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Um santo “ecológico”?

Hoje em dia, quando falamos de São Francisco, muitos pensam num “amante da natureza”, um Francisco “ecológico”. Mas ele foi, antes de tudo, um crucificado, um homem que se configurou tanto a Cristo ao ponto de as chagas do Senhor lhe serem impressas na carne.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 8,4-15)

Naquele tempo, reuniu-se uma grande multidão, e de todas as cidades iam ter com Jesus. Então ele contou esta parábola:

“O semeador saiu para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada e os pássaros do céu a comeram. Outra parte caiu sobre pedras; brotou e secou, porque não havia umidade. Outra parte caiu no meio de espinhos; os espinhos cresceram juntos, e a sufocaram. Outra parte caiu em terra boa; brotou e deu fruto, cem por um”. Dizendo isso, Jesus exclamou: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça”.

Os discípulos lhe perguntaram o significado dessa parábola. Jesus respondeu:

“A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus. Mas aos outros, só por meio de parábolas, para que olhando não vejam, e ouvindo não compreendam. A parábola quer dizer o seguinte: A semente é a Palavra de Deus. Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram, mas, depois, vem o diabo e tira a Palavra do coração deles, para que não acreditem e não se salvem. Os que estão sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolhem a Palavra com alegria. Mas eles não têm raiz: por um momento acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás. Aquilo que caiu entre os espinhos são os que ouvem, mas, com o passar do tempo são sufocados pelas preocupações, pela riqueza e pelos prazeres da vida, e não chegam a amadurecer. E o que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a Palavra, e dão fruto na perseverança”.

No dia 17 de setembro a família franciscana celebra a impressão das chagas de São Francisco de Assis, São Francisco das Chagas, e o Evangelho de hoje é o evangelho do semeador. Como é que a vida de São Francisco pode, de alguma forma, comentar para nós o Evangelho que a Igreja proclama?

Bom, em primeiro lugar, nós vemos que Francisco de Assis é um jovem dissipado e sonhador. É exatamente a semente que cai no caminho, ou seja, ele era cristão, ouvia as palavras do Evangelho, mas nunca parou realmente para receber aquela mensagem nem meditar sobre ela.

Na prisão, quando ele sofreu uma derrota na guerra, teve a oportunidade de começar a refletir. Foi aí que começou tudo. Começou a mudar a vida do Francisco de Assis, que antes era um trovador, um homem que vivia de festas e prazeres mundanos. Agora, então, finalmente a semente começa a brotar.

Mas essa semente que brota, brota como uma proposta, proposta de configuração a Cristo. Quando São Francisco de Assis ouve Cristo crucificado que lhe fala, percebemos uma mudança. O rapaz que antes não queria saber de dor e de sacrifício finalmente começa a sofrer por amor a Cristo. Eis aí a semente que caiu no pedregulho e não aceita o sofrimento.

Agora, Francisco aceita o sofrimento e configura-se, aceita a cruz de Cristo e quer verdadeiramente sofrer por amor a Ele. Começa a amar Jesus, mas não pára por aí. Depois, nós temos a semente que é sufocada pelos espinhos, ou seja, as preocupações do mundo. O Francisco rico, o Francisco cheio de bens se desfaz de tudo isso, entrega tudo e desposa a “dona Pobreza”.

É assim que ele, despreocupado da mundanidade, pode, finalmente livre, alçar voo. Sim, esse será Francisco de Assis. Dali para a frente, o santo começou a dar fruto, começou a frutificar cada vez mais, e tal foi o fruto de Francisco de Assis, que contagiou uma multidão, uma multidão enorme de jovens e moças na Europa que quiseram se dedicar totalmente a Deus e se entregar a Ele.

Hoje em dia, quando nós falamos de São Francisco, muitos querem falar de um Francisco “amante da natureza”, um Francisco “ecológico”. No entanto, ele foi, antes de tudo, um crucificado, ou seja, um homem que se configurou tanto a Cristo ao ponto de as chagas do Senhor lhe serem impressas na carne.

Nós, quando vemos aquele Cântico das Criaturas — “irmão Sol”, “irmã Lua” etc. — pensamos num São Francisco de Zeffirelli andando numa campina verdejante da Úmbria e ensolarada. Na verdade, Francisco, quando compôs aquele hino, estava completamente destruído fisicamente, chagado, cego, com reumatismo e febres terríveis, às portas da morte, e no entanto, com fé, ele conseguiu ver a beleza da criação como um amor imenso de Deus por nós, porque somente no Cristo crucificado é que nós temos a chave de leitura do amor com que Deus nos amou.

Sim, porque Ele não somente nos criou, Ele nos redimiu. Não basta termos sido criados, é importante sermos levados a um amor superior. Somente assim, se nós abraçarmos a Cristo, iremos frutificar como uma boa semente sabe frutificar quando cai em terra boa.

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