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Por que os católicos veneram o Coração de Jesus?
Doutrina

Por que os católicos
veneram o Coração de Jesus?

Por que os católicos veneram o Coração de Jesus?

Entenda em que consiste a devoção ao Coração de Jesus e por que motivo ela é um meio tão eficaz de nos conduzir a um amor mais perfeito a Deus e aos nossos irmãos.

Padre Antonio Royo MarínTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Junho de 2018
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Lamentando com toda a cristandade os males que afligiam o mundo no início do século passado, em especial a difusão do comunismo e de doutrinas antirreligiosas, quando não aberta e agressivamente ateias, o Papa Pio XI concluía sua Encíclica “Caritate Christi” recordando que o “Coração divino de Jesus não poderá deixar de se comover com as súplicas e sacrifícios de sua Igreja, e acabará por dizer à sua esposa que geme a seus pés sob o peso de tantas dores e males: ‘Grande é a tua fé. Faça-se como queres’ (Mt 15, 28)”.

Isso, é claro, sob a condição de que os fiéis recorressem o mais possível à oração e à prática de penitência cristã, que chegam ao seu ponto máximo quando se convertem naquela reparação satisfatória que o doloroso Coração de Jesus, saturado de tantas injúrias, espera de todos os membros da Igreja.

Como meio de estimular em nossos leitores o desejo de unir-se a esse espírito de reparação ao Sagrado Coração de Jesus, tão próprio deste mês de junho, parece conveniente recordar um pouco, a partir das lições sempre acessíveis do Pe. Antonio Royo Marín [1], em que consiste esta preciosa devoção, que nas palavras do Papa Pio XII não só não se opõe à reta fé católica como constitui, antes, “a mais completa profissão da religião cristã”.


Quase todos os modernos tratados teológicos De Verbo incarnato reservam um capítulo, muito oportunamente, à doutrina sobre a devoção e o culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus.

Esta devoção tão entranhável e este culto tão legítimo, de qualquer ponto de vista, foram alvo de duros ataques em diferentes épocas da história, sobretudo por parte dos jansenistas; mas sempre recebeu as bênçãos e recomendações da Igreja. Em nossos dias, o imortal Pontífice Pio XII publicou sobre esta grande devoção uma maravilhosa encíclica que tem por título Haurietis aquas. Nela, o Pontífice resolveu algumas questões discutidas, precisou com exatidão seu verdadeiro sentido, pôs em evidência sua soberana excelência e sua perene atualidade e deu a esta preciosíssima devoção um impulso definitivo como uma das mais mais importantes e fundamentais do cristianismo.

As principais conclusões teológicas que se depreendem da encíclica Haurietis aquas, de Pio XII, e da Miserentissimus Redemptor, de seu imediato predecessor, Pio XI, são as seguintes:

O objeto final ou terminativo do culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus é a pessoa do Verbo divino, à qual está hipostaticamente unido. Por isso, o Coração de Jesus deve ser adorado com rigorosa adoração de latria.

Ouçamos a Pio XII:

Portanto, neste assunto tão importante como delicado, é necessário ter sempre presente que a verdade do simbolismo natural, que relaciona o Coração físico de Jesus com a pessoa do Verbo, repousa toda na verdade primária da união hipostática. Quem isto negasse renovaria erros mais de uma vez condenados pela Igreja, por serem contrários à unidade da pessoa de Cristo em duas naturezas íntegras e distintas (n. 59).

O culto de latria, com efeito, não pode ser oferecido senão a uma pessoa divina. Por isso, a pessoa do Verbo encarnado deve ser o objeto final ou terminativo sobre o qual recaia o culto tributado a seu Sacratíssimo Coração.

O objeto material próximo ou imediato é o Coração físico de Jesus, enquanto expressão natural do amor divino e humano do mesmo Cristo.

O próprio Cristo mostrou seu divino Coração a S. Margarida Maria de Alacoque enquanto lhe dizia: “Eis aqui o Coração que tanto amou os homens”. O Coração físico como natural expressão de seu imenso amor: esse é o objeto material sobre o qual recai imediatamente o culto ao Coração de Jesus.

