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Homilia Dominical
29 Jun 2019 - 26:50

Sem a fé de Pedro, não há Igreja

O que edifica o novo povo de Deus é o exercício da fé. Mas não qualquer fé, senão a de Pedro. Mas não uma fé exterior e que guardamos na gaveta, senão uma realidade infundida por Deus e que trazemos, viva e ardente, em nosso coração. Nesta homilia para a solenidade de São Pedro e São Paulo, Padre Paulo Ricardo deixa claro: quem não crê em tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica, por mais que vá à igreja e até se diga católico, já há muito tempo deixou de sê-lo.
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Homilia Dominical - 29 Jun 2019 - 26:50

Sem a fé de Pedro, não há Igreja

O que edifica o novo povo de Deus é o exercício da fé. Mas não qualquer fé, senão a de Pedro. Mas não uma fé exterior e que guardamos na gaveta, senão uma realidade infundida por Deus e que trazemos, viva e ardente, em nosso coração. Nesta homilia para a solenidade de São Pedro e São Paulo, Padre Paulo Ricardo deixa claro: quem não crê em tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica, por mais que vá à igreja e até se diga católico, já há muito tempo deixou de sê-lo.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 16, 13-19). — Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.


Meditação. — 1. Todos os anos, na solenidade de São Pedro e São Paulo, nós meditamos o capítulo 16 do Evangelho de São Mateus. Jesus leva os discípulos para fora da Terra Santa e, num lugar de culto pagão, Ele lhes pergunta sobre a opinião que os homens tinham a respeito dEle. Depois, Cristo os interroga: “E vós, quem dizeis que eu sou?”

É Pedro então, como chefe dos Apóstolos, e inspirado pelo próprio Deus, que lhe responde, dizendo: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Essa resposta, como já tivemos ocasião de meditar, expressa a identidade mais profunda de Nosso Senhor. Mas o que chama atenção, no Evangelho deste domingo, é a reação de Jesus diante da fé de Simão. Se Pedro havia descoberto a verdadeira Pessoa de Cristo, agora era Jesus quem revelaria a identidade de Pedro e o seu papel dentro da Igreja, como chefe dos Apóstolos e vigário de Cristo.

A revelação de Jesus ilumina, por um lado, a nossa atitude com relação à instituição do papado e, por outro, a nossa própria identidade, como membros do Corpo Místico de Cristo. Em primeiro lugar, Jesus manifesta a felicidade da fé de Pedro, porque sua causa não é “um ser humano”, mas o Pai que lha revelou. Existe uma felicidade em crer porque, nesse ato, acontece um toque da graça do Espírito Santo, que conduz à religião verdadeira. E é nesta fé que devemos nos fundamentar para mantermos nossa união com a Igreja.

2. Quando Jesus se dirige a Simão, Ele o chama metaforicamente de Pedro (Πέτρος) e diz que sobre esta pedra (πέτρᾳ) edificará a sua Igreja. Sim, Ele vai construir (οἰκοδομήσω) a sua casa, mas não no sentido ao qual estamos acostumados. Jesus não vai fazer argamassa e levantar um prédio. Ele vai, em vez disso, edificar a sua ἐκκλησία, i.e., a assembleia do novo Povo de Deus (Qahal Yahvé, como era chamado em hebraico). E o laço sanguíneo dessa família, o coração desse corpo, a pedra fundamental desta ἐκκλησία, diz Jesus, será a comunhão com a fé de Pedro (καὶ ἐπὶ ταύτῃ τῇ πέτρᾳ οἰκοδομήσω μου τὴν ἐκκλησίαν).

A metáfora usada por Nosso Senhor é pontual. Ele não a escolheu aleatoriamente, mas quis expressar um significado profundo, de modo que Simão passa a chamar-se mesmo Pedro. Vale lembrar que Πέτρος é uma pedra grande, enquanto que πέτρᾳ é um pedregal, uma montanha de pedra, um local sólido onde se pode construir uma casa.

Em termos práticos, a metáfora de Jesus quer dizer o seguinte: ninguém pode ser membro de seu Corpo Místico, não pode construir uma casa em terreno firme, não pode pertencer ao Povo de Deus, se, antes, não professar a mesma fé material de São Pedro, e crer nas mesmas coisas que ele creu.

