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Homilia Dominical
14 Nov 2019 - 26:46

A Cruz de Cristo é a nossa

Ao advertir no Evangelho deste domingo que seus discípulos seriam presos e perseguidos, mortos e odiados por todos, Jesus Cristo estava a indicar que “o servo não é maior do que o seu senhor”. Ou seja, como foi o caminho de nosso divino Salvador, assim também seria o caminho de sua Igreja, ao longo dos séculos, e o de cada um de seus filhos, até o fim. Assista a esta meditação do Padre Paulo Ricardo e ponha na cabeça de uma vez por todas: para nos salvarmos e santificarmos, a Cruz é a regra, não a exceção.
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Homilia Dominical - 14 Nov 2019 - 26:46

A Cruz de Cristo é a nossa

Ao advertir no Evangelho deste domingo que seus discípulos seriam presos e perseguidos, mortos e odiados por todos, Jesus Cristo estava a indicar que “o servo não é maior do que o seu senhor”. Ou seja, como foi o caminho de nosso divino Salvador, assim também seria o caminho de sua Igreja, ao longo dos séculos, e o de cada um de seus filhos, até o fim. Assista a esta meditação do Padre Paulo Ricardo e ponha na cabeça de uma vez por todas: para nos salvarmos e santificarmos, a Cruz é a regra, não a exceção.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 21, 5-19)

Naquele tempo, algumas pessoas comentavam a respeito do Templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”. Mas eles perguntaram: “Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?” Jesus respondeu: “Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente! Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim”. E Jesus continuou: “Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu. Antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”

Meditação. — 1. No Evangelho deste 33.º Domingo do Tempo Comum, Jesus prevê aos discípulos um futuro marcado por dificuldades e perseguições, que, na realidade, assemelha-se aos dias vindouros da Igreja, sua Esposa. No contexto da narrativa evangélica, as pessoas estavam contemplando as maravilhas do Templo de Jerusalém, e Jesus então prevê um futuro razoavelmente imediato: “Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído” (Lc 21, 6). E alerta os discípulos acerca da perseguição que sofrerão, antes do fim dos tempos, com o intuito de testemunharem a fé: “Sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé” (Lc 21, 12). Tais acontecimentos se realizaram pouco tempo depois de Jesus os ter previsto. O próprio autor deste Evangelho, São Lucas, foi testemunha das perseguições sofridas pelos Apóstolos, principalmente por São Paulo, com quem ele conviveu.

Contudo, a eficácia profética de tais palavras não se esgotou, pois Jesus não se referia apenas a um futuro imediato que se cumpriria para seus contemporâneos. Suas palavras eram um prenúncio para toda a Igreja em sua peregrinação terrena, apresentando um itinerário a ser cumprido por todos os que se unirem a Ele.

Tal discurso escatológico de Jesus, tratando sobre o fim dos tempos, já é reconhecido pela Carta ao Hebreus, em suas primeiras palavras: “Outrora, de muitos modos e muitas vezes, Deus falou aos nossos pais. Nestes tempos, que são os últimos, Deus nos falou através do seu Filho” (Hb 1, 1-2). Ou seja, os sinais dos últimos tempos já estavam claros na vida da Igreja, desde o início do cristianismo.

2. É importante observar que Jesus prevê para os discípulos, e para a Igreja, provações pelas quais Ele mesmo passou: sereis odiados, perseguidos, presos e levados a tribunais. Percebemos, portanto, que o caminho a ser trilhado pela Igreja é o mesmo do seu Divino Salvador, do seu Esposo. Essa é uma regra fundamental tanto para a história da Igreja quanto para a nossa vida.

Infelizmente, muitas pessoas têm uma visão distorcida acerca da vida cristã e pensam que exista um caminho alternativo para a salvação, no qual não seja necessário passar pelo mistério pascal — vivenciar a paixão e a morte, para posteriormente alcançar a ressurreição. Na visão destas pessoas, se rezarmos e vivermos retamente, chegaremos ao Céu sem precisar sofrer. Mas isso é uma ilusão gigantesca; pois, na verdade, a Cruz não é uma exceção, ela é a regra para nossas vidas, assim como o foi na de Cristo. Passar pela Cruz é condição sine qua non para entrar no Céu e celebrar a glória de Deus. Todo aquele que foge dela ou a evita nesta vida, na melhor das hipóteses, irá recebê-la no Purgatório, pois para alcançar a glória de Cristo é indispensável nos configurarmos a Ele por meio da Cruz.

Ao aparecer para os discípulos de Emaús na tarde da ressurreição, Jesus afirma: “Era necessário que o Cristo sofresse para entrar na sua glória” (Lc 24, 26). Por ser imaculado, Jesus não precisava purificar nada e nem sofrer para entrar na sua glória; no entanto, como cabeça da Igreja, Ele padeceu para que os seus membros — o Cristo total, que somos nós — alcançassem a gloriosa salvação.

