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486. Solenidade de São José, Esposo de Nossa Senhora

A devoção a São José não apenas se encontra inseparavelmente unida ao amor à Virgem Maria como, além disso, é fonte fecunda de luz para compreendermos mais a fundo a nossa vocação a sermos família.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
1, 16.18-21.24a)

Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: "José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados". Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado.

Celebrar hoje a solenidade São José, guardião do Redentor, é para todos nós, fiéis brasileiros, motivo de especial alegria não somente pela terníssima piedade com que os católicos de nossa terra sempre honraram a figura daquele a quem o Filho de Deus encarnado dignou-se chamar de pai, mas sobretudo por ocasião deste Ano Jubilar Mariano com que, em comemoração aos trezentos anos da aparição da imagem de Nossa Senhora da Conceição, a Igreja busca imprimir no coração de seus filhos mais profundos sentimentos de amor e confiança para com a Mãe do nosso divino Salvador. Visto à luz da festividade de hoje, o presente Jubileu é também motivo para nos lembrarmos de que, do mesmo modo como os pais do Senhor estiveram unidos pelo vínculo indissolúvel de um verdadeiro matrimônio (cf. Mt 1, 16; 19, 6), assim também a devoção a São José encontra-se de tal maneira unida à de sua Santíssima Esposa que é de todo impossível ter "uma devoção profunda e autêntica a Maria sem sentir também uma veneração especialíssima por seu virginal esposo" [1].

E disto nos podemos dar conta se, contemplando agora aquela vida escondida em Nazaré, tivermos em mente que, depois de Cristo, nenhuma outra alma amou tanto a Virgem Imaculada quanto aquele escolhido, por inefável providência, para ser o protetor de sua castidade e a mais fiel testemunha de sua intocável virgindade. Este amor singular de São José para com a Mãe de Deus é, por sua vez, uma luz que nos permite entrever com ainda maior clareza qual seja a natureza da família humana. A caridade eminentíssima de São José, com efeito, pela qual ele se fez todo e inteiramente de Maria, nos mostra que a família, para além de sua base biológica, não é outra coisa senão uma aliança de amor em que um, esquecido de si, se dispõe a tudo entregar pelo bem do outro. Assim, pois, vemos as Escrituras retratarem a este santo Patriarca, que, sem nunca pensar em si mesmo, se dedicou a proteger com sumo carinho e solicitude diária a sua Esposa e ao Divino Infante, procurando com seu próprio trabalho tudo quanto fosse necessário ao bem-estar de ambos; livrou da morte a vida ameaçada do Menino Jesus pela inveja do ímpio Herodes, encontrando-lhe um esconderijo seguro; fez-se, enfim, companhia constante e apoio fiel de Jesus e de Maria nos incômodos da viagem ao Egito e nas asperezas do exílio [2].

Todos esses exemplos nos mostram que São José, do qual nenhuma palavra nos chegou, foi um homem "sem identidade", porque foi um homem dedicado exclusivamente aos demais. Não tinha planos e projetos pessoais; não pensava em seu descanso e comodidade; pouco lhe importavam as dificuldades e durezas de uma vida de trabalho modesto e sem brilho. Uma só coisa lhe ocupava o coração: Jesus e Maria, este duplo e tão caro tesouro — como diz uma conhecida oração — que o Pai lhe confiara. Que o modelo de esquecimento próprio e abnegação do santíssimo esposo de Nossa Senhora nos estimule, ao longo desta Quaresma, a pedirmos a Deus com incessantes orações a graça de, com um coração renovado pela graça, vivermos totalmente para os outros, nos quais o Filho do Homem, por arcano desígnio de sua providência, se faz presente e espera ser amado (cf. Mt 25, 35-40). Aproveitemos, por fim, este Jubileu Mariano para, crescendo a cada dia na devoção à nossa Mãe do Céu e imitando as virtudes de seu virginal marido, não termos outro amor maior do que Jesus e Maria.

Referências

  1. A. Royo Marín, La Virgen María. Madrid: BAC, 1968, p. 426, n. 405.
  2. Cf. Leão XIII, Encíclica "Quamquam pluries", de 5 ago. 1889 (ASS 22 [1889] 67).
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