter afeto pelos que o transpassam com indiferenças, maldades, desprezos, humilhações, calúnias?

A chave para este mandamento do Senhor está naquelas últimas palavras da leitura deste sábado: "Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito", pois do mesmo modo como Deus nos reconciliou consigo, mediante a morte do Filho, quando ainda éramos seus inimigos (cf. Rm 5, 10), assim também nós devemos amar os que nos odeiam. De fato, éramos inimigos de Deus, mas Ele não recusou morrer por nós na Cruz; éramos ainda filhos da ira (cf. Ef 2, 3), merecedores dos castigos eternos, e Deus, a cujo coração bondoso dirigíramos as mais duras insolências, entregou-se por nós como propiciação pelos nossos pecados.

Se Deus tanto amou aos que tanto o odiaram, com que razão podemos nós, regatados pelo sangue do Cordeiro, querer o mal aos que nos perseguem e maltratam? Ora, não devíamos ao Senhor uma enorme quantidade de prata? Como agora, perdoados por um Rei tão compassivo, nos irritamos e indignamos com os que nos devem míseros dez denários (cf. Mt 18, 23-35)? Jesus porém nos amou até o fim, quando ainda lhe éramos contrários, e não temeu chamar "amigos" a nós, que tantas e tantas vezes o negamos em frente aos homens, o rejeitamos, o desprezamos.

Amemos, pois, os que nos odeiam; desejemos de todo coração a salvação eterna àqueles que talvez nos desejem a perdição sem fim. Que o nosso amor esteja configurado ao amor que levou o Senhor a padecer os piores sofrimentos, inclusive por aqueles que põem à prova o nosso amor a Deus e a nossa fidelidade às palavras de Jesus. Que a Virgem Imaculada, Rainha da Paz, nos ensine a ter um coração grande e capaz de rezar por todos, pois sobre todos o Senhor faz nascer o sol e cair a chuva.

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