Nada, portanto, proíbe que adoremos o Coração Sacratíssimo de Jesus Cristo, enquanto é participante, símbolo natural e sumamente expressivo daquele amor inexaurível em que ainda hoje o divino Redentor arde para com os homens (n. 42).

Como se sabe, o coração não é o órgão do amor espiritual (que procede da vontade racional), nem mesmo do amor sensível (que é uma paixão do apetite sensitivo). Mas sobre o coração físico repercute ordinariamente nossa vida afetiva e sentimental. Isto basta para considerá-lo como expressão natural do amor, conforme o uso consagrado e o costume universal dos homens.

O venerável Papa Pio XII.

O objeto formal, ou seja, o motivo ou a razão principal do culto ao Coração de Jesus é a divina excelência da pessoa do Verbo encarnado com especial atenção a seu tríplice amor por nós: divino, humano-espiritual e humano-sensível.

Ouçamos a Pio XII explicando tudo isso em diferentes passagens de sua encíclica:

É preciso entender bem o motivo pelo qual a Igreja tributa ao Coração do divino Redentor o culto de latria. Duplo, veneráveis irmãos, como bem sabeis, é tal motivo: o primeiro, que é comum também aos demais membros adoráveis do corpo de Jesus Cristo, funda-se no fato de, sendo o seu Coração parte nobilíssima da natureza humana, estar unido hipostaticamente à pessoa do Verbo de Deus, e, portanto, dever-se-lhe tributar o mesmo culto de adoração com que a Igreja honra a pessoa do próprio Filho de Deus encarnado. Trata-se, pois, de uma verdade de fé católica, solenemente definida no concílio ecumênico de Éfeso e no II de Constantinopla (n. 12).

O outro motivo concerne de maneira especial ao Coração do divino Redentor, e, pela mesma razão, confere-lhe um título inteiramente próprio para receber o culto de latria. Provém ele de que, mais do que qualquer outro membro do seu corpo, o seu Coração é o índice natural ou o símbolo da sua imensa caridade para com o gênero humano (n. 12).

E, assim, do elemento corpóreo, que é o Coração de Jesus Cristo, e do seu natural simbolismo, é legítimo e justo que, levados pelas asas da fé, nos elevemos não só à contemplação do seu amor sensível, porém a mais alto, até à consideração e adoração do seu excelentíssimo amor infuso, e, finalmente, num vôo sublime e doce ao mesmo tempo, até à meditação e adoração do amor divino do Verbo encarnado; já que à luz da fé, pela qual cremos que na pessoa de Cristo estão unidas a natureza humana e a natureza divina, podemos conceber os estreitíssimos vínculos que existem entre o amor sensível do Coração físico de Jesus e o seu duplo amor espiritual, o humano e o divino. Em realidade, não devem esses amores ser considerados simplesmente como coexistentes na adorável pessoa do Redentor divino, mas também como unidos entre si com vínculo natural, já que ao amor divino estão subordinados o humano, o espiritual e o sensível, os quais são uma representação analógica daquele (n. 58).

O culto ao Coração de Jesus tem por finalidade a perfeição de nosso amor a Deus e aos homens.

Ouçamos de novo a Pio XII:

Assim sendo, facilmente deduzimos que, pela própria natureza das coisas, o culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus é o culto ao amor com que Deus nos amou por meio de Jesus Cristo, e, ao mesmo tempo, o exercício do amor que nos leva a Deus e aos outros homens; ou, dito de outra forma, este culto dirige-se ao amor de Deus para conosco, propondo-o como objeto de adoração, de ação de graças e de imitação; e tem por fim a perfeição do nosso amor a Deus e aos homens mediante o cumprimento cada vez mais generoso do “mandamento novo”, que o divino Mestre legou como sagrada herança aos seus Apóstolos quando lhes disse: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei… O meu preceito é que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei” (Jo 13, 34; 15, 12) (n. 60).

Os elementos essenciais do culto ao Coração de Jesus são os atos de amor e de reparação tributados ao amor de Deus, em desagravo das ofensas que Ele recebe dos homens.

Santa Margarida M.ª Alacoque, visitada pelo S. Coração.