Obviamente, Jesus já pagou pelos nossos pecados, um sacrifício que foi mais do que o suficiente, que cobre infinitamente toda e qualquer dívida que a humanidade, por seus pecados, tenha para com Deus. Ainda assim, é necessário que apliquemos isso à nossa vida e, para tanto, precisamos nos configurar ao Cristo crucificado, como fizeram todos os santos. Aqui, podemos olhar para inúmeros exemplos: os mártires dos primeiros séculos; os monges que se uniram a Cristo na vida de penitência no deserto; os missionários que atravessaram os mares e seguiram o Cristo crucificado passando por tormentas, perseguições, dificuldades, enfrentando maus tempos, feras, doenças, para transmitir a fé do Evangelho a tantos povos. Até mesmo santos pais de família que sofreram pelos seus filhos, como São Luís Martin, que ofereceu tudo o que tinha, podendo afirmar ao fim da vida: “Obrigado, Senhor, porque me pedistes tudo”.

3. Nosso sofrimento possui uma finalidade dupla: i) primeiramente, precisamos purificar e satisfazer as penas dos nossos pecados nesta vida, ou, do contrário, se morrermos em estado de graça, teremos de fazê-lo no Purgatório; ii) uma vez purificados, podemos e devemos seguir a Cristo carregando os fardos uns dos outros e pagando as penas dos pecados alheios, a fim de amarmos generosamente os nossos irmãos.

Cristo não precisava de purificação; mesmo assim, ao ser condenado injustamente, flagelado, torturado, crucificado e morto, Ele ofereceu-se por amor a nós e expiação pelos nossos pecados. Do mesmo modo, fizeram os santos seguindo a Cristo no sofrimento. Por exemplo, São João da Cruz purificou-se sendo perseguido e preso no cárcere de Toledo; Santa Teresinha ofereceu seus sofrimentos na enfermaria do Carmelo de Lisieux. Ambos chegaram a ser santos de sétima morada que, uma vez purificados, passaram a oferecer seus sofrimentos por nós, pela nossa conversão e purificação.

Ora, sendo este o caminho de Cristo e de todos os santos — que se configuraram a Ele —, é também o caminho da Igreja. Alguns teólogos constroem uma visão otimista da história da salvação — que ignora a Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja, para se fundamentar em ideologias utópicas — como se a Igreja Católica, no fim dos tempos, fosse triunfar gloriosamente, instaurando já neste mundo aquilo que eles chamam genericamente como “Reino”.

Porém, o que Deus nos revelou — inclusive no Evangelho deste domingo — é que a Igreja ao longo da sua história e, principalmente, no fim dos tempos, irá viver o destino do seu Divino Fundador. A Igreja será crucificada, será o último e derradeiro desencadeamento do Mal. E este castigo divino, permitido por Deus, será uma ação misericordiosa de Nosso Senhor para com os seus eleitos, uma vez que poderemos purificar-nos, oferecer-nos em sacrifício por amor a Ele, e, por meio dos nossos sofrimentos, não somente purificaremos os nossos pecados, mas também salvaremos muitas outras almas.

Esta que é a história de Cristo e do seu Corpo Místico, a Igreja, é também a nossa história pessoal. Nisso, temos uma grande consolação ao saber que não estamos sofrendo sozinhos; temos Nosso Senhor Jesus Cristo que sofreu conosco, e como Divino Cirineu carrega nossa cruz, dando-nos a força e a graça necessárias para suportá-la. Além disso, nós temos uma multidão de irmãos e irmãs santos, que estiveram neste mundo, e outros que ainda estão vivendo santamente e carregando a sua cruz oferecendo-se por nossa conversão e purificação. É extremamente consolador saber que fazemos parte da grande história, na verdade, da única história duradoura, a da Páscoa. Ou seja, com nossa cruz, nós participamos da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, Cabeça do Corpo Místico do qual somos membros. Assim, seguiremos o mesmo destino do nosso Divino Salvador.

Não nos preocupemos, pois, com as cruzes que assolam a Igreja e a nós mesmos. O próprio Cristo nos adverte contra isso no versículo 14 deste Evangelho: “Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa”. No original grego, o termo traduzido como “planejar” tem o sentido de “premeditar”, de modo que Cristo nos pede para não meditarmos com antecedência a nossa defesa, “porque eu vos darei palavras tão acertadas que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater” (Lc 21, 15). Não nos preocupemos, porque é o Espírito Santo quem guia a Igreja na sua peregrinação terrena, no seu martírio, que, na verdade, é o seu testemunho de união a Cristo ao longo dos séculos. Então, tenhamos coragem e renovemos nossa esperança: “Quando virdes estas coisas acontecerem, erguei vossas cabeças, porque está próxima a vossa libertação” (Lc 21, 28).

Oração. — Senhor Jesus Cristo, que carregastes vossa cruz por amor a nós, não permitais que desfaleçamos diante das cruzes da nossa vida, e dai-nos a graça de nos configurarmos inteiramente a Vós. Assim seja!

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