Entre os seus vários discípulos, Jesus escolheu doze para anunciarem a Boa Nova aos quatro cantos do mundo. Uns foram para a Índia, outros para a Espanha, outros para o Egito. E Pedro foi para Roma. Jesus sabia que, durante séculos, a Igreja não poderia se reunir facilmente, diante das inúmeras perseguições do Império Romano. Naquele tempo não havia redes sociais. A regra de fé dos Apóstolos, a referência para toda a Igreja deveria ser, portanto, a diocese de Roma, confirmada pelo sangue de São Pedro e de seus sucessores. E essa regra deve valer ainda hoje.

Ao longo dos séculos, os documentos magisteriais dos Romanos Pontífices serviram para esclarecer o conteúdo de nossa fé, da mesma fé de Pedro, sobre a qual está alicerçada a única e verdadeira Igreja de Cristo. Um bom católico deve crer, portanto, em todos os Concílios válidos, desde o Concílio de Niceia ao Concílio de Trento, do Vaticano I ao Vaticano II, e não apenas na chamada Igreja “pós-conciliar”, como se todo o magistério antes da década de 1960 houvesse caducado. Foi justamente para corrigir essa opinião revolucionária que o papa João Paulo II mandou promulgar um novo catecismo, confirmando a Tradição católica.

João Paulo II bem sabia que o novo Catecismo da Igreja Católica deveria ter, substancialmente, a mesma doutrina do Catecismo de São Pio X, cuja doutrina era a mesma do Catecismo de Trento e assim sucessivamente até chegar ao credo dos Apóstolos. Porque se a Igreja “pós-conciliar” não ensinasse a mesma fé bimilenar dos Apóstolos então esta seria outra Igreja e, portanto, não seria a Igreja de Cristo. A substância da Igreja precisa se manter a mesma, como a substância do bebê não pode mudar com o passar dos anos de sua vida, senão apenas os seus acidentes, ou seja, tamanho, voz, aparência etc.

3. De nossa parte, cabe-nos, em primeiro lugar, acreditar em todos os artigos da fé de Pedro, crer em tudo quanto a Igreja ensina e acredita, ter essa fé material (fides quae) nas verdades reveladas por Nosso Senhor. Mas só isso não basta. É preciso que a nossa fé seja cada vez mais fervorosa, com atos de fé exercidos, para que a Igreja cresça em nós (fides qua). Aqui está um ponto chave da perfeição cristã. Quando nós crescemos espiritualmente, por meio desses atos de fé exercidos, a Igreja cresce junto conosco.

Se, por outro lado, a fé com a qual cremos se torna insípida, e, além disso, deixamos de acreditar em algum artigo da doutrina cristã, por menor que seja ele, nós já não pertencemos mais às fileiras da Igreja Católica, mesmo que nela exerçamos algum ofício, seja ministerial, seja pastoral, seja sacerdotal. O sacerdote que não ensina a fé católica de dois mil anos não é mais membro espiritual da Igreja, ainda que não o saiba e esteja no púlpito de alguma paróquia fazendo as suas homilias.

Quem escolhe o conteúdo de sua fé não tem uma atitude propriamente católica. E não é preciso que o bispo o declare formalmente excomungado para que esse indivíduo esteja espiritualmente fora da Igreja. 

Que nossa medida seja outra. Nesta solenidade de São Pedro e São Paulo, peçamos ao Espírito Santo uma fé cada vez mais robusta, com a qual possamos crer em todos os artigos da doutrina cristã e, assim, crescer espiritualmente em comunhão com o santo Corpo Místico de Cristo.

Oração. — Meu Senhor, enviai o vosso Espírito sobre o meu coração para que eu jamais esteja fora de vosso Corpo Místico. Iluminai minha inteligência e fortalecei minha vontade para que eu possa livremente aderir a todo conteúdo da vossa Revelação. Gerai em mim uma fé intrépida, a fim de que eu não tenha medo de professar em público o vosso Santo Nome e o nome da vossa Santa Igreja Católica. Assim seja.

Propósito. — Meditar sobre o primado do sucessor de Pedro no mistério da Igreja.

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