Pediu-o expressamente o mesmo Cristo à sua fiel confidente Santa Margarida Maria de Alacoque e o confirmaram plenamente Pio XI e Pio XII. Eis aqui os textos:

Cristo: Então, descobrindo-me seu divino Coração, disse-me: “Eis aqui este Coração que tanto tem amado os homens, que tudo perdoou até esgotar-se e consumir-se, a fim de lhes mostrar seu amor; e, como agradecimento, não recebe da maior parte deles senão ingratidões, com suas irreverências e sacrilégios e com a frieza e os desprezos que têm para com Ele no sacramento de seu amor… Tu, ao menos, dá-me esta satisfação: de suprir suas ingratidões tanto quanto te seja possível [2].

Pio XI: E, efetivamente, o espírito de expiação ou reparação sempre teve o primeiro e principal lugar no culto que se presta ao Sacratíssimo Coração de Jesus; e, como se confirma pela história, os costumes, além da Sagrada Liturgia e os decretos dos Sumos Pontífices, nenhum outro é mais adequado à origem, à natureza, à eficácia e às práticas próprias desta particular forma de devoção (n. 9).

Pio XII: Desde quando se promulgaram os primeiros documentos oficiais relativos ao culto do Coração Sacratíssimo de Jesus, tem sido constante persuasão da Igreja, mestra da verdade para os homens, que os elementos essenciais desse culto, quer dizer, os atos de amor e de reparação tributados ao amor infinito de Deus para com os homens, longe de estarem contaminados de materialismo e de superstição, constituem uma forma de piedade em que se põe plenamente em prática aquela religião espiritual e verdadeira que o próprio Salvador anunciou à samaritana: “Já chega o tempo, e já estamos nele, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4, 23-24) (n. 56).

Em razão disso tudo, a veneração e o culto ao Coração Sacratíssimo de Jesus constitui a mais completa profissão da religião cristã.

Pio XII o diz expressamente com essas mesmas palavras:

Essa verdade fundamental permite-nos entender como o Coração de Jesus é o Coração de uma pessoa divina, quer dizer, do Verbo encarnado, e que, por conseguinte, representa e nos põe ante os olhos todo o amor que ele nos teve e ainda nos tem. E aqui está a razão por que, na prática, o culto ao Sagrado Coração é considerado como a mais completa profissão da religião cristã. Verdadeiramente, a religião de Jesus Cristo funda-se toda no Homem-Deus Mediador, de maneira que não se pode chegar ao coração de Deus senão passando pelo Coração de Cristo, conforme o que Ele mesmo afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6) (n. 60).

Referências

  1. Cf. Antonio Royo Marín, Jesucristo y la vida cristiana. Madrid: BAC, 1961, pp. 205-208, nn. 185-191.
  2. S. Margarida Maria de Alacoque, Vie et œuvres. Paris, 1920, t. 2, p. 27.

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A amiga da Irmã Lúcia que “estará no Purgatório até o fim do mundo”
Doutrina

A amiga da Irmã Lúcia que “estará
no Purgatório até o fim do mundo”

A amiga da Irmã Lúcia que “estará no Purgatório até o fim do mundo”

Mais uma revelação de Nossa Senhora de Fátima muito útil para nos mover a trabalhar com mais afinco por Deus.

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Junho de 2018
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Das Memórias da Irmã Lúcia:

— E eu também vou para o Céu?
— Sim, vais.
— E a Jacinta? 
— Também. 
— E o Francisco? 
— Também, mas tem que rezar muitos terços.

Lembrei-me então de perguntar por duas raparigas que tinham morrido há pouco. Eram minhas amigas e estavam em minha casa a aprender a tecedeiras com minha irmã mais velha. 
— A Maria das Neves já está no Céu? 
— Sim, está.
Parece-me que devia ter uns 16 anos. 
— E a Amélia? 
Estará no purgatório até ao fim do mundo. [1]

Talvez a revelação da Virgem Santíssima à Irmã Lúcia assuste-nos um pouco. É de fato impressionante a ideia de uma alma sofrendo no Purgatório até a consumação dos tempos. Movidos pela curiosidade, podemos chegar a nos perguntar o que teria feito Amélia para merecer uma punição assim tão severa da justiça divina.

