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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 5, 38-48)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado. Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito!”

Meditação. — 1. No Evangelho deste 7.º Domingo do Tempo Comum, que antecede o início da Quaresma, Nosso Senhor, no contexto do Sermão da Montanha, continua ensinando por meio de antinomias, utilizando-se da contraposição entre o “vós ouvistes o que foi dito” e o “eu, porém, vos digo”. Nesta reflexão, vamos meditar, de forma específica, sobre um dos ensinamentos de Jesus: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!” (Mc 5, 43–44).

Santo Tomás de Aquino observa que o preceito “odiarás o teu inimigo”, apresentado por Jesus como algo a ser superado, não está presente em nenhum lugar das Escrituras. Porém, ele esclarece que provavelmente Nosso Senhor estivesse referindo-se à forma com que alguns judeus de sua época interpretavam o Antigo Testamento, como se o amor ao próximo fosse restrito a determinada categoria de pessoas, na qual não se incluiriam os inimigos.

A única referência ao ódio, voltado especificamente aos inimigos de Deus, encontra-se nos salmos imprecatórios (como o 57, o 82 e o 108). No entanto, eles devem ser compreendidos no contexto da batalha espiritual que diariamente precisamos travar contra Satanás e seus demônios. Assim, o “amai os vossos inimigos”, dito por Jesus, obviamente não se aplica aos demônios, aos quais devemos odiar com todas as nossas forças, visto que eles têm como única missão afastar-nos de Deus.

2. Em termos práticos, o preceito de amar nossos inimigos parece-nos muito pesado e, às vezes, até inalcançável. Para ajudar-nos a conseguir viver isso, são pertinentes as palavras de G. K. Chesterton, no Illustrated London News, em 16 de julho de 1910: “A Bíblia nos diz para amar o nosso próximo e amar o nosso inimigo, porque geralmente eles são as mesmas pessoas”. Aqui, Chesterton está sabiamente apontando que o pecado original gera desordens em nossas emoções a ponto de não identificarmos com clareza a realidade das coisas. A raiva, por exemplo, distorce nossa visão de tal forma que olhamos para o outro e vemos apenas um inimigo a ser combatido.

Olhando para essa fraqueza, precisamos nos dar conta de que não somos imaculados. Somos náufragos de uma tragédia, que é o pecado original, depois da qual nos encontramos em uma situação precária: queremos fazer o bem e viver os Mandamentos, mas existe uma força que nos atrai a fazer o contrário.

No capítulo 3 do Gênesis, vemos essa realidade de modo concreto. Depois de desobedecer o mandamento divino, Adão e Eva ficam com medo de Deus e escondem-se dele. Ou seja, o pecado original fez com que vissem Deus como seu inimigo. Antes disso, já haviam tratado a serpente — a grande inimiga de Deus — como sua amiga, dialogando com ela e fazendo o que havia sugerido. Iniciou-se, assim, a discórdia infernal. Para justificar o ocorrido, Adão culpa, de uma só vez, a Deus e ao próximo: “A mu­lher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi” (Gn 3, 12). Aqui, percebemos a distorção gerada na alma humana pelo pecado original.

3. Para curar isso, Nosso Senhor nos apresenta um remédio extraordinário: “Amai os vossos inimigos”. Embora pareça um fardo muito pesado, esse preceito é um bálsamo para nós, feridos pelo pecado. Isso porque, se não aprendermos a amar nossos inimigos, não seremos capazes de amar ninguém, já que miseravelmente, pelo pecado original, tendemos a considerar todos como nossos inimigos, inclusive Deus.

São João Crisóstomo nos ensina que existem dois tipos de ódio: o carnal e o espiritual. O ódio carnal consiste na irritação que, como um sentimento, surge instintivamente e, em si mesmo, não é pecado, desde que não haja consentimento. Já o ódio espiritual é a irritação à qual aderimos mesmo depois de sermos advertidos do contrário por Deus e pela nossa inteligência. O ensinamento de Jesus vai no sentido de que não podemos ser reféns dos sentimentos de ódio que muitas vezes brotam de nossa natureza decaída. Se pela carne temos dificuldade de superar o ímpeto irascível, devemos pedir o auxílio da graça divina sobre a nossa alma, a fim de que o ódio carnal e instintivo que sentimos não se torne um ódio espiritual e pecaminoso.

Nosso Senhor, como bom mestre, também amou os seus inimigos. Ao ser crucificado, Ele rezou por seus algozes: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). Jesus, que foi o advogado dos próprios inimigos, reza também por nós quando o crucificamos com nossos pecados. Ele nos amou quando éramos inimigos de Deus e não o amávamos. Diante desse ato amoroso, precisamos também nós amar a Jesus, e podemos fazê-lo por meio de cada irmão que temos vontade de odiar, mas que Ele nos exorta a amar.

De forma prática, é necessário, primeiro, deixarmos de pensar na pessoa que nos ofendeu e apresentarmos a situação a Nosso Senhor, dizendo-lhe: “Senhor, a ofensa que eu recebi foi muito grave, mas Vós me perdoastes ofensas muito maiores, que me fariam perder o Céu e merecer o Inferno. Assim, pelo perdão que Vós me destes, eu também perdoarei aos que me ofenderam”. Se não perdoamos nem amamos os que nos ofendem, estamos sendo ingratos com Deus, que nos ama e nos perdoa infinitamente.

Sejamos, pois, misericordiosos com nossos irmãos, como Deus sempre é conosco. Só assim poderemos viver este Evangelho do amor aos inimigos, que é um remédio para nossas almas, pois se não amarmos os inimigos, é possível que, com o tempo, não sejamos capazes de amar mais ninguém.

Oração. — Senhor Jesus Cristo, que perdoastes as graves ofensas que realizei contra Vós, vinde em meu auxílio a fim de que eu consiga amar e perdoar meus irmãos, principalmente aqueles que me ofenderam. Assim seja. 

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