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A luta contra os pecados capitais

Há dentro de nós uma feroz batalha, travada entre o homem velho e o novo. Prova disso são os pecados capitais, aquelas tendências ou inclinações desordenadas que, se não forem combatidas, afastam-nos de Cristo.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 8, 1-3)

Naquele tempo, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.

As piedosas discípulas de Cristo (cf. Lc 8, 1ss). — “Foi uso entre os judeus, nem se via com maus olhos, que, à antiga maneira gentílica, algumas mulheres, com seus próprios recursos, dessem comida e roupa aos preceptores” (S. Jerônimo, In Matth. 27, 56), isto é, aos rabinos. Também Cristo se acomodou a esse costume, para entregar-se mais livremente à pregação evangélica e para não ser onerosos àqueles a quem pregava. Por isso, entre os que O seguiam se contavam também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças, isto é, algumas que foram libertas de espíritos malignos e outras, de enfermidades corporais. Entre elas, as mais destacadas eram a) Maria, chamada Madalena por referência à cidade de Magdala ou, talvez, Magedan, que, segundo alguns, estava às margens ocidentais do lago de Genesaré (hoje Medjedel), mas, segundo outros, a leste do lago de Genesaré, na margem oriental do Jordão (hoje Ma‘ad); da qual tinham saído sete demônios, o que há de entender-se como uma possessão demoníaca, e de extraordinária violência, embora haja quem o interprete como referência aos muitos vícios que a oprimiam antes de converter-se [1]. — b) Joana, mulher de Cuza, alto funcionário (gr. πιτρόπου, isto é, prepósito da casa ou dos assuntos domésticos) de Herodes Antipas. — c) Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam; o divino Redentor, com efeito, queria ensinar aos homens a pobreza evangélica não só por palavras, mas sobretudo com seu próprio exemplo: Sendo rico, se fez pobre por vós (2Cor 8, 9).

N.B. Que a bem-aventurada Virgem estivesse, por essa época, na comitiva dos que seguiam a Cristo, os sinóticos nem o afirmam nem o negam e, entre as mulheres que permaneceram de pé junto da cruz, tampouco a mencionam, embora saibamos, pelo que diz S. João, que Maria esteve presente à crucificação de seu Filho. Seja como for, é pelo menos verossímil que a Virgem bendita, amante da solidão e da oração, tenha permanecido em casa, em Nazaré, cooperando com a obra redentora por meio de suas preces e o exemplo de suas virtudes [2].

Nota espiritual. — O Evangelho de hoje nos fala das piedosas mulheres que, curadas de maus espíritos e doenças, seguiam Jesus e, entre elas, menciona uma em especial: Maria, chamada Madalena, da qual expulsara o Senhor sete demônios. Nestes sete espíritos malignos sempre viu a tradição da Igreja uma referência aos chamados pecados capitais: vanglória, inveja, avareza, ira, luxúria, gula e preguiça. Ora, chamam-se capitais aqueles pecados dos quais brotam como de sua raiz e dependem como de sua cabeça (caput, em latim) todos os outros pecados. Apesar de consagrada pelo uso, a palavra pecado não é, porém, a mais adequada para os designar, porque não se trata de pecados propriamente ditos, mas antes de tendências ou propensões desordenadas, que, embora não constituam em si mesmas um pecado, induzem ao pecado e, pela repetição dos atos correspondentes, podem transformar-se em verdadeiros vícios. Os pecados capitais, nesse sentido, são como doenças espirituais que, em virtude do pecado original, nos afetam a todos em maior ou menor medida. Alguns, v.gr., têm mais forte inclinação aos pecados de impureza, outros sentem maior atração pelos brilhos fingidos da avareza, alguns cedem com facilidade aos ímpetos da ira, outros ainda somente com muito esforço resistem às delícias da mesa etc. Essas tendências, que todos trazemos marcadas em nossa carne, podem também ser estimuladas pelo mundo, com seus falsos atrativos e suas promessas de felicidade, e pelos demônios, que, com a penetração de sua inteligência angélica, bem conhecem os pendores desordenados que cada um tem para este ou aquele pecado. E, como o fizera a Maria Madalena, também a nós o Senhor quer curar destes maus espíritos: se bem é certo que, enquanto caminhamos neste mundo, teremos de lutar até o fim contra as solicitações da carne, do mundo e do demônio, temos a firme esperança de que chegaremos um dia, ajudados pela graça, à vitória definitiva e, coroados por Cristo, reinaremos com Ele, livres de uma vez para sempre de todo desejo impuro, de toda aspiração vaidosa, de toda rixa e inimizade.

Referências

  1. A opinião que afirma serem uma só e a mesma pessoa a) Maria Madalena, b) Maria, irmã de Lázaro e c) a pecadora endemoniada da qual se fala aqui parece ser a mais provável, por não contrariar no mais mínimo o texto evangélico, fundar-se solidamente numa antiquíssima tradição e não implicar nenhuma dificuldade séria o bastante a ponto de termos de negar fé a essa tradição. Parece tratar-se, ademais, do sentir tácito da Igreja, que no antigo Ofício de 22 jul., de S. Maria Madalena Penitente, aludia à tríplice narração da pecadora, da irmã de Lázaro e de Madalena como à história própria de uma única santa.
  2. O texto desta homilia é uma tradução levemente adaptada de H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 4.ª ed., iterum recognita a J. Prado. Marietti, 1930, vol. 1, p. 345s, n. 235.
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