O que mais nos aproveita, porém, é pensar que todos nós podemos muito bem ter a mesma sorte dessa amiga da Irmã Lúcia, caso levemos uma vida medíocre, “mais ou menos”, sem peso; caso não queiramos pagar, nesta existência, o alto preço do amor. O Purgatório é, afinal, o lugar para onde vão as almas que, embora se tenham salvo, não quiseram se entregar totalmente a Deus; embora se tenham salvo, ainda estavam muito apegadas às coisas deste mundo.

A pena de Amélia leva-nos a lembrar, também, daquela visão de Santa Francisca Romana, segundo a qual “por cada pecado mortal perdoado”, restaria “à alma culpada passar por um sofrimento de sete anos” no Purgatório. A amiga da Irmã Lúcia talvez tenha sido uma dessas almas que acumularam em vida inúmeros pecados mortais, dos quais se arrependeram, sem que tenham tido tempo, no entanto, para repará-los nesta vida.

Com revelações como essa, Deus quer fazer um apelo à nossa indiferença, dar um grito para romper a nossa surdez. Não se entra no Céu senão por meio de muitos sofrimentos (cf. At 14, 22). Se não quisermos sofrer aqui, teremos de sofrer no outro mundo. E daí não saíremos enquanto não houvermos pago “até o último centavo” (Mt 5, 26).

Cumpre dizer, de outro lado, para não retratar o Purgatório com cores demasiado duras, que evidentemente é bem mais consoladora a sorte de Amélia que a das inúmeras almas que os pastorinhos de Fátima viram precipitando-se no Inferno. É evidente que os dois estados não podem ser equiparados, por mais doloroso e duradouro que seja o Purgatório.

O problema de muitos de nós é o quão longe estamos da meta, o quão mesquinha é muitas vezes a lógica com que vivemos a nossa fé. Quantas vezes não pensamos, por exemplo, ou até dizemos: “Se eu chegar ao Purgatório, já me darei por satisfeito”, ou: “Se for ao Purgatório, já estarei no lucro”?

Não que isso não seja verdade, mas é uma verdade contada pela metade. É como a história do jovem rico (cf. Mc 10, 17-27), que poderia ser um grande discípulo de Cristo, e não foi.

Poderíamos até nos perguntar se essa personagem anônima dos Evangelhos, da qual não mais tivemos notícia, realmente se salvou. Talvez até tenha tido a “sorte” de passar o Purgatório com Amélia até o fim do mundo. Talvez já esteja no Céu agora, tendo passado por um brevíssimo Purgatório. A verdade é que, do jeito como ele deixou a famosa cena do Evangelho, seu lugar ainda não era o Céu. Porque o Céu não é simplesmente o lugar de quem não tem pecados (como o jovem rico parecia não ter); o Céu é o lugar dos que amam, dos que querem se unir a Deus mais do que qualquer coisa nesta vida.

Mas e nós, queremos isso? Queremos amar a Deus de todo o coração, ou nos contentaremos com garantir nossa salvação? Queremos viver plenamente o chamado de Deus para nós ou nos bastará “garantir uma vaga” no Purgatório?

Ninguém pense que se trata de desejos vãos. O quanto quisermos indicará a medida com que trabalharemos. Quem pensa em atingir o Purgatório, se esforçará o necessário para chegar aí. Se trabalharmos para o Céu, no entanto, tudo mudará. Inclusive nossa sorte na outra vida.

Que o exemplo dessa amiga da Irmã Lúcia nos ajude a imitar os pastorinhos de Fátima, que viveram sua vocação com heroísmo e, como recompensa, foram acolhidos sem demora no Reino dos Céus. Quanto à alma de Amélia, só o que lhe resta é contar com as nossas orações… “até ao fim do mundo”.

Referências

  1. Aparição de 13 de maio de 1917. Em: Memórias da Irmã Lúcia. 13.ª ed. Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2007, p. 173.

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Obrigado, Padre Paulo Ricardo!
Padre Paulo Ricardo

Obrigado, Padre Paulo Ricardo!

Obrigado, Padre Paulo Ricardo!

Obrigado, Padre Paulo Ricardo, por se esvaziar de si mesmo e ser para nós, neste mundo, “um testemunho do Deus invisível”.

Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Junho de 2018
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Reverendíssimo Padre Paulo Ricardo,

Em 1959, por ocasião do primeiro centenário da morte de São João Maria Vianney, o Papa São João XXIII escrevia que, “hoje, os cristãos fervorosos esperam muito do padre. Querem ver nele, neste mundo onde triunfa com frequência o poderio do dinheiro, a sedução dos sentidos, o prestígio da técnica, um testemunho do Deus invisível, um homem de fé, esquecido de si mesmo e cheio de caridade” [1].

Essa descrição de sacerdócio — que, digamo-lo mais claramente, não é apenas a expectativa dos cristãos de hoje, mas o desejo constante de Deus para os padres — vem bem a calhar neste dia 14 de junho de 2018, em que o senhor completa 26 anos de ministério sacerdotal.

Não porque o senhor seja santo, nem porque queiramos adulá-lo — o senhor nunca permitiu que o tratássemos dessa forma —, mas porque é justamente essa visão de sacerdócio que o senhor promove com suas pregações e, dia após dia, também com seu exemplo.

Nenhum de nós que convivemos com o senhor pode negar, por exemplo, que o senhor é “um homem de fé”. Sem se apegar a opiniões próprias, o que o senhor quer nos dar é “A Resposta Católica”. Sem querer ser “original”, a fé que o senhor (tanto!) nos ensina a pedir é “em tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”. Nada mais, nada menos.

Por isso, só por isso já receba, Padre Paulo Ricardo, a nossa mais profunda gratidão, pois sabe Deus o que seria de nós, por que vales tenebrosos estaríamos errando, a que ideias mirabolantes estaríamos servindo, não fosse o senhor a emprestar humildemente a sua voz à de Nosso Senhor e conduzir-nos ao aprisco da Santa Igreja Católica.

Obrigado, Padre, porque a doutrina que o senhor nos ensina não é sua, mas de Jesus Cristo.

Nenhum de nós pode negar também que, como um verdadeiro pai, o senhor vive “esquecido de si mesmo” — e ainda nos ensina a fazer o mesmo, para que a nossa vida realmente ganhe sentido!

Com uma história que o senhor vive repetindo (e que não nos cansamos de escutar), nós aprendemos, por exemplo, que “nós não temos vida” para nós mesmos, que “a nossa vida é para os outros”! E isso, justamente por ser algo que nos perturba e inquieta, é também algo que nos encoraja, que nos faz querer ser grandes, que nos motiva na busca da santidade!

Por isso, obrigado, Padre, obrigado por nos apresentar a medida do amor, que é amar sem medidas. Obrigado por nos ensinar que há vida para além do “salário mínimo” de nossas obrigações; por nos ensinar que a santidade não consiste em não pecar, mas em amar a Deus de todo o coração, com toda a nossa alma e todo o nosso entendimento!

Ninguém pode negar, enfim, Padre, que o senhor é um homem “cheio de caridade”. É o que vemos em suas meditações, tantas vezes embargadas de emoção, ao falar de Nosso Senhor. É o que vemos em suas exortações insistentes para que tenhamos vida de oração e amemos nosso Salvador, escondido no íntimo de nosso coração.

Por isso, obrigado, Padre, obrigado por nos recordar constantemente a importância da oração!

Quantos vivem no mundo, angustiados por não saber o que lhes falta! Aparentemente têm tudo: um lugar para morar, uma companhia com que passar o resto de seus dias, um automóvel para ir aonde quiserem, uma conta gorda no banco… Mas vivem infelizes, e sequer sabem onde procurar! “Ó Israel, felizes somos nós, porque nos é dado conhecer o que agrada a Deus” (Br 4, 4). Felizes somos nós porque sabemos a razão dessa inquietude em nosso ser: e sabemos onde saná-la. E tantos de nós só aprendemos isso porque o ouvimos do senhor!

Por isso, Padre Paulo Ricardo, muito obrigado! Obrigado por se esvaziar de si mesmo e ser para nós “um testemunho do Deus invisível”. Que Deus o continue guardando no Coração Eucarístico de Jesus, para que o senhor não deixe nunca de nos apontar, com suas palavras e com seu exemplo, o caminho do Céu!

