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Homilia Dominical
16 Mar 2018 - 24:32

A angústia redentora de Cristo

Nós estamos cada vez mais perto de celebrar a Paixão do Senhor e, no Evangelho deste domingo, Jesus Cristo revela sentir-se “angustiado” com o que está por vir. Mas por que o Filho de Deus, homem perfeitíssimo, aceitou passar pelo medo e pela tristeza, é algo em que só através da fé podemos realmente penetrar. Assista a esta homilia e saiba de que modo a agonia de Cristo redime os nossos temores e sofrimentos.
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Homilia Dominical - 16 Mar 2018 - 24:32

A angústia redentora de Cristo

Nós estamos cada vez mais perto de celebrar a Paixão do Senhor e, no Evangelho deste domingo, Jesus Cristo revela sentir-se “angustiado” com o que está por vir. Mas por que o Filho de Deus, homem perfeitíssimo, aceitou passar pelo medo e pela tristeza, é algo em que só através da fé podemos realmente penetrar. Assista a esta homilia e saiba de que modo a agonia de Cristo redime os nossos temores e sofrimentos.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 12, 20-33)

Naquele tempo, havia alguns gregos entre os que tinham subido a Jerusalém, para adorar durante a festa. Aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e disseram: “Senhor, gostaríamos de ver Jesus”. Filipe combinou com André, e os dois foram falar com Jesus.

Jesus respondeu-lhes: “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto. Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer seguir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará. Agora sinto-me angustiado. E que direi? ‘Pai, livra-me desta hora?’ Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, glorifica o teu nome!” Então, veio uma voz do céu: “Eu o glorifiquei e o glorificarei de novo!” A multidão, que aí estava e ouviu, dizia que tinha sido um trovão. Outros afirmavam: “Foi um anjo que falou com ele”.

Jesus respondeu e disse: “Essa voz que ouvistes não foi por causa de mim, mas por causa de vós. É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, e eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim”. Jesus falava assim para indicar de que morte iria morrer.

Apenas duas semanas nos separam da Paixão de Nosso Senhor e, a fim de preparar-nos melhor para essa celebração, a Igreja nos apresenta um trecho do Evangelho de S. João muito peculiar. Jesus, diante dos gregos que vão a sua procura, não se revela como o Messias esperado, mas como Aquele que sofrerá uma morte terrível. Com essa atitude, Ele pretende realçar a profunda conexão entre o mistério da cruz e a graça da redenção, a qual não pode nos alcançar sem antes termos padecido os sofrimentos por amor a Cristo.

Os gregos que se aproximam de Cristo são os chamados prosélitos, ou seja, aqueles pagãos que conservavam as tradições judaicas. Eles vão até Jesus muito mais por uma admiração do que realmente pela fé, pois ainda não O reconheciam como o verdadeiro Salvador. Jesus, então, mostra-se como a “vítima” pascal, que deve obedecer à vontade do Pai, ainda que isso signifique a sua morte. “Agora sinto-me angustiado. E que direi? ‘Pai, livra-me desta hora?’ Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, glorifica o teu nome!”

Cristo não esconde o seu pavor. Ao contrário, Ele faz questão de expor a sua humanidade, a sua fraqueza, para que, testemunhando a sua disposição a contrariar os próprios desejos e cumprir a sua vocação, os gregos dessem um passo na fé e cressem de verdade.

Nos dias de hoje, existem muitas pessoas que, igualando-se aos gregos, se aproximam de Jesus apenas por uma admiração; gostam de Cristo porque Ele era pobre, fazia milagres, falava contra as injustiças etc. Mas não O aceitam quando descobrem que, para realmente segui-lO, o seu discípulo deve estar disposto a se sacrificar juntamente com Ele na cruz, para a glória de Deus. A cruz os apavora porque não conseguem enxergar o amor de Deus ali presente, porque não têm o dom da .

Os discípulos de Cristo precisam do dom da fé para retirar o véu da crueldade sobre o sacrifício da cruz e, assim, enxergar a glória de Deus. De fato, a razão natural não consegue ver na cruz mais do que um assassinato brutal. É apenas pela graça sobrenatural que nossa inteligência é iluminada e nossa vontade é movida para os mesmos desejos do Coração de Jesus.

É claro que ainda persiste a pergunta: Como explicar a glória de Deus na cruz diante das “angústias” de Cristo? A essa dúvida, Santo Tomás responde dizendo que Cristo, na Encarnação, assumiu completamente a nossa natureza humana, exceto o pecado, de modo que “os movimentos naturalmente próprios da carne humana existiam no seu apetite sensitivo com uma disposição tal, que não impediam de nenhum modo a razão de exercer a sua atividade” (Suma Teológica, III, q. 15, a. 4). Diferentemente de nós, Jesus tinha absoluto controle sobre as suas paixões. Mas, no momento da Paixão, Ele “sujeitou-se às paixões tanto corpóreas como da alma”, para também redimir esses sentimentos do coração do homem (cf. Suma Teológica, III, q. 15, a. 4).

Na sua Paixão, portanto, Jesus pensava em cada um de nós: o seu sofrimento já redimia o nosso sofrimento; a sua tristeza, a nossa tristeza; a sua frustração, a nossa frustração; e assim por diante. Na cruz, Jesus uniu-se à fraqueza da humanidade para redimi-la e torná-la mais uma vez digna do Céu. Eis aí a glória escondida na cruz.

Por isso, devemos esforçar-nos nesta Quaresma por adquirir uma fé verdadeiramente enraizada em Cristo, que nos ajude a dizer aquelas mesmas palavras de S. Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16, 13-19).

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