Referências

  1. Papa S. João XXIII, Carta Encíclica Sacerdotii Nostri Primordia (1.º de agosto de 1959), n. 61.

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Formulário para a Missa do Coração Eucarístico de Jesus
Liturgia

Formulário para a Missa
do Coração Eucarístico de Jesus

Formulário para a Missa do Coração Eucarístico de Jesus

Embora não conste em nosso Missal, existe um formulário para os sacerdotes que desejam celebrar, nesta quinta-feira, a festa em honra ao Coração Eucarístico de Nosso Senhor.

Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Junho de 2018
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Existe um formulário para os sacerdotes que desejam celebrar, amanhã, a festa do Coração Eucarístico de Jesus. Para acessá-lo, basta clicar aqui.

Substancialmente, o culto prestado pela Igreja ao Coração Eucarístico de Jesus é o mesmo que ela tributa ao seu Sacratíssimo Coração. Todos os fiéis — e, de um modo particular, os sacerdotes — são convidados a venerar com respeito, amor e gratidão, o símbolo do amor supremo pelo qual Jesus Cristo instituiu o sacramento da Eucaristia, para permanecer conosco permanentemente. Com todo o direito se venera, com culto especial, esse adorável desígnio do Coração de Jesus Cristo, demonstração suprema de seu amor.

Por isso, o Papa Leão XIII erigiu na igreja de São Joaquim, em Roma, confiada à Congregação do Santíssimo Redentor, uma arquiconfraria sob o título de Coração Eucarístico de Jesus. E é também no Missal próprio dos redentoristas que consta, ainda hoje, o formulário para esta festa, instituída pelo Papa Bento XV, em 1921.

O formulário que tornamos disponível acima pode ser usado tranquilamente pelos padres que celebram na Forma Ordinária do Rito Romano. Aos que rezam a Missa na Forma Extraordinária, basta acessar o formulário da Missa aqui.

O mais importante, de qualquer modo, é que todos possamos meditar, com a vida, a grandeza do mistério que a liturgia nos coloca diante dos olhos. Para tanto, não deixem de assistir ao episódio abaixo, de nosso programa "Ao vivo com Padre Paulo Ricardo", sobre o Coração Eucarístico de Nosso Senhor:

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Por que Santo Antônio está abraçando o Menino Jesus?
Santos & Mártires

Por que Santo Antônio
está abraçando o Menino Jesus?

Por que Santo Antônio está abraçando o Menino Jesus?

Estando em pregação numa certa cidade, Santo Antônio encontrou pousada na casa de um generoso fidalgo. Ali, recolhido a sós em seu aposento, o santo de Lisboa teve uma surpresa…

13 de Junho de 2018
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Santo Antônio entrou certa vez numa cidade para lá pregar, e o senhor fidalgo que ali o acolheu reservou-lhe um aposento bem retirado, a fim de não o perturbarem no estudo e na oração.

Estava o santo recolhido e a sós em seu quarto quando o senhor fidalgo, andando pela casa a tratar de seus assuntos, achou-se por acaso diante do aposento de Antônio e, levado por devota curiosidade, espreitou pela porta, às escondidas, através de uma fresta que dava para o lugar em que o santo descansava. E o que haviam de ver os seus olhos! Um Menino muito belo e alegre nos braços de Santo Antônio, e este a contemplar-lhe o rosto, a apertá-lo ao peito e a cobri-lo de beijos.

O fidalgo, maravilhado com a beleza do Menino, ficou espantado, sem saber como explicar donde teria vindo aquela Criança tão bela e graciosa.

O Menino, que não era senão Nosso Senhor Jesus Cristo, revelou a Santo Antônio que o seu hospedeiro o estava espiando pela porta.

Por causa disso, Santo Antônio, após terminar uma longa oração, chamou o senhor fidalgo e humildemente lhe pediu que, enquanto ele estivesse vivo, a ninguém revelasse a visão que tivera.

Foi só depois da morte do santo que o senhor fidalgo, com lágrimas santas, contou o milagre que os seus olhos indiscretos tinham contemplado. Em louvor de Cristo. Amém.

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